Os quatro jovens executados na saída da casa noturna Via Show, na Baixada Fluminense, em dezembro de 2003, foram relembrados pela primeira vez em ato no dia 8 de dezembro. A homenagem a Bruno Muniz Paulino, 20, Geraldo Sant’Anna de Azevedo Júnior, 21 anos, e aos irmãos Rafael Medina Paulino, 18, e Renan Medina Paulino, 13, foi organizada pelas mães que perderam seus entes queridos. O ato em memória aos jovens foi realizado em Guadalupe.
Na noite de 5 de dezembro de 2003, Bruno, Geraldo, Rafael e Renan foram a um espetáculo na casa noturna Via Show. Já na madrugada do dia 6 de dezembro, foram vistos pela última vez por um amigo no estacionamento do local. As investigações revelaram que os rapazes foram agredidos e espancados por policiais militares que trabalhavam como seguranças da casa de espetáculos, enquanto ainda estavam no estacionamento.
As vítimas foram conduzidas em três veículos, sob ameaça de armas de fogo, para uma fazenda abandonada em Duque de Caxias, onde foram brutalmente executadas. Os corpos foram encontrados no dia 9 de dezembro, com marcas de tortura e tiros de fuzil na cabeça.
Quatro anos depois do crime, seis dos dez policiais denunciados pelo Ministério Público respondem ao processo em liberdade. O juiz Paulo César Vieira de Carvalho Filho decretou a prisão dos outros quatro policiais militares envolvidos. São eles: Eduardo Neves dos Santos, Paulo César Manoel da Conceição, Henrique Vítor de Oliveira Vieira e Fábio de Guimarães Vasconcelos, que na época do crime eram lotados no 15° BPM (Caxias) e no 21° BPM (Vilar dos Teles).
O único até hoje julgado pelo crime foi o soldado Henrique Vítor de Oliveira Vieira. Identificado como um dos policiais que espancaram os rapazes, Vieira foi condenado, a 25 anos de prisão, em decisão unânime do Tribunal do Júri. Contudo, o julgamento foi anulado porque a sentença ultrapassou a 19 anos. Pela lei, o réu tem direito a um novo julgamento.