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	<title>Justiça Global &#187; Paraná</title>
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		<title>Dossiê reúne impactos e violações de direitos no caminho para a Copa do Mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 11:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Justiça Global</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Documento será entregue aos governos e às prefeituras das 12 cidades-sede da Copa, além de órgãos municipais, estaduais, federais e internacionais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Documento  será entregue aos governos e às prefeituras das 12 cidades-sede da  Copa, além de órgãos municipais, estaduais, federais e internacionais</strong></p>
<p>Será lançado hoje (12/12) simultaneamente nas 12 cidades-sede da Copa, o <em>Dossiê da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa &#8211; Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil</em>,  documento que reúne casos de impactos e violações de direitos humanos  nas obras e transformações urbanas empreendidas para a Copa do Mundo e  as Olimpíadas no Brasil.</p>
<p>&#8211; <a href="http://bit.ly/uSNsvO" target="_blank">LEIA O DOSSIÊ AQUI</a></p>
<p>O  dossiê foi produzido coletivamente pelos Comitês Populares da Copa &#8211;  que reúnem acadêmicos, moradores de comunidades, movimentos e  organizações sociais &#8211; e consolida uma articulação feita em nível  nacional para contestar a forma como a Copa está sendo implementada,  fato que nunca tinha acontecido em países que receberam o evento.</p>
<p>Em pelo menos sete cidades, os Comitês Populares da Copa realizam  hoje atos simbólicos de entrega dos dossiês nas prefeituras municipais  (veja serviço abaixo). O documento será protocolado ainda em secretarias  de governos estaduais e ministérios do Governo Federal, além de órgãos  como o Ministério Público Federal, o BNDES, a Controladoria Geral da  União e o Tribunal de Contas da União. A Comissão de Direitos Humanos da  OEA, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), e relatorias  especiais da ONU também receberão uma cópia.</p>
<p>Veja abaixo os principais temas abordados pelo Dossiê:</p>
<p><strong>Moradia</strong><br />
Relato  de casos de despejos arbitrários e remoção de comunidades inteiras em  processos ilegais de desapropriação para obras da Copa. Apesar da falta  de informação e dados disponibilizados pelos governos, os Comitês  Populares conseguiram a estimativa de 150 mil a 170 mil famílias que já  tiveram ou correm o risco de terem violados seus direitos à moradia  adequada.</p>
<p><strong>Trabalho</strong><br />
As greves e paralisações nas obras dos estádios  refletem baixos salários, más-condições de trabalho e superexploração da  mão-de-obra em função de atrasos e cronogramas apertados. Além disso,  são relatados casos de repressão a trabalhadores informais e de ameaças a  direitos de comerciantes que têm estabelecimentos no entorno dos  estádios e nas vias de acesso.<br />
<strong><br />
Acesso à Informação, Participação e Representação Popular</strong><br />
A  formação de grupos gestores, comitês, câmaras temáticas e secretarias  especiais da copa, muitas vezes sob a forma de empresas, constitui  instâncias de poderes paralelos, isentos de qualquer controle social.  Por outro lado, casos concretos ilustram a falta de informação prestada  de forma adequada às comunidades impactadas, o que traz triste lembrança  de tempos autoritários.<br />
<strong><br />
Meio Ambiente</strong><br />
Casos demonstram como as licitações  ambientais têm sido facilitadas para obras, e como regulamentações  ambientais e urbanísticas das cidades estão sendo modificadas  arbitrariamente em função dos megaeventos. Na proposta do novo Código  Florestal, possibilita-se a permissão para o desmatamento de Áreas de  Preservação Permanente (APPs) nas obras para a Copa.<br />
<strong><br />
Mobilidade<br />
</strong>O direito à mobilidade é violado com a expulsão  de famílias mais pobres de áreas centrais e valorizadas. Além disso, os  investimentos em transporte e mobilidade urbana têm sido feitos sem  levar em conta as principais demandas da população, priorizando regiões  de interesse de grandes grupos privados, áreas que usualmente estão se  valorizando.<strong><br />
</strong><br />
<strong>Acesso a Serviços e Bens Públicos</strong><br />
Como forma de minar a  resistência dos moradores, prefeituras estão cortando serviços públicos  de comunidades em processo de remoção. Além disso, órgãos públicos  destinados à defesa da população mais pobre estão sendo reprimidos e até  fechados, ao mesmo tempo que medidas de &#8220;ordenamento&#8221; urbano têm  violado o direito de livre acesso da população a espaços públicos.<br />
<strong><br />
Segurança Pública</strong><br />
Medidas propostas ou já implementadas,  como a criação de uma Secretaria Extraordinária de Segurança para  Grandes Eventos no âmbito do Ministério da Justiça, evidenciam uma  perspectiva de militarização das cidades durante os megaeventos. Por  exigência da Fifa, algumas responsabilidades serão confiadas a empresas,  o que aponta para a privatização dos serviços de segurança.</p>
<p><strong>Elitização, </strong><strong>&#8216;Europeização&#8217; e </strong><strong>Privatização do Futebol</strong><br />
O  fim de setores populares e o aumento dos preços dos ingressos afastam  os mais pobres dos estádios. Além disso, as &#8220;arenas&#8221; da Copa estão sendo  desenhadas em padrões que inviabilizam a cultura, os costumes, a  criatividade e a forma de se organizar e se manifestar do torcedor de  futebol brasileiro. Estádios históricos, como o Maracanã, podem ser  entregues à iniciativa privada.</p>
<p><strong>Atos públicos</strong></p>
<p>No <strong>Rio de Janeiro</strong>, que além da Copa do Mundo sediará os  Jogos Olímpicos em 2016, a concentração é em frente à Prefeitura do Rio,  na Cidade Nova, às 10h30. A entrega do dossiê está marcada para as 12h,  e haverá uma entrega simbólica do &#8220;legado&#8221; da Copa. Informações com  Renato (21 8267-2760), Gustavo (21 8212-1095) e no<a href="http://comitepopulario.wordpress.com/" target="_blank"> site do Comitê</a>.</p>
<p>Em <strong>Belo Horizonte</strong> haverá uma marcha que se concentrará na  Praça 7, a partir das 14h, e irá até a Prefeitura da cidade para entrega  do dossiê às 16h. Informações com Gustavo (31 8678-2010), Joviano (31 8815-4120) e <a href="http://atingidoscopa2014.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>O Comitê local de <strong>Curitiba</strong> fará uma marcha às 10h até a  Prefeitura de São José dos Pinhais. No período da tarde, às 13h, será a  concentração em frente à Prefeitura de Curitiba para entrega do  documento. Thiago (41 3232-4660), Andréa (41 3317-3225) e Fernanda (41 3361-5436), e <a rel="nofollow" href="http://copa2014curitiba.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Em <strong>Natal</strong> haverá uma caminhada da Rodoviária até o Auditório  do CT Gás, onde o dossiê será entregue numa Audiência Pública.  Informações com Dionisio (84 8866-2035) e Nevinha (84 8723-4079).</p>
<p>Em <strong>Brasília</strong> às 12h, haverá ato de lançamento do dossiê  e início da entrega para diferentes órgãos da Administração  Pública. Patricia (61 8138-7739), Vitor (61 9946-5966) e Larissa (61 9684-5609).</p>
<p><strong>Porto Alegre</strong> entregará o dossiê com concentração em frente a prefeitura às 16h30. Claudia (51 9666-9274) e Seu Zé (51 9945-8549) e <a rel="nofollow" href="http://comitepopularcopapoa2014.blogspot.com/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Em <strong>São Paulo</strong> a concentração será às 10h em frente à Prefeitura para a entrega do dossiê. Rosilene (11 9116-3721), Maira (11 9118-6558) e <a rel="nofollow" href="http://comitepopularsp.wordpress.com/" target="_blank">blog do Comitê</a>.</p>
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		<title>As milícias privadas do campo no Paraná</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 22:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A realização do Júri do assassinato de Eduardo Anghinoni no dia 27 reacende o debate sobre a atuação de milícias privadas, que vitimou 16 trabalhadores rurais sem terra no Paraná. Neste texto, da Terra de Direitos, você conhece como foi sobreviver ao “período Lerner”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: arial, sans-serif; -webkit-border-horizontal-spacing: 1px; -webkit-border-vertical-spacing: 1px; line-height: normal;"> </span></p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="font-family: arial, sans-serif; font-weight: normal; "><em><span style="font-family: Arial;"><span style="font-size: medium;">A realização do Júri do assassinato de Eduardo Anghinoni no dia 27 reacende o debate sobre a atuação de milícias privadas, que vitimou 16 trabalhadores rurais sem terra no Paraná. No texto de hoje, você conhece como foi sobreviver ao “período Lerner”.</span></span></em></span></h2>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"><em>da <a href="http://terradedireitos.org.br/">Terra de Direitos</a></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;">O período em que Jaime Lerner esteve como governador do Paraná foi um tempo de extrema violência no campo. Entre 1995 a 2002, o estado contabilizou dezesseis trabalhadores sem terra assassinados, 49 ameaças de morte e 325 feridos, em 134 ações de despejo (dados CPT).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> Sob a perspectiva dos conflitos fundiários, os assassinatos não podem ser analisados individualmente e uma pesquisa mais aprofundada revela as relações ilícitas formadas para impedir a luta pela Reforma Agrária no estado. Em 1999, Celso Anghinoni, irmão de Eduardo, e outras quatro lideranças da COANA, cooperativa de Querência do Norte, foram vítimas de <a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9ub3RpY2lhcy9icmFzaWwtZS1jb25kZW5hZG8tcGVsYS1vZWEtcG9yLWdyYW1wb3MtaWxlZ2Fpcy1jb250cmEtby1tc3Qv&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">interceptações telefônicas ilegais</a>, caso reconhecido internacionalmente através de uma sentença condenatória da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Os grampos serviram para monitorar a atuação do MST na região e foram realizados pela Polícia Militar e pelo comandante<a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYWdlbmRhL3RlbmVudGUtcXVlLXBlcnNlZ3VpYS1tc3QtZS1hY3VzYWRvLWRlLXRyYWZpY28taW50ZXJuYWNpb25hbC1kZS1hcm1hcy1kcm9nYXMtZS1mb3JtYWNhby1kZS1xdWFkcmlsaGEv&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">Copetti Neves</a>, condenado em 2009 a 18 anos de prisão pela Justiça Federal por tráfico internacional de arma de fogo, drogas e formação de quadrilha.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> Já o acusado de matar Eduardo Anghinoni, Jair Firmino Borracha, também foi preso por suposto envolvimento na morte de <a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9ub3RpY2lhcy9jb21pc3Nhby1pbnRlcmFtZXJpY2FuYS1yZXNwb25zYWJpbGl6YS1lc3RhZG8tYnJhc2lsZWlyby1wZWxvLWFzc2Fzc2luYXRvLWRlLXRyYWJhbGhhZG9yLXJ1cmFsLW5vLXByLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">Sebastião Camargo Filho</a>, agricultor sem terra assassinado com um tiro à queima roupa em 1998. Uma testemunha ocular do crime afirma que o atirador era <a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS90ai1kZWNpZGUtcXVlLXJ1cmFsaXN0YS1kZXZlLWlyLWEtanVyaS1wb3B1bGFyLw==&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">Marcos Prochet</a>, ex-presidente da União Democrática Ruralista – UDR , que aguarda decisão do Tribunal de Justiça para ser levado a Júri Popular por este crime.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> Somente no Paraná, a UDR já respondeu, curiosamente, a oito ações perante a Justiça do Trabalho, movidas por “seguranças”, na realidade pistoleiros, reivindicando pagamentos por serviços de “proteção” prestados a membros da entidade. Umas das reclamações trabalhistas, porém, foi extinta por “ilicitude do objeto” do contrato de trabalho, todavia, nunca houve uma investigação criminal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> A existência de provas, entretanto, nunca garantiu justiça para os trabalhadores do campo. Além do Judiciário não responsabilizar os assassinos, via de regra os mandantes dos crimes sequer constam nos processos. No ano passado, o sucessivo adiamento das audiências judiciais levou à absolvição de um dos envolvidos na morte de outro trabalhador, <a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9pbXB1bmlkYWRlLWNoYWNpbmEtb2NvcnJpZGEtZW0tOTctY29udHJhLXNlaXMtc2VtLXRlcnJhcy1maWNhLXNlbS1yZXNwb3N0YS1kby1lc3RhZG8v&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">Vanderlei das Neves</a> , ocorrida em 1997 em Laranjeiras do Sul. Apenas neste caso, o júri foi remarcado por nove vezes. Na ação que levou à morte Vanderlei, na época com 16 anos, foi usado um fuzil 762, de uso exclusivo do Exército e da Polícia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> Outra característica em comum nas mortes dos trabalhadores sem terra é a baixa qualidade e intensidade das investigações policiais, em oposição às investidas de criminalização da luta social. Os assassinatos de Sétimo Garibaldi (1998) e Elias de Meura (2004), por exemplo, ainda estão na fase de Inquérito Policial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> No caso de Eduardo Anghinoni, a acusação solicitou o desaforamento da audiência do Tribunal do Júri, que será realizada na cidade de Curitiba. Inicialmente, o júri aconteceria na região de Querência do Norte, mas a acusação acreditava que o clima de tensão e a forte atuação dos fazendeiros na região pudessem influenciar ou intimidar os jurados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Arial;">Campanha pela realização do Júri:</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"> Até 27 de julho, data marcada para o início do tribunal, você receberá todos os dias uma nova abordagem sobre a realização do Júri Eduardo Anghinoni. Espalhe essa informação e seja uma gota de esperança nesse latifúndio de injustiça.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;">Leia mais: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;">19/7: <a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3RlcnJhZGVkaXJlaXRvcy5vcmcuYnIvYmlibGlvdGVjYS9waXN0b2xlaXJvLWVudm9sdmlkby1lbS1taWxpY2lhLXByaXZhZGEtdmFpLWEtanVyaS1pbmVkaXRvLW5vLXBhcmFuYS8=&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">Pistoleiro envolvido em milícia privada vai a Júri inédito no Paraná</a></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;">Mais informações:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial;"><a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3d3dy5tc3Qub3JnLmJy&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">www.mst.org.br</a><br />
<a style="color: #0000cc;" href="https://sys.jaiminho.com.br/link.php?URL=aHR0cDovL3d3dy50ZXJyYWRlZGlyZWl0b3Mub3JnLmJy&amp;Name=&amp;EncryptedMemberID=MTAwMjk4MjU1Mg%3D%3D&amp;CampaignID=2745&amp;CampaignStatisticsID=2046&amp;Demo=0&amp;Email=c2FuZHJhQGdsb2JhbC5vcmcuYnI=" target="_blank">www.terradedireitos.org.br</a></span></p>
<p style="font-family: arial, sans-serif; ">
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		<title>Publicada sentença da OEA que condena o Brasil por grampos</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 22:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Diário Oficial da União publicou ontem (27 de setembro) a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA que condena o Brasil ao pagamento de indenizações a trabalhadores rurais que tiveram suas ligações telefônicas grampeadas irregularmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos.jpg" rel="shadowbox[post-1980];player=img;"><img class="size-full wp-image-1981 alignnone" title="Gramposegrampos" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos.jpg" alt="Gramposegrampos" width="483" height="398" /></a></p>
<p>O <em>Diário Oficial da União</em> publicou ontem (27 de setembro) a <a href="http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=3&amp;data=27/09/2010">sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos</a> da OEA que  condena o Brasil ao pagamento de indenizações a trabalhadores rurais que tiveram suas ligações telefônicas grampeadas irregularmente. O caso havia sido denunciado à OEA em 2000 pelo MST, pela Comissão Pastoral da Terra e pelas organizações <em>Justiça Global</em>, Terra de Direitos e Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP). Em agosto de 2009, o Estado brasileiro foi considerado culpado pela instalação dos grampos, pela divulgação ilegal das gravações e pela não-responsabilização dos envolvidos.</p>
<p>&#8211;&gt; LEIA O ARTIGO <a href="http://global.org.br/programas/artigo-ha-grampos-e-grampos/">&#8220;HÁ GRAMPOS E GRAMPOS&#8221;</a></p>
<p><strong>RELEMBRE O CASO</strong></p>
<p>Em maio de 1999, o então major Waldir Copetti Neves, oficial da Polícia Militar do Paraná, solicitou à juíza Elisabeth Khater, da comarca de Loanda, no noroeste do estado, autorização para grampear linhas telefônicas de cooperativas de trabalhadores ligadas ao MST. A juíza autorizou a escuta imediatamente, sem qualquer fundamentação, sem notificar o Ministério Público e ignorando o fato de não competir à PM investigação criminal. Durante 49 dias os telefonemas foram gravados. A falta de embasamento legal para determinar a escuta demonstra clara intenção de criminalizar os trabalhadores rurais grampeados.</p>
<p>A Secretaria de Segurança Pública do Paraná convocou uma coletiva de imprensa e distribuiu trechos das gravações editados de maneira tendenciosa. O conteúdo insinuava que integrantes do MST planejavam um atentado à juíza Elisabeth Khater e ao fórum de Loanda. O material foi veiculado com destaque no principal telejornal do país e em diversos meios de imprensa, o que contribuiu para o processo de criminalização que o MST já vinha sofrendo.</p>
<p><strong>O CONTEXTO</strong></p>
<p>O caso aconteceu durante o governo de Jaime Lerner no Paraná, em meio a um processo violento de perseguição aos trabalhadores rurais e aos movimentos sociais paranaenses. Autoridades e ruralistas se uniram em uma campanha que resultou em um aumento dos índices de violência no campo no estado e que, através do uso da máquina do Estado, possibilitou atos de espionagem e criminalização contra trabalhadores organizados. Durante a “Era Lerner”, foram assassinados 16 trabalhadores rurais no estado.</p>
<p>O caso das interceptações telefônicas no Paraná é exemplo emblemático de um processo de criminalização dos movimentos sociais que se intensifica a cada dia no Brasil. É notável a articulação feita entre setores conservadores da sociedade civil e do poder público para, através do uso do aparelho do Estado, neutralizar as estratégias de reivindicação e resistência das organizações de trabalhadores. Em setembro de 2000, o Ministério Público do Paraná, através da promotora, Nayani Kelly Garcia, da comarca de Loanda, emitiu parecer que afirma categoricamente que as ilegalidades no processo do caso das interceptações telefônicas “evidenciam que a diligência não possuía o objetivo de investigar e elucidar a prática de crimes, mas sim monitorar os atos do MST, ou seja, possuía cunho estritamente político, em total desrespeito ao direito constitucional a intimidade, a vida privada e a livre associação”.</p>
<p><strong>A SENTENÇA</strong></p>
<p>O Brasil foi condenado a realizar uma investigação completa e imparcial e a reparar integralmente as vítimas pelos danos morais sofridos em decorrência da divulgação na imprensa das conversas gravadas sem autorização.</p>
<p>A Corte Interamericana da OEA considerou que:</p>
<p>1)       O Estado violou o direito à vida privada e o direito à honra e à reputação reconhecidos no artigo 11 da Convenção Americana de Direitos Humanos, em prejuízo das vítimas dos grampos;</p>
<p>2)       O Estado violou o direito à liberdade de associação reconhecido no artigo 16 da Convenção Americana, em prejuízo das vítimas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra;</p>
<p>3)       O Estado violou os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial reconhecidos nos artigos 8.1 e 25 da Convenção Americana em prejuízo das vítimas a respeito da ação penal seguida contra o ex-secretário de segurança do Paraná, da falta de investigação dos responsáveis pela primeira divulgação das conversas telefônicas e da falta de motivação da decisão em sede administrativa relativa à conduta funcional da juíza que autorizou a interceptação telefônica.</p>
<p>Na sentença, a Corte Interamericana determina que o Estado deve:</p>
<p>1)       indenizar as vítimas dentro do prazo de um ano;</p>
<p>2)       investigar os fatos que geraram as violações;</p>
<p>3)       publicar a sentença no Diário Oficial, em outro jornal de ampla circulação nacional e em outro jornal de ampla cirulação no Estado do Paraná, além de em um sítio web da União Federal e do Estado do Paraná. Determinou um prazo de seis meses para os jornais e dois meses para a internet;</p>
<p>4)       O Estado deve restituir as custas dos processos;</p>
<p>5)       O Estado deverá apresentar um relatório do cumprimento da sentença no prazo de um ano. A Corte supervisará o cumprimento íntegro da sentença e só dará por concluído o caso quando o Estado cumprir integralmente a sentença.</p>
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		<title>Artigo: &#8216;Há grampos e Grampos&#8217;</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 22:46:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A discussão sobre grampos ilegais é fundamental para a construção de uma democracia sólida, mas deve ser feita com a intenção de proteger o direito de todo cidadão, e não apenas de uma parcela da sociedade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/GramposnoCorreio.jpg" rel="shadowbox[post-1982];player=img;">Publicado</a> originalmente no jornal <a href="http://www.correiobraziliense.com.br/">Correio Braziliense</a> em dezembro de 2008</p>
<p style="text-align: center; "><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos1.jpg" rel="shadowbox[post-1982];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1983" title="Gramposegrampos" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos1.jpg" alt="Gramposegrampos" width="483" height="398" /></a></p>
<p style="text-align: center; ">
<p>Está diariamente nas manchetes dos jornais: as interceptações telefônicas ilegais chegaram até a cúpula do poder. Tem boi nas linhas de banqueiros, parlamentares, chefes de gabinete e até do presidente do STF. O direito humano à privacidade é sistematicamente violado. A CPI dos grampos divulgou que, em 2007, as empresas de telefonia realizaram mais de 400 mil escutas; a Comissão Nacional de Justiça (CNJ), por sua vez, afirmou que existem 11.846 linhas sendo monitoradas no momento. Enquanto acompanhamos de perto o debate – e eventualmente as trocas de acusações – entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Estado brasileiro responde na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA justamente por sua responsabilidade em um caso de grampo ilegal. A audiência do processo será realizada na quarta-feira, 3 de dezembro, na Cidade do México e o Brasil corre o risco de, em breve, ser condenado em uma corte internacional.</p>
<p>O caso é de 1999 e aconteceu no Paraná. Policiais militares pediram autorização judicial para grampear uma linha telefônica de lideranças do MST. O pedido, por si só, já era completamente ilegal, uma vez que a investigação de infrações penais não compete à Polícia Militar. Ilegal, também, foi a atitude da juíza da comarca do município de Loanda, que acatou imediatamente o pedido simplesmente anotando na margem da mesma solicitação: &#8220;Defiro. Oficie-se.&#8221; O magistrado teria, obrigatoriamente, que fundamentar sua decisão por escrito, explicando as circunstâncias que tornam a necessidade de uma interceptação telefônica maior que o direito à privacidade. Além disso, o juiz deve, por lei, comunicar a autorização de escuta ao Ministério Público, mas a juíza Elisabeth Kather ignorou também essa norma.</p>
<p>Prosseguindo as ilegalidades, a interceptação, que havia sido autorizada apenas para uma linha telefônica, foi estendida, por livre vontade da Polícia Militar, a outra linha, também utilizada por lideranças do MST. O período autorizado também foi extrapolado, totalizando 49 dias de gravações. Por fim, para coroar todas as irregularidades, o então Secretário de Segurança do estado, Candido Manuel Martins de Oliveira, convocou uma coletiva de imprensa para a divulgação do conteúdo das fitas em trechos editados que distorciam as declarações dos grampeados.</p>
<p>Todos os envolvidos foram inocentados. Rememorar esse caso é comprovar que, há quase dez anos, já era do conhecimento da imprensa e da classe política a existência de grampos ilegais feitos com clara motivação política, comprovada atuação de agentes do Estado, e a conivência do Poder Judiciário que permite a impunidade. A pergunta inevitável é: por que só agora esse tema passou a ser preocupação nacional? Talvez uma explicação seja a simbólica distância entre o chefe máximo da última instância judiciária do país e os representantes de movimentos sociais e da sociedade civil organizada. A indignação de hoje inexistiu em 1999, o que sugere uma marcada distinção: no Brasil, parece que existem &#8220;grampeáveis&#8221; e &#8220;não-grampeáveis&#8221; – bem como &#8220;algemáveis&#8221; e &#8220;não-algemáveis&#8221;.</p>
<p>O caso levado à Corte Interamericana evidencia também a perseguição e criminalização dos movimentos sociais. O envolvimento do Poder Judiciário com interesses de poderes locais é recorrente e fundamental para a impunidade e para o sucesso dessa estratégia de desarticulação da sociedade civil. A juíza Elisabeth Kather, por exemplo, é aquela que foi flagrada pela imprensa comemorando um despejo de sem-terras com fazendeiros. Alguns anos depois foi condecorada pela Assembléia Legislativa com o título de Cidadã Honorária do Estado do Paraná. Hoje, promovida por antiguidade e merecimento, é juíza de Londrina.</p>
<p>A lei de interceptações orienta que somente seja violado o direito à privacidade quando esgotadas as possibilidades de produção convencional de provas e quando exista a argumentação da proteção de um &#8220;bem maior&#8221; (evitar homicídios, libertar reféns, combater a corrupção&#8230;) que justifique esse artifício investigativo. A autorização judicial deve ser criteriosa, justificada e estritamente de acordo com o que manda a lei e a Constituição. A violação do direito à privacidade é gravíssima e deve ser combatida; é evidente o descontrole institucional sobre as escutas telefônicas. A discussão sobre grampos ilegais é fundamental para a construção de uma democracia sólida, mas deve ser feita com a intenção de proteger o direito de todo cidadão, e não apenas de uma parcela da sociedade.</p>
<p>LUCIANA GARCIA – ADVOGADA DA JUSTIÇA GLOBAL</p>
<p>GUSTAVO MEHL – ASSESSOR DE COMUNICAÇÃO DA JUSTIÇA GLOBAL</p>
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		<title>Carta Capital: &#8216;Impunidade Fardada&#8217;</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 22:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Na prática, os desembargadores assumiram como válida a decisão da Justiça Militar, na qual o processo já havia sido arquivado”, afirma a advogada Renata Lira, da Justiça Global. “Mas basta ler o processo redigido pelo promotor militar para ver como era enviesado. Ele chama o MST de ‘milícia à margem da lei, da moral e da razão’.” Leia a matéria da Carta Capital.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: left;"><em>(ESTA MATÉRIA FOI PUBLICADA ORIGINALMENTE NO SITE DA REVISTA CARTA CAPITAL &#8211; <a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;a2=6&amp;i=5928">ACESSE AQUI</a>)</em></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"></div>
<div id="attachment_1214" class="wp-caption aligncenter" style="width: 308px"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/01/antoniotavares.jpg" rel="shadowbox[post-1213];player=img;"><img class="size-full wp-image-1214" title="antoniotavares" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/01/antoniotavares.jpg" alt="Polícia reprime manifestantes com violência em Curitiba, na ação que vitimou Antonio Tavares (Foto: Pedro Serapio/Gazeta do Povo/Folha Press)" width="298" height="248" /></a><p class="wp-caption-text">Polícia reprime manifestantes com violência em Curitiba, na ação que vitimou Antonio Tavares (Foto: Pedro Serapio/Gazeta do Povo/Folha Press)</p></div>
<p>Novamente o Brasil terá de prestar contas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Desta vez, pela omissão da Justiça brasileira diante de uma violenta repressão da Polícia Militar contra uma marcha do Movimento dos Sem Terra (MST) no Paraná. O confronto, ocorrido em maio de 2000, resultou na morte do agricultor Antonio Tavares, de 37 anos, vítima do projétil disparado por um PM. O atirador obteve a indulgência do tribunal militar e conseguiu um habeas corpus para trancar a ação penal na Justiça comum, com base na decisão anterior dos colegas de farda.</p>
<p>Ainda há um longo processo pela frente antes de o caso ser remetido à Corte Inter-americana, que pode obrigar o País reabrir a investigação. O primeiro passo foi dado: a aceitação da denúncia pela comissão ligada à Organização dos Estados Americanos, que não se convenceu da idoneidade das investigações criminais realizadas no Brasil e citadas pelos advogados de defesa do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria Especial de Direitos Humanos para desqualificar as acusações. Além disso, o áspero relatório da comissão, assinado em outubro de 2009 e divulgado somente agora, recrimina o País por confiar a apreciação do processo a uma corte militar, a despeito das orientações da OEA.</p>
<p>Desde 1997, a entidade recomenda ao Estado brasileiro “a atribuição de competência à Justiça comum para julgar todos os crimes cometidos por membros das polícias militares estaduais”. O relatório ainda ressalta que os tribunais militares não gozam “da independência e autonomia necessárias para investigar de maneira imparcial as supostas violações de direitos humanos” e reitera o apelo de não se permitir o julgamento de violações aos direitos humanos em cortes militares.</p>
<p>Após relembrar as circunstâncias do massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 sem-terra foram mortos por policiais militares no Pará, os magistrados que assinam o documento avaliam que um inquérito conduzido pela Justiça Militar “elimina a possibilidade de uma investigação objetiva e independente, executada por autoridades judiciais não ligadas à hierarquia de comando das forças de segurança”. E mesmo que o caso passe logo à Justiça ordinária, observam os juízes, o processo fica comprometido, “dado que não foram colhidas as provas necessárias de maneira oportuna e efetiva”.</p>
<p>Na avaliação da ONG <em>Justiça Global</em>, uma das autoras da denúncia oferecida à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a investigação que se seguiu à morte do lavrador comprova esses vícios. O confronto aconteceu depois que a Polícia Militar montou um cerco na rodovia BR-277, que dá acesso a Curitiba, para impedir uma manifestação dos sem-terra na capital paranaense. Para dispersar os manifestantes, a polícia iniciou uma batalha campal, com bombas, gás lacrimogêneo, disparos com balas de borracha e até com armas de fogo. Além do agricultor assassinado, 185 pessoas ficaram feridas.</p>
<p>“Quando percebemos, já estávamos cercados pela polícia. A tropa de choque de um lado, atiradores de elite do outro, um helicóptero sobrevoando e lançando bombas do alto”, comenta José Damasceno, 49 anos, membro da coordenação do MST no Paraná. “No fim, todo mundo estava desnorteado. Os policiais obrigaram todos a deitar de bruços no chão. Na confusão, perdi meu filho de vista. Só fui reencontrá-lo três dias depois.”</p>
<p>Tão logo o confronto acabou o então secretário da Segurança Pública do Paraná, José Tavares, apressou-se em defender a operação, reiterando que o confronto fora inevitável e não ocorreu uso de armas de fogo. As imagens captadas por emissoras de tevê e o resultado de um laudo do Instituto Médico Legal desmentem Tavares. As gravações mostram a brutalidade da ação policial contra trabalhadores desarmados. E o laudo atesta que a bala que matou o lavrador saiu da arma do soldado Joel de Lima Sant’Ana. O projétil teria rebatido no asfalto e perfurado o abdome da vítima.</p>
<p>Como o homicídio doloso é o único crime previsto em lei capaz de levar um policial militar, no exercício de suas funções, à Justiça comum, dois inquéritos foram abertos: um civil e um militar. O civil levou a Promotoria a denunciar o soldado pelo assassinato, destacando que o policial assumiu o risco de matar ao efetuar disparos contra o chão diante da multidão. Já o promotor da Justiça Militar, Misael Duarte Pimenta Neto, pediu o arquivamento do caso, sob a justificativa de que o soldado agiu no cumprimento da lei e sem intenção de matar. No mesmo dia em que recebeu o processo de 960 páginas, o juiz militar José Carlos Dalaqua absolveu o PM.</p>
<p>Foi com base nessa decisão que o soldado Sant’Ana conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná para trancar a ação penal movida pelo Ministério Público na Justiça comum. “Na prática, os desembargadores assumiram como válida a decisão da Justiça Militar, na qual o processo já havia sido arquivado”, afirma a advogada Renata Lira, da <em>Justiça Global</em>. “Mas basta ler o processo redigido pelo promotor militar para ver como era enviesado. Ele chama o MST de ‘milícia à margem da lei, da moral e da razão’.”</p>
<p>Mais do que garantir uma investigação criteriosa e punir os responsáveis pela morte do lavrador, as organizações que levaram o caso à OEA esperam que a Corte Interamericana obrigue o Brasil a acabar de vez com os julgamentos de crimes contra civis nas cortes militares. “Se o País for condenado, o que era uma recomendação passa a ser uma obrigação. E se não cumpri-la, pode sofrer sanções dos Estados membros da OEA”, diz Lira.</p>
<p>Até 1996, todos os crimes cometidos por policiais militares no exercício de suas funções eram investigados e julgados por cortes militares. Com a aprovação da Lei nº 9.299, de 1996, proposta pelo advogado Hélio Bicudo, a regra mudou: os homicídios passaram para a esfera da Justiça comum, mesmo que tenham acontecido durante operações policiais. Nas Forças Armadas, a regra é diferente: todos os crimes praticados em operações militares são julgados por uma corte fardada.</p>
<p>“É compreensível que a regra seja diferente para os policiais, porque eles não ficam dentro dos quartéis. Seu trabalho é na rua e as consequências dos seus crimes vão muito além da caserna”, comenta a socióloga Cristina Neme, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP). “Com essa alteração na lei, ao menos os casos de homicídio deveriam seguir um trâmite independente na Justiça comum. Mas não é raro encontrar exemplos de policiais que conseguem interferir na investigação, alterando a cena do crime ou removendo o corpo das vítimas para despistar a perícia, com a justificativa de prestar socorro.”</p>
<p>Para Hélio Bicudo, que já presidiu a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, todos os crimes praticados por militares deveriam ser julgados pela Justiça comum. “A manutenção de uma corte especial, com esse perfil corporativista, é incompatível com a democracia”, afirma. “Quando propus a alteração na lei, era para abarcar todos os crimes cometido pelos militares. Mas não foi possível.”</p>
<p>Para o advogado, o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, sancionado por decreto presidencial no fim de 2009, poderia avançar mais nessa questão. “Os planos anteriores sugeriam restrições à competência da Justiça Militar. Mas no atual eu não encontrei nenhuma diretriz nesse sentido”, lamenta Bicudo. “O mais preocupante é que o governo federal já atribuiu poder de polícia ao Exército, e agora está encaminhando um projeto para o Congresso para estender esse poder à Marinha e à Aeronáutica. Mas e os crimes que, por ventura, os militares vierem a cometer no exercício das novas atividades policiais?”</p>
<p>De acordo com os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, as Forças Armadas só deverão atuar em áreas fronteiriças, onde as autoridades policiais não têm pleno controle do território. Fora desse cenário, os militares só seriam convocados em casos excepcionais e a pedido do presidente da República, como aconteceu nas ocupações de favelas cariocas para pacificar guerras do tráfico. Os eventuais crimes praticados pelos militares durante essas operações continuam sob a esfera da Justiça Militar, exceto se eles praticarem um crime comum e fora das suas obrigações de trabalho.</p>
<p>“Se o sujeito está numa operação subsidiária, por exemplo, de patrulhamento da Força Aérea e autoriza-se a legislação de abate, estaria sujeito à Justiça Militar porque se trata de ação militar”, afirmou Jobim, durante uma palestra no fim de 2009. “Agora, se um soldado numa operação militar pratica um crime comum, ele vai responder à Justiça comum.”</p>
<p>A explicação não satisfaz boa parte das entidades de defesa dos direitos humanos. “Se um policial militar ou um soldado do Exército praticam um crime no cumprimento de uma operação qualquer, como a reintegração de posse de uma fazenda, ele deveria enfrentar a Justiça comum, porque a lei deve ser a mesma para todos”, afirma Darci Frigo, da ONG Terras de Direitos. “No fundo, os abusos e a impunidade que vemos no campo não são muito diferentes do que ocorre nos centros urbanos, onde sempre vemos denúncias de execuções sumárias envolvendo PMs. É preciso acabar com esse manto corporativista que protege criminosos. E espero que o julgamento da morte de Antonio Tavares possa contribuir para esse debate no Brasil.”</p>
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		<title>OEA condena Brasil por assassinato de trabalhador rural no Paraná</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 20:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É a terceira condenação do país na Corte Interamericana de Direitos Humanos, a segunda apenas este ano que envolve crimes contra trabalhadores rurais sem terra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>É a terceira condenação do país na Corte Interamericana de Direitos Humanos, a segunda apenas este ano que envolve crimes contra trabalhadores rurais sem terra.</em></strong></p>
<p>No dia 27 de novembro de 1998, vinte pistoleiros encapuzados entraram no acampamento do MST na Fazenda São Francisco, no município de Querência do Norte, região noroeste do Paraná. Armados e afirmando serem policiais, os homens iniciaram um despejo extrajudicial violento. O trabalhador rural Sétimo Garibaldi foi baleado na coxa e, sem atendimento, morre em seguida. (VEJA MATERIAL DETALHADO SOBRE O CASO, EM PDF: <strong><em><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2009/12/CasoSetimoGaribaldi_CondenacaoOEA.pdf">CasoSetimoGaribaldi_CondenacaoOEA</a></em></strong> )</p>
<p>Quase cinco anos haviam se passado quando, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as organizações <em>Justiça Global</em>, Terra de Direitos e Rede Nacional dos Advogados Populares (RENAP), diante da morosidade e da suspeita de conivência das autoridades responsáveis pela investigação e pelo processamento judicial do caso, iniciaram o trâmite no Sistema Interamericano de Direitos Humanos da OEA. Um ano depois, o caso ainda seria arquivado na Justiça Brasileira pela juíza Elisabeth Khater, sem a devida fundamentação.</p>
<div id="attachment_899" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2009/12/fotoSetimoGaribaldi.jpg" rel="shadowbox[post-897];player=img;"><img class="size-medium wp-image-899 " title="Sétimo Garibaldi" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2009/12/fotoSetimoGaribaldi-275x300.jpg" alt="Sétimo Garibaldi" width="275" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O trabalhador Sétimo Garibaldi, morto em 1998 (foto de família)</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p>Agora, passados onze anos do assassinato de Sétimo, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA anuncia a sentença em que condena o Estado brasileiro pela violação dos direitos às garantias judiciais e à proteção judicial, em prejuízo da viúva e dos filhos de Sétimo Garibaldi.</p>
<p>A OEA considerou o país culpado pela não responsabilização dos envolvidos no assassinato de Sétimo Garibaldi e afirmou que o caso expõe a parcialidade do judiciário no tratamento da violência no campo e as falhas das autoridades brasileiras em combater milícias formadas por fazendeiros.</p>
<p>É a terceira vez que o Estado brasileiro é condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos e a segunda que envolve crimes contra trabalhadores rurais sem terra no Paraná. Em agosto, a OEA havia responsabilizado o país por grampos ilegais contra integrantes do MST na mesma região do assassinato de Sétimo, em um caso que também teve participação da juíza Khater.</p>
<p>As sentenças condenatórias da OEA saem em um momento em que interesses políticos reforçam a criminalização e a perseguição ao MST. Há menos de um mês, foi instaurada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas irregularidades em financiamentos do Governo Federal a entidades de promoção da reforma agrária.</p>
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