No último dia 3 de julho, dez representantes de organizações não-governamentais,entre elas a Justiça Global, e movimentos sociais e populares, além do deputado estadual Marcelo Freixo, foram recebidos pelo subsecretário de Segurança do Rio, Márcio Derene, na sede da Secretaria de Segurança Pública, localizada na Central do Brasil (RJ). A expectativa era que a comissão fosse recebida pelo próprio secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, que não compareceu.
Em reunião tensa, os representantes da sociedade civil reafirmaram o posicionamento contrário à política de segurança pública em curso no Rio de Janeiro e a ampliação das mega-operações para outras comunidades. A comissão de representantes apresentou também a carta aberta à população, exigindo o fim da política de confronto.
No mesmo dia da mega-operação, a Justiça Global esteve em Brasília numa reunião convocada pelo Ministério da Justiça com representantes de organizações não-governamentais para discutir o Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania).
O Pronasci, que será lançado no dia 9 de agosto pelo presidente Lula, pretende adotar medidas sociais em conjunto com as políticas de segurança. No entanto, a exemplo do Programa Nacional de Direitos Humanos, o governo não apresentou um cronograma físico-financeiro de sua execução, alegando a indefinição de prazos e valores.
Alguns dias depois, diante da desastrosa ação policial no Complexo do Alemão, o governo federal apressou-se em divulgar um orçamento recorde de mais de três bilhões de reais para ações sociais nas comunidades do Rio de Janeiro, com o objetivo de “disputar com o crime”, conforme disse o presidente Lula. Ora, o que dias antes , na reunião de apresentação do Pronasci, era indefinido e em construção com a sociedade, foi “materializado” diante da necessidade de dar uma resposta política à opinião pública, reforçando o temor de que é possível tratar-se de mais um remendo do governo federal anunciado com pompa, mas com resultados pífios.

