Amanhã, quarta-feira, dia 21 de junho de 2006, o Policial Militar Henrique Vítor de Oliveira Vieira, um dos acusados do assassinato de quatro jovens em dezembro de 2003, na baixada fluminense, será julgado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Duque de Caxias.
No dia 05 de dezembro de 2003, os rapazes Geraldo Sant’Anna de Azevedo Júnior, 21 anos, Bruno Muniz Paulino, 20 anos e os irmãos Rafael, 18 anos, e Renan Medina Paulino, 13 anos foram juntos a um show na casa noturna “Via Show” na Baixada Fluminense. Na madrugada do dia 06 de dezembro, eles foram vistos pela última vez pelo amigo Wallace, que afirmou tê-los visto por volta das 04:40h no estacionamento do local. Depois desse momento os rapazes não foram mais vistos com vida.
Através de uma denúncia anônima a polícia encontrou, na madrugada do dia 09 de dezembro de 2003, os corpos dos quatro garotos que estavam desaparecidos. As vítimas estavam dentro de um poço, em uma fazenda abandonada, conhecida como Morambi, no distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os corpos dos jovens apresentavam marcas de tiro, principalmente na cabeça, pelo menos três tiros cada um, o que revelava um forte indício de que os rapazes tinham sido vítimas de uma execução sumária. Havia sinais de tortura e as cabeças estavam destruídas por tiros de fuzil.
Em julho de 2004 o Ministério Público ofereceu denúncia contra os policiais militares capitão Ronald Paulo Alves, soldados Gilberto Ferreira de Paiva, Luiz Carlos de Almeida, Vagner Luís da Silva Victorino, Henrique Vitor de Oliveira Vieira, Fábio de Guimarães Vasconcelos, Paulo César Manoel da Conceição e Eduardo Neves dos Santos, os responsabilizando pelos assasinatos.
No dia 09 de junho de 2005, o juiz Paulo César Vieira de Carvalho Filho decretou a prisão de quatro policiais militares envolvidos na chacina do Via Show: Eduardo Neves dos Santos, Paulo César Manoel da Conceição, Henrique Vítor de Oliveira Vieira e Fábio de Guimarães Vasconcelos, que na época do crime eram lotados no 15° BPM (Caxias) e no 21° BPM (Vilar dos Teles). Segundo familiares das vítimas, a promotora Márcia Colonese L. Guimarães nesta mesma época pediu a prisão dos outros policiais envolvidos no caso. Entretanto, hoje, apenas Henrique Vítor de Oliveira Vieira está preso, todos os demais estão respondendo o processo em liberdade.
O “Caso Via Show”, como ficou conhecido teve repercussão internacional e, além de cosntar do “Relatório Rio: Violência Policial e Insegurança Pública”, elaborado pela Justiça Global, foi encaminhado à Relatoria sobre Execuções Sumárias da ONU.
O julgamento será acompanhado por organizações de direitos humanos e familiares de vítimas da violência policial.


