1 de junho de 2007 • 19h03

Rondon do Pará: ameaça à liderança rural é denunciada a organismos internacionais

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, a Comissão Pastoral da Terra – Marabá e a Justiça Global comunicaram à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre as novas ameaças sofridas por Maria Joel Dias da Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e viúva do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, assassinado em 21 de novembro de 2000.

Maria Joel é constantemente ameaçada de morte em decorrência do seu trabalho em defesa da reforma agrária e dos trabalhadores rurais. Desta vez, o próprio pistoleiro contratado para executá-la, Luiz Gonzaga Silva, a procurou no dia 24 de abril informando-a que recebera uma proposta de um fazendeiro da região para matá-la pela quantia de dois mil reais. No entanto, alegando conhecer a luta de Maria Joel no sindicato, aceitava receber a quantia de trezentos reais para não realizar “o serviço”. Segundo ele, o crime fora encomendado por um fazendeiro da região, Décio José Barroso, conhecido como Delsão. Luis Gonzaga Silva foi preso, no dia seguinte, em flagrante, ao tentar receber o dinheiro de Maria Joel.

No dia 16 de maio de 2007, a equipe da Justiça Global esteve em Belém conversando com a secretária de justiça do Estado do Pará, Socorro Gomes e também com a responsável pelo programa estadual de proteção de defensores de direitos humanos, a defensora geral Anelyse Santos. A Justiça Global solicitou que as autoridades acompanhassem com atenção as investigações sobre o caso de Maria Joel devido à gravidade do fato.

O caso está vinculado ao assassinato do líder sindical José Dutra da Costa (Dezinho). Segundo auto de prisão da tentativa de extorsão de Maria Joel, o réu acusa o fazendeiro Delsão, como mandante do crime. Apesar de ser o principal suspeito de mandar executar Dezinho, em março corrente ano, o poder judiciário da Comarca de Rondon do Pará, acatando a solicitação do Ministério Público, impronunciou Delsão.

Até o momento, o caso de Dezinho caminha para ser mais um triste exemplo de impunidade de mandantes. O descaso e a conivência do Poder Público para coibir, apurar e responsabilizar os culpados são explícitos, inclusive inquéritos para investigar crimes desapareceram do Cartório Criminal de Rondon do Pará.

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