A ONG Justiça Global, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), do sul do Pará, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição de Araguaia e a Associação dos Pequenos Produtores da Fazenda Batente encaminharam denúncia ao relator especial da ONU sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, sobre a morte do trabalhador rural Marcos José Morais Pereira, assassinado no ia 10 de maio de 2007, no município Conceição do Araguaia, no Estado do Pará.
Marcos José Morais Pereira era um pequeno agricultor e proprietário de 10 alqueires, próximo a área ocupada pelo fazendeiro e advogado Elias Filus Bay. Após atravessar o portão da fazenda vizinha, Marcos foi recebido a tiros vindos da Fazenda Batente. Um decreto federal publicado em 14 de setembro de 2006 desapropriou a Fazenda Batente, destinando-a a reforma agrária.
A vítima estava acompanhada do vaqueiro Pedro de Souza Brito. Eles foram até o local após Marcos receber o recado de um homem conhecido como Jonny, cunhado e gerente do fazendeiro, que autorizou a entrada na área vizinha para recuperar uma novilha. Os tiros atingiram a região toráxica de Marcos José Morais Pereira. Mesmo ferido, fugiu a cavalo a uma distância de 200 metros, mas não resistiu e morreu no local. O amigo Pedro de Souza Brito teve o chapéu perfurado a bala e conseguiu fugir a pé pela mata.
As disputas na região são antigas e alarmantes. No fim de 2006, por exemplo, foram registradas várias ocorrências a respeito das ameaças de pistoleiros ligados ao fazendeiro contra os posseiros. Entre os ameaçados, consta o nome do presidente da Associação dos Pequenos Produtores da Fazenda Batente, Luiz Rodrigues, que também está na lista de ameaçados de morte do Estado do Pará. Um inquérito foi instaurado a pedido do Ministério Publico em relação ao fato. As ameaças foram denunciadas a várias autoridades estaduais e federais, solicitando providencias urgentes para evitar uma tragédia. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra, entre 1994 e 2004, aconteceram 173 assassinatos no Estado do Pará relacionados a conflitos no campo.
Marcos José Morais Pereira era pai de três filhos menores de idade e tinha parentes entre os posseiros que ajudava com alimentos. O assassinato de Marcos José, por suas circunstâncias, se configura como um crime de mando com a utilização de pistoleiros, prática freqüente naquela região.


