27 de novembro de 2010 • 14h23Destaque

Nota Pública – Não aceitamos mais uma chacina

Alemão2007

Mega-operação policial no Alemão, em 2007

Durante toda a semana, no Rio de Janeiro, carros e ônibus foram queimados levando pânico e medo para a cidade. Tristemente, a resposta do Estado e a reação da polícia foram sendo traduzidas, como de costume, no combate à violência com mais violência.

A situação se agravou na quarta-feira: em menos de 24 horas, 18 pessoas morreram em ações da polícia em favelas. Em 2009, quando mais de 40 pessoas foram mortas nos dez dias seguintes à queda de um helicóptero da polícia nos arredores do Morro dos Macacos, também foi assim. Em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a mega-operação realizada pelo governo do estado com apoio da Força Nacional de Segurança terminou no massacre de 19 pessoas em um dia, a maioria com evidências de execução sumária, conforme laudos periciais solicitados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

O clima de pânico serviu para inflamar nas autoridades o discurso de que a única saída possível seria a ofensiva militar dentro das comunidades do Complexo do Alemão. Estranho é que nenhuma outra medida tenha sido tomada de forma preventiva e que se esteja reafirmando, com clamor, a necessidade de conflito.

Precisamos de uma política de segurança que haja de forma permanente, assegurando liberdade e respeito. Precisamos de uma segurança pública que pense para além da defesa de uma cidade modelo para os jogos olímpicos que se avizinham. As mortes de moradores não podem ser minimizadas e tratadas como mero efeito colateral de uma operação de guerra. A vida não é e nem pode ser tratada como um jogo.
Por isso, as organizações e movimentos sociais abaixo-assinados, preocupados com a iminência de um novo massacre nas favelas da Penha e em repúdio a qualquer acontecimento deste tipo, deixamos claro que:

  • Repudiamos a lógica da guerra que está sendo difundida e que pressupõe a supressão de direitos individuais;
  • Renegamos que ações de polícia sejam pautadas pelo sentido de “revide” ou de vingança;
  • Exigimos transparência na divulgação de dados oficiais e esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes noticiadas até agora e a identidade das vítimas, com a garantia da realização de perícia e de investigação;
  • Exigimos que a vida dos moradores seja fator prioritário em estratégias de segurança pública.

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2010.

Justiça Global

Visão da Favela Brasil

Centro de Defesa de Direitos Humanos de Petrópolis – CDDH

Campanha Reaja ou Será Morta / Reaja ou Será Morto

Centro de Estudos e Ação Social – CEAS

Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM

Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia – AATR

Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas do Estado da Bahia – ASFAP

Nota Pública

Não aceitamos mais uma chacina

Durante toda a semana, no Rio de Janeiro, carros e ônibus foram queimados levando pânico e medo para a cidade. Tristemente, a resposta do Estado e a reação da polícia foram sendo traduzidas, como de costume, no combate à violência com mais violência.

A situação se agravou na quarta-feira: em menos de 24 horas, 18 pessoas morreram em ações da polícia em favelas. Em 2009, quando mais de 40 pessoas foram mortas nos dez dias seguintes à queda de um helicóptero da polícia nos arredores do Morro dos Macacos, também foi assim. Em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a mega-operação realizada pelo governo do estado com apoio da Força Nacional de Segurança terminou no massacre de 19 pessoas em um dia, a maioria com evidências de execução sumária, conforme laudos periciais solicitados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

O clima de pânico serviu para inflamar nas autoridades o discurso de que a única saída possível seria a ofensiva militar dentro das comunidades do Complexo do Alemão. Estranho é que nenhuma outra medida tenha sido tomada de forma preventiva e que se esteja reafirmando, com clamor, a necessidade de conflito.

Precisamos de uma política de segurança que haja de forma permanente, assegurando liberdade e respeito. Precisamos de uma segurança pública que pense para além da defesa de uma cidade modelo para os jogos olímpicos que se avizinham. As mortes de moradores não podem ser minimizadas e tratadas como mero efeito colateral de uma operação de guerra. A vida não é e nem pode ser tratada como um jogo.

Por isso, as organizações e movimentos sociais abaixo-assinados, preocupados com a iminência de um novo massacre nas favelas da Penha e em repúdio a qualquer acontecimento deste tipo, deixamos claro que:

  • Repudiamos a lógica da guerra que está sendo difundida e que pressupõe a supressão de direitos individuais;
  • Renegamos que ações de polícia sejam pautadas pelo sentido de “revide” ou de vingança;
  • Exigimos transparência na divulgação de dados oficiais e esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes noticiadas até agora e a identidade das vítimas, com a garantia da realização de perícia e de investigação;
  • Exigimos que a vida dos moradores seja fator prioritário em estratégias de segurança pública.

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2010.

Nota Pública

Não aceitamos mais uma chacina

Durante toda a semana, no Rio de Janeiro, carros e ônibus foram queimados levando pânico e medo para a cidade. Tristemente, a resposta do Estado e a reação da polícia foram sendo traduzidas, como de costume, no combate à violência com mais violência.

A situação se agravou na quarta-feira: em menos de 24 horas, 18 pessoas morreram em ações da polícia em favelas. Em 2009, quando mais de 40 pessoas foram mortas nos dez dias seguintes à queda de um helicóptero da polícia nos arredores do Morro dos Macacos, também foi assim. Em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a mega-operação realizada pelo governo do estado com apoio da Força Nacional de Segurança terminou no massacre de 19 pessoas em um dia, a maioria com evidências de execução sumária, conforme laudos periciais solicitados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

O clima de pânico serviu para inflamar nas autoridades o discurso de que a única saída possível seria a ofensiva militar dentro das comunidades do Complexo do Alemão. Estranho é que nenhuma outra medida tenha sido tomada de forma preventiva e que se esteja reafirmando, com clamor, a necessidade de conflito.

Precisamos de uma política de segurança que haja de forma permanente, assegurando liberdade e respeito. Precisamos de uma segurança pública que pense para além da defesa de uma cidade modelo para os jogos olímpicos que se avizinham. As mortes de moradores não podem ser minimizadas e tratadas como mero efeito colateral de uma operação de guerra. A vida não é e nem pode ser tratada como um jogo.
Por isso, as organizações e movimentos sociais abaixo-assinados, preocupados com a iminência de um novo massacre nas favelas da Penha e em repúdio a qualquer acontecimento deste tipo, deixamos claro que:

  • Repudiamos a lógica da guerra que está sendo difundida e que pressupõe a supressão de direitos individuais;
  • Renegamos que ações de polícia sejam pautadas pelo sentido de “revide” ou de vingança;
  • Exigimos transparência na divulgação de dados oficiais e esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes noticiadas até agora e a identidade das vítimas, com a garantia da realização de perícia e de investigação;
  • Exigimos que a vida dos moradores seja fator prioritário em estratégias de segurança pública.

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2010.

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