A Justiça Global encaminhou à Relatoria de Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos e Degradantes da ONU informações sobre a apreensão de aparelhos de tortura com a inscrição “direitos humanos” durante operação policial no Rio de Janeiro.
Durante operação policial realizada no dia 07 de janeiro de 2008, nos bairros de Campo Grande, Inhoaíba e Cosmos, zona oeste do Rio de Janeiro, foram encontrados diversos instrumentos de tortura em veículo utilizado por integrantes da milícia local . Um dos objetos de tortura era um bastão de beisebol com a inscrição “direitos humanos” em tinta preta.
As milícias são grupos armados que promovem o controle de diversas comunidades do Rio de Janeiro através da coação armada da população. Esses grupos são formados, em sua maioria, por policiais militares e civis da ativa e aposentados, bombeiros, seguranças e guardas municipais. Tais grupos ampliaram sua ação no estado com a conivência do poder público que justifica a atuação ilegal das milícias como forma de combater o tráfico de drogas. E utilizam muitas vezes o equipamento de segurança do estado, como armas e carros, para dominar comunidades do Rio de Janeiro.
As milícias coagem os moradores a pagar taxas em troca de proteção, assim como de outros serviços como televisão paga, transporte, gás e jogos eletrônicos (caça níqueis). As lideranças locais e moradores que se opõe à atuação da milícia muitas vezes são torturados, expulsos das comunidades ou mortos.
No documento encaminhado à ONU, a Justiça Global informa que a tortura é uma prática comum realizada por milicianos contra pessoas que se opõem de alguma forma ao domínio armado que esses grupos estabelecem em comunidades do Rio de Janeiro.


