10 de abril de 2010 • 4h39Destaque

Qual Vale você conhece?

A da propaganda, todos já viram. Uma empresa de funcionários sorridentes, trabalhando a serviço do “progresso” do país, investindo na preservação do meio ambiente e no “desenvolvimento” para o povo brasileiro.

Mas peraí!… Será que a coisa é bonitinha assim desse jeito?

Quais são os danos causados pela atuação da Vale? Quais as conseqüências para a região e para as populações locais? Qual é a postura da mineradora diante das reivindicações de comunidades atingidas e de trabalhadores sindicalizados? Quais os crimes cometidos nesses processos? E, por fim: de que maneira altos círculos do poder político e econômico se articulam para que empreendimentos gigantescos sejam viabilizados a qualquer custo, independente de irregularidades e de violações de direitos?

Essas perguntas tem que ser respondidas antes do próximo comercial da TV!

logo encontro atingidos vale

Do dia 12 ao dia 15 de abril de 2010, cerca de cento e cinqüenta pessoas de diferentes nacionalidades estarão reunidas no Rio de Janeiro para discutir a atuação da Vale e os violentos impactos socioambientais causados nos mais de vinte países em que está presente. O I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale será a consolidação de uma rede formada por movimentos, sindicatos e organizações dos cinco continentes.

MAS, AFINAL,

QUEM SOMOS?

Melhor seria perguntar: por que somos? De onde nasce a urgência de protestar e lutar contra as ações de uma das empresas mais poderosas do mundo?

Se hoje nos unimos, é justamente porque conhecemos de perto o que existe para além da propaganda da Vale. Se nos articulamos, trocamos experiências e lutamos em conjunto, é porque percebemos que por trás do discurso da empresa está a sua agressividade e seu poder destrutivo. Sabemos, por exemplo, que o papo de “sustentabilidade” tenta esconder os irreversíveis impactos causados ao meio ambiente; que a história de “responsabilidade social” é contada para ocultar o desrespeito aos direitos das comunidades atingidas pelos empreendimentos da Vale; que a divulgação da imagem de funcionários satisfeitos não apaga o desrespeito a leis trabalhistas nem a intransigência e a arrogância no trato com trabalhadores sindicalizados.

No verso do bonito quadro vendido na TV e nas revistas, atrás da empresa compromissada com a vida e com o “desenvolvimento” do país, encontramos a obsessão transnacional pelo lucro e pela máxima concentração de riquezas. Encontramos desrespeito, injustiça, pobreza, sofrimento, morte.

É por isso que somos.

Somos famílias inteiras desrespeitadas, sem acesso a alguns dos direitos mais fundamentais;

somos trabalhadores explorados em minas de ferro, carvão, níquel, cobre;

somos sindicalistas, ambientalistas, feministas, políticos;

somos estudantes, somos professores;

somos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, trabalhadores rurais;

somos despejados, removidos, desabrigados, refugiados;

somos migrantes, homens, mulheres e crianças arrancados do chão que pariu e alimentou suas famílias;

somos cidadãos enganados, desempregados, favelados, marginalizados, doentes;

somos sem terra, sem teto, sem trabalho, sem futuro.

Somos brasileiros, chilenos, peruanos, argentinos, moçambicanos, canadenses… Indignados com o saque cotidiano de riquezas que pertencem a nossos povos.

Somos todos lutadores sociais em busca de um desenvolvimento que alcance de forma igualitária a todos os cidadãos e respeite verdadeiramente o meio ambiente, os direitos humanos e a vontade própria das comunidades tradicionais.

E juntos trabalhamos intrumentos e estratégias comuns para expor a verdadeira Vale, contestar seu poder absoluto e fortalecer os trabalhadores e todas as populações atingidas por suas ações.

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ACOMPANHE AS CARAVANAS DOS ATINGIDOS PELA VALE!

Nos próximos dias, durante esta semana de preparação para o início do Encontro, vamos propor um roteiro diferente daquele ensaiado nos filmes publicitários da Vale. Sem maquiagem ou cenografia artificial – e sem dinheiro para comprar grandes espaços em grandes meios de comunicação – o blog Atingidos pela Vale acompanha as Caravanas Internacionais dos Atingidos pela Vale e mostra algumas das histórias ofuscadas nos bastidores do discurso oficial da empresa.

A idéia das Caravanas surgiu da vontade de proporcionar aos grupos o contato com diferentes realidades e a troca de experiências de resistência e luta. São dois percursos que atravessam regiões seriamente impactadas pela ação da Vale. Em Minas Gerais, o roteiro inclui cidades como Itabira, que sofre com os altíssimos índices de poluição causados pela extração de ferro. Já a caravana Pará-Maranhão cruza o chamado eixo Carajás, região onde a Vale coleciona empreendimentos milhonários e violações de direitos humanos.

Os dois grupos se encontram para a abertura do encontro na segunda-feira, dia 12, em Sepetiba, no Rio de Janeiro, onde a Vale participa da construção de mais uma siderúrgica, a CSA, que impactou violentamente a vida de centenas de famílias de pescadores artesanais da Baía de Sepetiba.

ACESSE: ATINGIDOSPELAVALE.WORDPRESS.COM

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