A Justiça Global e o mandato do deputado estadual Marcelo Freixo denunciaram à Hina Jilani, representante especial do secretário-geral da ONU para Defensores de Direitos Humanos, informações sobre as declarações ofensivas e homofóbicas do deputado estadual Marcos Abraão (PSL/RJ) a respeito do relator das Nações Unidas sobre execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Philip Alston, durante sua visita ao Brasil.
Em 21 de novembro de 2007, o deputado Marcos Abraão durante discurso na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em que tentou desqualificar o relator da ONU Philip Alston, revelou sua postura homofóbica, preconceituosa e discriminatória: “esses idiotas da ONU, esses antropólogos e ‘veadinhos’ estão sempre falando nos jornais; alguns jornalistas idiotas, imbecis falam de Segurança Pública, mas são todos uns asnos. Nenhum deles entende qualquer coisa de Segurança Pública, muito menos esse “veadinho” da ONU – ele tem que ser tratado assim, por ter falado o que falou. Chamo de “veadinho” porque deve ser uma bela “bicha”, daquelas bem arrependidas! Não dá para entender por que esse tipo de pessoa quer atrapalhar um processo que caminha bem”. Logo após a declaração, o parlamentar disse que não estava atacando os homossexuais, pois tem amigos gays que “são muito mais homens” que os tais “veadinhos” a que se referia.
Philip Alston esteve em visita ao Brasil no período de 4 a 14 de novembro de 2007. O relator veio ao país em missão oficial para investigar casos de execução sumária relatadas nos últimos anos por diversas organizações não governamentais, entre elas a Justiça Global. A visita incluiu os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e o Distrito Federal.
Alston ouviu denúncias de moradores de comunidades em situação de conflito, familiares de vítimas urbanas e rurais e representantes da sociedade civil. O relator encontrou-se ainda com autoridades na área de segurança pública, mas não foi recebido pelo governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Em São Paulo, Philip Alston esteve com um representante da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) que denunciou crimes homofóbicos ocorridos no Brasil.
Em comunicado à imprensa, em 14 de novembro, o relator das Nações Unidas condenou os crimes que envolvem agentes do estado. Em especial, o relator expressou a preocupação com a política de segurança pública posta em prática pelo governo Sérgio Cabral que tem resultado em muitos casos de execuções sumárias.
O deputado Marcos Abraão foi acusado de ser mandante do assassinato do colega Valdeci Paiva de Jesus, pastor da Igreja Universal. O parlamentar Valdeci Paiva de Jesus foi morto em 24 de janeiro de 2003 com 19 tiros, perto da sede do PSL na zona norte do Rio de Janeiro. Abraão era suplente do deputado assassinado e, por isso, assumiu a vaga na Assembléia Legislativa do Rio.


