A Justiça Global, o Grupo Cultural Raízes em Movimento, o mandato do deputado estadual Marcelo Freixo, e o Observatório de Favelas encaminharam denúncia ao Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária do Centro de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) relatando a prisão arbitrária do vigilante Márcio Vinicius da Silva, morador do Complexo do Alemão.
Na noite do dia 04 de julho, Márcio Vinicius saiu da sua casa para ir até a farmácia quando foi abordado por policiais da Força Nacional de Segurança (FNS) que bateram em suas costas e o jogaram no chão dizendo que estava preso. Os policiais pisaram na sua cabeça mesmo depois dele se encontrar imobilizado.
Márcio foi algemado, jogado dentro da viatura e levado para a 21ª Delegacia de Polícia (21ª DP), sua mãe foi impedida de acompanhá-lo, passou mal e foi socorrida pelos vizinhos. Durante o caminho até a delegacia, os policiais chamavam Márcio de “macaco” e gritavam mandando que ele ficasse calado. Ao chegar à delegacia Márcio foi imediatamente levado para a carceragem.
Um policial civil veio até a carceragem lhe disse que para sair ele teria que pagar R$ 100 como “fiança”, caso contrário, ficaria a noite inteira apanhando.
Um outro agente de policia civil disse que ele teria que assinar a ocorrência e que para “terminar” a situação ele teria que pagar. A vítima voltou a afirmar que o dinheiro que possuía era para comprar o remédio da mãe hipertensa. Sentindo-se ameaçado e humilhado, Márcio resolveu entregar seu dinheiro aos policiais e assinar o Boletim de Ocorrência.
O Complexo do Alemão na zona norte do Rio de Janeiro é um conjunto de favelas que abrange os bairros de Ramos, Inhaúma, Bonsucesso, Penha e Olaria, sendo considerada uma das maiores e mais povoadas favelas do Rio de Janeiro. Desde 02 de maio de 2007, as comunidades têm sofrido diversas incursões policiais resultando em inúmeras violações de direitos humanos.
Os moradores estão expostos cotidianamente à violência nos confrontos entre a polícia e traficantes em uma das localidades mais pobres do Rio de Janeiro. Em 27 de junho, ocorreu uma megaoperação realizada pelos governos estadual e federal, envolvendo a participação de mais de 1300 policiais militares, civis e soldados da Força Nacional de Segurança. A operação resultou na execução de pelo menos 19 pessoas e nove feridos, inclusive crianças. Essa prática é resultado de uma política de segurança pública baseada no confronto e na criminalização da pobreza.