A Justiça Global, a Campanha Contra o Caveirão, movimentos sociais e o mandato do deputado estadual Marcelo Freixo, a pedido de moradores, estiveram na comunidade do Muquiço, em Deodoro, para denunciar e documentar a execução de oito jovens entre os dias 23 e 24 de agosto por policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda). Testemunhas informaram que seis jovens foram mortos no dia 23 de agosto depois de terem se rendido. Um outro rapaz, que está desaparecido, teria sido baleado pelos mesmos policiais por volta da 10h30. No dia 24, os polícias continuavam na comunidade e mais dois jovens foram executados. De acordo com as denúncias, desde dezembro de 2006 os policiais do 9º BPM vêm realizando incursões violentas na comunidade, que resultaram na execução de mais de 20 jovens.
Durante a visita à comunidade, as organizações de direitos humanos e movimentos sociais conversaram com moradores e foram até a casa onde os jovens foram mortos. Ao contrário da versão apresentada pela polícia e publicada nos meios de comunicação – de que os jovens morreram após intensa troca de tiros -, o que se viu e ouviu indica que os jovens foram executados sumariamente. Os corpos dos jovens foram colocados dentro do caveirão e o local em que foram mortos foi lavado pelos próprios policiais. Após retirarem os corpos, os policiais retornaram ao local e dispararam diversas vezes contra as casas, simulando troca de tiros. Mesmo assim, a casa mantinha o cenário de horror ainda visível: marcas de sangue por todo o local, massa encefálica das vítimas e muitas cápsulas de bala no chão. Os moradores foram intimados pelos policiais que os agrediram verbalmente e dispararam diversas vezes para o alto e na direção das testemunhas. Passados dois dias das execuções, a polícia não havia estado no local para tomar depoimentos das testemunhas nem havia sido realizada a perícia.
As execuções ocorridas na comunidade do Muquiço não são ações isoladas da polícia, mas estão inseridas em um contexto de brutalidade policial em que a política de segurança pública posta em prática pelo governo do estado tem como critério de eficiência o número de mortos que as ações policiais produzem.


