18 de setembro de 2007 • 16h19

Favela Kelson´s: Justiça Global repudia criminalização de líder comunitário e faz denúncia à ONU

A Justiça Global vem a público repudiar as declarações do governador Sérgio Cabral e do secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, que, diante do desaparecimento forçado e possível homicídio do líder comunitário Jorge da Silva Siqueira Neto,  tentam associa-lo à criminalidade, colocando em xeque a idoneidade da vítima,  tirando de foco a responsabilidade do Estado em não ter garantido sua vida quando formalizou as ameaças que vinha recebendo por denunciar a ação das milícias na comunidade Kelson’s.

os agentes do Estado querem retirar do foco a relação entre o desaparecimento e possível morte de Jorge e a atuação da milícia na comunidade.

É evidente que, colocando em xeque a idoneidade da vítima, os agentes do Estado querem retirar do foco a relação entre o desaparecimento e possível morte de Jorge e a atuação da milícia na comunidade. se eximindo da responsabilidade criminalizar aqueles que não se calam diante das atrocidades ocorridas em comunidades pobres do Rio de Janeiro.

A lógica do governo estadual de criminalizar a pobreza se estende agora em desqualificar moralmente o líder comunitário Jorge da Silva Siqueira Neto, seqüestrado na última sexta-feira, que denunciava ações criminosas cometidas pela milícia na comunidade  Kelson´s desde 2006.

O suposto “crime” cometido por Jorge foi enfrentar os criminosos que, segundo suas denúncias, nos últimos nove meses executaram mais de 200 pessoas na comunidade Kelson´s. O “crime” cometido por Jorge foi lutar para que a impunidade e a violência policial não fossem as únicas certezas de quem vive nas favelas.

Ao tentarem deslegitimar a atuação de defensores de direitos humanos, as autoridades públicas pretendem se eximir da responsabilidade de apurar as denúncias e garantir a proteção daqueles que as realizam

A Justiça Global vai encaminhar denúncia à Representante Especial sobre defensores dos direitos humanos da ONU, acionar o Programa Nacional de Proteção de Defensores de Direitos Humanos e monitorar o andamento das investigações.

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