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	<title>Justiça Global &#187; CPT</title>
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		<title>Nota Pública sobre a ocupação do canteiro de Belo Monte</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 20:06:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA["A nossa resistência contra este projeto de destruição chamado Belo Monte permanece inabalável. A ocupação foi um recado claro para o governo Dilma Rousseff de que a luta pela proteção do Xingu está mais viva do que nunca."]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/10/bm8.jpg" rel="shadowbox[post-2507];player=img;"><img class="alignleft size-medium wp-image-2508" title="bm8" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/10/bm8-300x199.jpg" alt="bm8" width="300" height="199" /></a>O canteiro da Usina Hidrelétrica de Belo Monte foi ocupado no início da manhã desta quinta-feira por cerca de 400 indígenas, pescadores, ribeirinhos e agricultores contrários à construção da obra devido aos graves impactos ambientais e violações de direitos humanos que marcam o processo de licenciamento do empreendimento. A decisão de ocupar o canteiro de obras foi aprovada coletivamente, em assembleia, por 700 representantes de comunidades locais que participaram de um seminário contra Belo Monte realizado esta semana na cidade de Altamira, no Pará.</p>
<p>Os manifestantes notificaram, através de carta e contato pessoal, representantes do Palácio do Planalto e outras autoridades do governo federal sobre a ocupação da usina. Segundo o documento enviado, “diante da intransigência do governo em dialogar e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e desistência definitiva da construção de Belo Monte”.</p>
<p>Após 15 horas, o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte foi desocupado com a chegada de dois oficiais de Justiça e três advogados do consórcio Norte Energia, acompanhados de um destacamento da Policia Militar, munidos de um interdito proibitório ajuizado pela empresa.  Após informar os manifestantes sobre a ordem judicial, que tinha poderes de reintegração de posse, os oficiais de Justiça destacaram que a Tropa de Choque estava nos arredores, pronta para agir.  É vergonhoso que a mesma Justiça, que tem se mostrado cada vez mais morosa e suscetível a pressões políticas no julgamento das 12 Ações Civis Públicas movidas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra as ilegalidades e violações de direitos humanos no processo de licenciamento ambiental de Belo Monte, tenha expedido o interdito proibitório favorável à empresa em apenas algumas horas.</p>
<p>A ação inédita de ocupação do canteiro de obras de Belo Monte partiu de uma decisão soberana e autônoma de pescadores e indígenas da Bacia do Xingu, e foi considerada por estes o marco de uma nova aliança na luta contra a hidrelétrica. O reconhecimento mútuo e o acordo firmado esta semana entre os segmentos que mais sofrerão com a destruição do Xingu foi visto como uma nova etapa, mais forte e ampla, da luta contra Belo Monte.  A parceria entre indígenas e pescadores, inédita, mostrou que os povos do Xingu estão unidos em defesa do rio, da natureza e do seu modo de vida tradicional.</p>
<p>A nossa resistência contra este projeto de destruição chamado Belo Monte permanece inabalável. A ocupação foi um recado claro para o governo Dilma Rousseff de que a luta pela proteção do Xingu está mais viva do que nunca. Se o governo federal insistir em continuar violando os nossos direitos, dos povos indígenas e comunidades tradicionais, outras ações de resistência virão.</p>
<p>Altamira (PA), 28 de outubro de 2011.</p>
<p><strong>Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira &#8211; COIAB</strong></p>
<p><strong>Comissão Pastoral da Terra – CPT</strong></p>
<p><strong>Conselho Indigenista Missionário – CIMI</strong></p>
<p><strong>Movimento Xingu Vivo para Sempre – MXVPS</strong></p>
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		<title>ONU recebe informe sobre morte de defensores na Amazônia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 18:27:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Organizações da sociedade civil brasileira elaboraram e encaminharam as Nações Unidas um informe sobre o assassinato dos ambientalistas de Maria do Espírito Santo Silva, José Claudio Ribeiro da Silva e da testemunha do crime Herenilton Pereira dos Santos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"> </p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/joseclaudiomaria.jpg" rel="shadowbox[post-2372];player=img;"><img class="alignleft size-medium wp-image-2375" title="Defensores da Floresta" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/joseclaudiomaria-300x169.jpg" alt="Defensores da Floresta" width="300" height="169" /></a>Organizações da sociedade civil brasileira elaboraram e encaminharam as Nações Unidas um informe sobre o assassinato dos ambientalistas de Maria do Espírito Santo Silva, José Claudio Ribeiro da Silva e da testemunha do crime Herenilton Pereira dos Santos. Os assassinatos ocorreram em maio deste ano e tem relação direta com a atuação dos ambientalistas frente ao desmatamento ilegal na Amazônia. O informe foi encaminhado para a relatora Margaret Sekaggya (Defensores dos Direitos Humanos) e ao relator Christof Heynes (Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">No informe, as organizações expõem o cenário de violência contra defensores de direitos humanos no brasil e os conflitos existentes na Amazônia. Além disso, relacionam os assassinatos com as tentativas de flexibilização da leis ambientais, especialmente o Código Florestal. Desde que a Câmara aprovou a revisão na lei, seis pessoas ligadas à luta pela terra e pela conservação ambiental foram assassinadas.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">O informe foi assinado pelas organizações: Comissão Pastoral da Terra, SDDH, Terra de Direitos, <em>Justiça Global</em> e Gajop.</p>
<p><a href="ONU recebe informe sobre morte de defensores na Amazônia" target="_blank"><span style="color: #19ade6;">Leia o informe.</span></a></div>
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		<title>Chacina de treze trabalhadores no Pará fica invisibilizada na imprensa</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 23:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em nota, a Comissão Pastoral da Terra divulgou esta triste notícia sobre mais uma chacina de trabalhadores rurais no Pará, que desta vez vitimou 13 pessoas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Em nota, a Comissão Pastoral da Terra divulgou esta triste notícia sobre mais uma chacina de trabalhadores rurais no Pará, que desta vez vitimou 13 pessoas entre os dias 17 e 19 de setembro.  Leia abaixo.</p>
<p align="center"><strong>Ganância e Cumplicidade  matam treze trabalhadores no Pará</strong></p>
<p>A  Coordenação Nacional da CPT, chocada com uma chacina de grandes proporções no  Assentamento Rio Cururuí, município de Pacajá, PA, chama a atenção da sociedade  brasileira para o clima de violência na região e responsabiliza as autoridades  por novos massacres que possam ocorrer caso providências efetivas não forem  tomadas.</p>
<p>Entre os  dias 17 e 19 de setembro, 13 trabalhadores do PA Rio Cururuí, foram  assassinados num conflito que vinha sendo anunciado há tempo. A causa geradora  desta estúpida violência são os interesses  de madeireiras que, para obter   lucros cada vez maiores, corrompem funcionários públicos e lideranças de  assentamentos semeando a sizânia da ganância e da discórdia entre os assentados  da reforma agrária e de outras comunidades.</p>
<p>O  asssentamento Rio Cururuí foi criado pelo Incra em terras da União e implantado  em 2005.  A área, porém, era cobiçada pelas madeireiras. Em maio de  2007, a  imprensa noticiou que pistoleiros ligados a madeireiros expulsaram dezenas de  famílias da área, destruindo seus bens. As famílias que retornaram viviam  dominadas pelo medo de novamente serem agredidas.</p>
<p>As CPTs de  Anapu e de Tucuruí, desde 2008, vêm recebendo denúncias de assentados sobre o  abandono em que vivem. A isto se acrescentou um novo complicador.  Um grupo de 70 famílias começou  a ser pressionado pelo Incra e pelos  dirigentes do assentamento, ligado à Fetraf (Federação dos Trabalhadores  na Agricultura),  a deixarem a área na qual haviam sido  colocados pelo Incra ainda em 2004, antes da implantação do assentamento, sob a  alegação de ocuparem a área de reserva legal  do projeto. A reserva, porém, está sendo  explorada por madeireiros, alguns presumivelmente sem a devida autorização de  manejo florestal pois, em junho deste ano, o IBAMA e policias da Delegacia de  Conflitos Agrários do Pará (DECA) prenderam 1.4 mil metros cúbicos de madeira  retirados ilegalmente da área.</p>
<p>As denúncias  dos assentados repassadas à Ouvidora Agrária Nacional do Ministério do  Desenvolvimento Agrário (MDA) chegaram ao conhecimento dos que estavam sendo  denunciados o que desencadeou o conflito que assumiu as dimensões de uma  chacina.</p>
<p>A  Coordenação Nacional da CPT afirma que a  política de manejo florestal que incide muitas vezes sobre áreas de  assentamentos, ou de comunidades tradicionais, visa única e exclusivamente o  crescimento econômico que se concentra nas grandes madeireiras. Estas utilizam  de todos os instrumentos possíveis, legais e ilegais, para explorar a rica  diversidade florestal de nosso país. Corromper funcionários públicos e  lideranças das comunidades faz parte de sua estratégia. As comunidades  camponesas e os assentados, na maior parte das vezes, são totalmente excluídos  dos “benefícios” deste manejo.</p>
<p>O que  acontece hoje na Amazônia é a repetição do que ocorreu em todo o território  nacional desde a época do Brasil Colônia. A natureza é vista como mera fonte de  riquezas e é sistematicamente depredada para gerar divisas. As comunidades são  espoliadas dos poucos bens que possam ter, quando não fisicamente  eliminadas.</p>
<p>A CPT vê  ainda como uma outra fonte potencial de conflitos e violência a aprovação da MP  458, transformada na lei 11.952/09 que regulariza a grilagem de terras na  Amazônia. Surgem, em diversos pontos, notícias de conflitos de interesses entre  os que buscam a regularização e as famílias as comunidades que tradicionalmente  ocupam aquelas terras.</p>
<p>É hora de  colocar um ponto final em tanta violência. Titular as terras e territórios das  comunidades tradicionais e realizar uma Reforma Agrária ampla com a participação  das comunidades e trabalhadores  é  condição sine qua non para que haja paz no campo</p>
<p>Goiânia, 30  de setembro de 2010</p>
<p>A Coordenação Nacional</p>
<p>.</p>
<p><strong>Maiores informações:</strong></p>
<p>CPT Tucurui  – (94) 3787-2588</p>
<p>CPT  Nacional  &#8211; Setor de Comunicação –  (62) 4008-6412</p>
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		<title>Publicada sentença da OEA que condena o Brasil por grampos</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 22:48:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Diário Oficial da União publicou ontem (27 de setembro) a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA que condena o Brasil ao pagamento de indenizações a trabalhadores rurais que tiveram suas ligações telefônicas grampeadas irregularmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos.jpg" rel="shadowbox[post-1980];player=img;"><img class="size-full wp-image-1981 alignnone" title="Gramposegrampos" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/09/Gramposegrampos.jpg" alt="Gramposegrampos" width="483" height="398" /></a></p>
<p>O <em>Diário Oficial da União</em> publicou ontem (27 de setembro) a <a href="http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=3&amp;data=27/09/2010">sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos</a> da OEA que  condena o Brasil ao pagamento de indenizações a trabalhadores rurais que tiveram suas ligações telefônicas grampeadas irregularmente. O caso havia sido denunciado à OEA em 2000 pelo MST, pela Comissão Pastoral da Terra e pelas organizações <em>Justiça Global</em>, Terra de Direitos e Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP). Em agosto de 2009, o Estado brasileiro foi considerado culpado pela instalação dos grampos, pela divulgação ilegal das gravações e pela não-responsabilização dos envolvidos.</p>
<p>&#8211;&gt; LEIA O ARTIGO <a href="http://global.org.br/programas/artigo-ha-grampos-e-grampos/">&#8220;HÁ GRAMPOS E GRAMPOS&#8221;</a></p>
<p><strong>RELEMBRE O CASO</strong></p>
<p>Em maio de 1999, o então major Waldir Copetti Neves, oficial da Polícia Militar do Paraná, solicitou à juíza Elisabeth Khater, da comarca de Loanda, no noroeste do estado, autorização para grampear linhas telefônicas de cooperativas de trabalhadores ligadas ao MST. A juíza autorizou a escuta imediatamente, sem qualquer fundamentação, sem notificar o Ministério Público e ignorando o fato de não competir à PM investigação criminal. Durante 49 dias os telefonemas foram gravados. A falta de embasamento legal para determinar a escuta demonstra clara intenção de criminalizar os trabalhadores rurais grampeados.</p>
<p>A Secretaria de Segurança Pública do Paraná convocou uma coletiva de imprensa e distribuiu trechos das gravações editados de maneira tendenciosa. O conteúdo insinuava que integrantes do MST planejavam um atentado à juíza Elisabeth Khater e ao fórum de Loanda. O material foi veiculado com destaque no principal telejornal do país e em diversos meios de imprensa, o que contribuiu para o processo de criminalização que o MST já vinha sofrendo.</p>
<p><strong>O CONTEXTO</strong></p>
<p>O caso aconteceu durante o governo de Jaime Lerner no Paraná, em meio a um processo violento de perseguição aos trabalhadores rurais e aos movimentos sociais paranaenses. Autoridades e ruralistas se uniram em uma campanha que resultou em um aumento dos índices de violência no campo no estado e que, através do uso da máquina do Estado, possibilitou atos de espionagem e criminalização contra trabalhadores organizados. Durante a “Era Lerner”, foram assassinados 16 trabalhadores rurais no estado.</p>
<p>O caso das interceptações telefônicas no Paraná é exemplo emblemático de um processo de criminalização dos movimentos sociais que se intensifica a cada dia no Brasil. É notável a articulação feita entre setores conservadores da sociedade civil e do poder público para, através do uso do aparelho do Estado, neutralizar as estratégias de reivindicação e resistência das organizações de trabalhadores. Em setembro de 2000, o Ministério Público do Paraná, através da promotora, Nayani Kelly Garcia, da comarca de Loanda, emitiu parecer que afirma categoricamente que as ilegalidades no processo do caso das interceptações telefônicas “evidenciam que a diligência não possuía o objetivo de investigar e elucidar a prática de crimes, mas sim monitorar os atos do MST, ou seja, possuía cunho estritamente político, em total desrespeito ao direito constitucional a intimidade, a vida privada e a livre associação”.</p>
<p><strong>A SENTENÇA</strong></p>
<p>O Brasil foi condenado a realizar uma investigação completa e imparcial e a reparar integralmente as vítimas pelos danos morais sofridos em decorrência da divulgação na imprensa das conversas gravadas sem autorização.</p>
<p>A Corte Interamericana da OEA considerou que:</p>
<p>1)       O Estado violou o direito à vida privada e o direito à honra e à reputação reconhecidos no artigo 11 da Convenção Americana de Direitos Humanos, em prejuízo das vítimas dos grampos;</p>
<p>2)       O Estado violou o direito à liberdade de associação reconhecido no artigo 16 da Convenção Americana, em prejuízo das vítimas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra;</p>
<p>3)       O Estado violou os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial reconhecidos nos artigos 8.1 e 25 da Convenção Americana em prejuízo das vítimas a respeito da ação penal seguida contra o ex-secretário de segurança do Paraná, da falta de investigação dos responsáveis pela primeira divulgação das conversas telefônicas e da falta de motivação da decisão em sede administrativa relativa à conduta funcional da juíza que autorizou a interceptação telefônica.</p>
<p>Na sentença, a Corte Interamericana determina que o Estado deve:</p>
<p>1)       indenizar as vítimas dentro do prazo de um ano;</p>
<p>2)       investigar os fatos que geraram as violações;</p>
<p>3)       publicar a sentença no Diário Oficial, em outro jornal de ampla circulação nacional e em outro jornal de ampla cirulação no Estado do Paraná, além de em um sítio web da União Federal e do Estado do Paraná. Determinou um prazo de seis meses para os jornais e dois meses para a internet;</p>
<p>4)       O Estado deve restituir as custas dos processos;</p>
<p>5)       O Estado deverá apresentar um relatório do cumprimento da sentença no prazo de um ano. A Corte supervisará o cumprimento íntegro da sentença e só dará por concluído o caso quando o Estado cumprir integralmente a sentença.</p>
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		<title>Suspenso júri popular de fazendeiro acusado de mandar matar sindicalista no Pará</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 22:11:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Justiça Global</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar ao fazendeiro Delson Nunes, acusado de mandar matar o sindicalista José Dutra da Costa, mais conhecido como Dezinho, em novembro de 2000, no município de Rondon do Pará (PA). (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar ao fazendeiro Delson Nunes, acusado de mandar matar o sindicalista José Dutra da Costa, mais conhecido como Dezinho, em novembro de 2000, no município de Rondon do Pará (PA). A decisão suspende, até o julgamento final do Habeas Corpus (HC) 103867, a ordem de prisão e a decisão de pronúncia (que determina julgamento por júri popular) do Tribunal de Justiça do Pará (TJ/PA), bem como o andamento de ação penal em curso na Vara Criminal da Comarca de Rondon (PA).</p>
<p>Ao impetrar o HC 103867, a defesa pretendia evitar que seu cliente fosse levado a júri popular. Segundo os advogados do fazendeiro, houve cerceamento de defesa no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma vez que Quinta Turma daquela Corte manteve a submissão do acusado ao Tribunal do Júri e rejeitou a alegação de excesso de linguagem da decisão pronúncia. A defesa argumenta que o acórdão do TJ seria nulo porque pode comprometer a imparcialidade dos jurados.</p>
<p>No STF, a defesa alega que o cerceamento de defesa ocorreu porque o advogado do acusado não teria sido intimado da inclusão de Habeas Corpus na pauta de julgamento da Quinta Turma do STJ, ocorrido no último dia 23 de abril. Com isso, o advogado do acusado ficou impossibilitado de distribuir memoriais aos ministros que integram o colegiado e não pôde fazer sustentação oral na sessão. O STJ rejeitou a alegação de que o acórdão do TJ-PA teria incorrido no vício de excesso de linguagem.</p>
<p>Decisão</p>
<p>“Entendo que se mostra densa a plausibilidade jurídica da pretensão cautelar ora deduzida, especialmente no que concerne à essencialidade do direito de fazer sustentação oral perante os Tribunais nas hipóteses previstas na legislação processual ou nos regimentos internos das Cortes judiciárias”, disse o ministro Celso de Mello, que citou como precedentes os Habeas Corpus 67556 e 76275. Para ele, a sustentação oral, por parte de qualquer réu, “compõe o estatuto constitucional do direito de defesa”.</p>
<p>O ministro frisou que a sustentação oral é um dos momentos essenciais da defesa e que, por essa razão, “a indevida supressão dessa prerrogativa jurídica (ou injusto obstáculo a ela oposto) pode afetar, gravemente, um dos direitos básicos de que o acusado &#8211; qualquer acusado &#8211; é titular, por efeito de expressa determinação constitucional”.</p>
<p>Sem prejuízo de exame posterior da questão e considerando decisão proferida por ele em matéria idêntica (HC 96958), o ministro Celso de Mello concedeu a liminar a fim de suspender, cautelarmente, até o julgamento final do Habeas Corpus 103867, a eficácia da ordem de prisão e da decisão de pronúncia, além de interromper o andamento da ação penal contra o fazendeiro, em curso na Vara Criminal da Comarca de Rondon (PA).</p>
<p>Em 2002, a <em>Justiça Global</em>, a Comissão Pastoral da Terra de Marabá e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará apresentaram denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (CIDH) sobre as violações à Convenção Americana de Direitos Humanos cometidas pelo Estado brasileiro em virtude da morosidade do julgamento dos acusados no assassinato de Dezinho. O caso ainda tramita na CIDH.</p>
<p>Fonte: Noticias STF, 07 de julho de 1010.</p>
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		<title>Nota sobre a visita de Lula ao Pará</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 20:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sandrinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não bastasse serem impedidos de levar suas demandas ao presidente, os ameaçados pela usina foram publicamente humilhados, chamados de meninos, ignorantes. Procurando comparar-se a eles, Lula afirmou que, em sua juventude, acreditou em disparates como terremotos, mudança do clima ou do eixo do planeta, causados pela hidrelétrica de Itaipu. “Se eles [os manifestantes] tivessem paciência para ouvir”, disse Lula... Se ele  tivesse essa paciência, saberia que os medos da população do Xingu não são fanatsiosos. São medos reais de quem está ameaçado pela destruição de seu lar, de seu modo de vida, de suas fontes de sobrevivência, e de toda a imensurável beleza que faz a vida valer a pena no Xingu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Surdo, cego e displicente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um  forte aparato de repressão, composto pela Força Nacional, pela Tropa de  Choque e pela polícia militar, impediu que o protesto de cerca de 400  ribeirinhos, pequenos agricultores, estudantes e professores contra a  hidrelétrica de Belo Monte chegasse ao presidente Lula esta semana, em  Altamira (PA).</p>
<p style="text-align: justify;">O  representante do governo federal, Geraldo Magela (colaborador do  ministro Luis Dulci, da Secretaria Geral da Presidência), esteve à  frente das forças policiais que bloquearam o acesso dos manifestantes ao  Estádio onde Lula falou à população. Lideranças sociais foram fichadas,  houve revista pessoal e apreensão de faixas ou qualquer material  contrário a Belo Monte.</p>
<p style="text-align: justify;">Não  bastasse serem impedidos de levar suas demandas ao presidente, os  ameaçados pela usina foram publicamente humilhados, chamados de meninos,  ignorantes. Procurando comparar-se a eles, Lula afirmou que, em sua  juventude, acreditou em disparates como terremotos, mudança do clima ou  do eixo do planeta, causados pela hidrelétrica de Itaipu. “Se eles [os  manifestantes] tivessem paciência para ouvir”, disse Lula&#8230; Se <strong><em>ele</em></strong> tivesse essa paciência, saberia que os medos da população do Xingu não  são fanatsiosos. São medos reais de quem está ameaçado pela destruição  de seu lar, de seu modo de vida, de suas fontes de sobrevivência, e de  toda a imensurável beleza que faz a vida valer a pena no Xingu.</p>
<p style="text-align: justify;">Cegado   pela displicência, o presidente não viu que os rostos dos que tentaram  se fazer ouvir eram morenos, brancos, negros, vincados e queimados de sol, e suados com o  calor que tanto o incomodou. Não eram “gringos”, como disse Lula na sua  próxima parada, em Marabá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Nós precisamos mostrar ao mundo que ninguém mais do  que nós quer cuidar da nossa floresta”, disse Lula. Nós? O governo, que  faz as obras que destroem e atraem a destruição das matas? Não, somos  nós os que sabemos cuidar da floresta, aqueles que estamos tentando nos  fazer ouvir desesperadamente. Somos os que historicamente cuidamos da  natureza, porque ela é tudo que temos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lula   falou em R$ 4 bilhões “<strong>para  cuidar do povo ribeirinho”. Isto deve nos alegrar? Deve pagar a  destruição de nossas vidas, e das vidas das futuras gerações? Devemos  comemorar e nos calar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esta   semana no Pará, houve espaço para uma só voz, arrogante, displicente e  prepotente. Lula, o governo federal e o governo estadual, que até hoje  não se dignaram a ouvir os apelos dos ameaçados por Belo Monte,  novamente ignoraram e deram as costas aos ribeirinhos, agricultores e  moradores das palafitas de Altamira, e aos seus medos e sonhos.  Novamente, a despeito da expectativa e da ansiedade de serem ouvidos,  estes cidadões tiveram a porta batida em suas caras.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p align="right">Altamira, 23 de junho de 2010</p>
<p><strong><em>Movimento   Xingu Vivo para Sempre, Via Campesina (MAB, CIMI, CPT, PJR, FEAB,  ABEEF), MMCC, UJS, Consulta Popular, DA-UFPA, PJ, SINTEPP, Movimento  Negro &#8211; CFNTX, Pastoral da Criança, Forum Popular, SOS Vida</em></strong></p>
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		<title>Na Bahia, juiz ordena invasão de terras de comunidades tradicionais</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 21:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Estou cagando e andando para a convenção internacional”, disse o dr. Eduardo Padilha, Juiz de Direito em Casa Nova, na Bahia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right">
<div id="attachment_1412" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/03/fundosdepasto.jpg" rel="shadowbox[post-1411];player=img;"><img class="size-full wp-image-1412" title="fundosdepasto" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/03/fundosdepasto.jpg" alt="Caprinos e ovinos criados soltos na Caatinga são a base da sobrevivência nos fundos de pasto (foto: André Campos - Repórter Brasil)" width="460" height="307" /></a><p class="wp-caption-text">Caprinos e ovinos criados soltos na Caatinga são a base da sobrevivência nos fundos de pasto (foto: André Campos - Repórter Brasil)</p></div>
<p align="right">
<p align="right"><strong><em>“ Estou cagando e andando para a convenção internacional”</em></strong></p>
<p align="right"><strong><em>Dr. Eduardo Padilha, Juiz de Direito em Casa Nova, Bahia. </em></strong></p>
<p>Sexta-feira, dia 5 de março de 2010, a área de <a href="http://www.ocarete.org.br/povos-tradicionais/comunidades-de-fundo-de-pasto/">fundo de pasto</a> conhecida como Areia Grande foi invadida por pessoas que ocupavam dois carros. A porteira de entrada foi arrombada, tendo sido parcialmente destruída, bem como a casa que tinha servido de moradia a José Campos Braga, conhecido como Zé de Antero, lavrador assassinado em janeiro de 2009, em razão do conflito fundiário instalado na região entre os moradores das comunidades e grileiros de terra.</p>
<p>A INVASÃO gerou apreensão e instabilidade entre os moradores de Salina da Brinca, Jurema, Melancia e Riacho Grande. Os moradores prestaram queixa junto à delegacia local informando o ocorrido.</p>
<p>A Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), a Comissão Pastoral da Terra/Juazeiro (CPT), o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas, Agroindustriais e Agropecuárias dos municípios de Juazeiro, Curaçá, Casa Nova, Sobradinho, Sento Sé (SINTAGRO-BA), e um representante das associações de fundo de pasto se dirigiram ao Fórum local para informar o fato ao Juiz de Direito, Dr. Eduardo Padilha, e pedir providências quanto ao mesmo tendo em vista à tensão gerada.</p>
<p>Surpreendentemente, em conversa com o magistrado, descobriram que se tratava de uma ação orquestrada pelo próprio, em companhia do Promotor de Justiça da comarca, Dr. Sebastião Coelho, de policiais militares, do oficial de Justiça Alberto Rocha, conhecido como Feijão, e de Gileno de Andrade Almeida, que o Juiz informou se tratar de seu segurança pessoal. Sobre Gileno, cabe informar que o mesmo se identifica enquanto representante e sócio dos grileiros.</p>
<p>O motivo de tal invasão, segundo o Juiz, seria a realização de nova inspeção judicial na área. Frise-se que uma inspeção judicial havia sido realizada no dia 19 de fevereiro de 2010, que contou com a participação de um servidor público da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), da AATR, da CPT, do SINTAGRO, bem como os representantes das Associações de Fundo de Pasto.</p>
<p>Como se não bastasse a invasão e a realização de um ato processual sem comunicação ao Estado da Bahia, autor da ação discriminatória em que a inspeção teve curso, e das associações de fundo de pasto, partes no processo, o Juiz expulsou a CPT, o SINTRAGO e o representante das associações, e permaneceu debatendo com a AATR, apontando o seu ponto de vista sobre a ocupação do território tradicional. Segundo ele, a primeira inspeção foi objeto de um “engodo, uma enganação, uma maquiagem”, que “um circo foi armado”. Alegou que o território não possuía ocupação humana e que a quantidade de animais encontrados, segundo ele, menos de 50 bodes, não justificava a extensão da ocupação. O Juiz, ainda, colocou em dúvida o trabalho realizado pela CDA que atestou a ocorrência de grilagem de terras públicas e a ocupação tradicional das famílias, acusando-a de estar em acordo com as associações na suposta “enganação”.</p>
<p>Como contraponto, a AATR argumentou que a ocupação da área se dá sob o regime de fundo de pasto, o que não implica a ocupação humana permanente e que os animais são criados soltos. A AATR informou também que há uma convenção internacional, ratificada pelo Poder Legislativo, que assegura a proteção de tal forma de ocupação tradicional das terras. Foi nesse momento que o magistrado desdenhou de tal instrumento legal e disse: “<strong>Estou cagando e andando para a Convenção Internacional”. </strong></p>
<p>Diante da argumentação da AATR, o juiz se reconheceu enquanto desconhecedor do regime de fundo de pasto, por nunca ter vivido no campo, mas que, mesmo assim, continuará sustentando o seu entendimento sobre a questão.</p>
<p>Repudiamos a ocorrência de um ato processual que não respeitou o devido processo legal, por contrariar o contraditório e a ampla defesa, o menosprezo do magistrado em relação aos instrumentos normativos de defesa de direitos sociais e em relação à ocupação centenário das comunidades de fundo de pasto.</p>
<p>Pedimos apoio na divulgação desta moção e na luta das comunidades tradicionais pela permanência em seus territórios.</p>
<p align="right">Casa Nova, 11 de março de 2010.</p>
<p>União das Associações de Fundo de Pasto de Casa Nova (UNASF)</p>
<p>Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR)</p>
<p>Comissão Pastoral da Terra/ Diocese de Juazeiro (CPT)</p>
<p>SINTRAGRO-BA</p>
<p>Articulação do Semi-árido/Casa Nova (ASA)</p>
<p>Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)</p>
<p>Paróquia São José Operário – Casa Nova</p>
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		<title>Relatório denuncia violações de direitos humanos no Pará</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 18:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sandrinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As organizações não-governamentais Comissão Pastoral da Terra (CPT), Terra de Direitos e Justiça Global apresentam na próxima segunda-feira, dia 28 de novembro de 2005, às 14h30, na sede da CNBB em Brasília, o relatório &#8220;Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense&#8221;. (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As organizações não-governamentais Comissão Pastoral da Terra (CPT), Terra de Direitos e <em>Justiça Global</em> apresentam na próxima segunda-feira, dia 28 de novembro de 2005, às 14h30, na sede da CNBB em Brasília, o relatório <strong>&#8220;Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense&#8221;</strong>. O livro, que também será disponibilizado em inglês e alemão, será entregue além das autoridades do governo federal e do Pará, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, à Comissão de Direitos Humanos da ONU e à Representante Especial das Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, que chega ao Brasil em missão oficial no dia 5 de dezembro, e que inspecionará o Pará de 7 a 9 do mesmo mês.</p>
<p>A pesquisa, realizada em parceria pelas três organizações, traz uma análise sobre a situação fundiária e a violência no Estado do Pará, desnudando as relações entre a degradação ambiental, a situação fundiária e as violações de direitos humanos.</p>
<p>A partir das denúncias, lutas e problemas enfrentados pelos trabalhadores, o relatório aborda o desmatamento, a grilagem e a violação dos direitos humanos. As reflexões procuram também abordar e analisar as dificuldades na implementação de um programa de reforma agrária sustentável e na demarcação de reservas extrativistas.</p>
<p>Como lugares e exemplos dessa luta, foram visitadas e pesquisadas as localidades de Rondon do Pará, Anapu, Terra do Meio, Castelo dos Sonhos e Porto de Moz. Essas regiões ilustram, por um lado, a ação criminosa de latifundiários, grileiros, e madeireiros, além da recorrente e não menos criminosa ação de órgãos do Poder Público. Por outro lado, estas regiões são palcos de luta e resistência de posseiros, ribeirinhos, trabalhadores rurais, defensores de direitos humanos na busca de uma reforma agrária e de um modelo de desenvolvimento capaz de garantir melhores condições de vida população e a preservação da Amazônia.</p>
<p>O Pará carrega alguns tristes recordes, como o de campeão dos conflitos de terra e de mortes. De fato, nos últimos dez anos, os números relativos aos conflitos, mortes e ameaças de morte são excessivamente elevados. Os registros da CPT mostram que, de 1971 a 2004, foram assassinados 772 camponeses e outros defensores de direitos humanos no Pará, sendo que a maioria dessas mortes (574 casos) foi registrada na região sul e sudeste do Estado. Na primeira metade do período mencionado (1971-1985) foram registrados 340 assassinatos em conflitos fundiários. Na segunda metade do período (1986-2004) foram vitimados 432 camponeses, demonstrando assim a persistência no tempo do padrão de violência existente no Pará.</p>
<p>Se o padrão de violência impressiona, a impunidade choca ainda mais: dos 772 assassinatos no campo no Pará, foram realizados apenas três julgamentos de mandantes dos crimes. Para demonstrar a impunidade, a pesquisa traz uma lista com os nomes de mandantes e pistoleiros que já tiveram a prisão preventiva decretada mas que continuam em liberdade.</p>
<p>Ao final do relatório as entidades apresentam um rol de recomendações, especificando os órgãos competentes a que se destinam e as competências que lhes cabem em cada uma delas. Este relatório, além de ser mais uma ação de denúncia e monitoramento em torno das violações de direitos humanos e destruição ambiental no Pará, quer contribuir para transformar a realidade.</p>
<p>A partir das 14h30 do dia 28 de novembro, o relatório estará disponível nas seguintes páginas eletrônicas:</p>
<p><a href="http://www.cptnac.com.br/">http://www.cptnac.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.global.org.br/">http://www.global.org.br</a></p>
<p><a href="http://www.terradedireitos.org.br/">http://www.terradedireitos.org.br</a></p>
<p>O áudio: </p>
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		<title>Caso Dorothy Stang:  a construção da impunidade</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 14:47:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sandrinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A decisão do Júri Popular, realizado em Belém do Pará nos últimos dias 5 e 6 de maio, que absolveu Vitalmiro Bastos de Moura  (Bida) -  um dos acusados do assassinato da Irmã Dorothy Stang em 12 de fevereiro de 2005 &#8211; evidencia mais uma vez a impunidade garantida aos mandantes de crimes contra trabalhadores rurais e defensores de direitos humanos no Pará. (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A decisão do Júri Popular, realizado em Belém do Pará nos últimos dias 5 e 6 de maio, que absolveu Vitalmiro Bastos de Moura  (Bida) -  um dos acusados do assassinato da Irmã Dorothy Stang em 12 de fevereiro de 2005 &#8211; evidencia mais uma vez a impunidade garantida aos mandantes de crimes contra trabalhadores rurais e defensores de direitos humanos no Pará. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, nos últimos 36 anos 800 trabalhadores rurais foram assassinados no Pará e Bida era, até ontem, o único mandante preso.</p>
<p>A demora em processar os responsáveis pelo assassinato de Dorothy foi decisiva no processo de construção da impunidade, abrindo a possibilidade dos mandantes cooptarem os pistoleiros e o intermediário do crime. Essa estratégia dos mandantes fica evidente na constante mudança de depoimentos dos réus. Rayfran das Neves, réu confesso, mudou seu depoimento 14 vezes. Amair Feijóli da Cunha (Tato), condenado como intermediário do crime, também mudou seu depoimento em relação ao primeiro júri, alegando a própria inocência e a de Bida.  No entanto, Vitalmiro Bastos de Moura responde ainda à Justiça Federal por crimes ambientais e por manutenção de trabalhadores rurais em condições análogas às de escravos.</p>
<p>O resultado do Tribunal do Júri demonstra também a importância de que casos emblemáticos de violações de direitos humanos sejam federalizados, isto é, que tanto a a apuração como o processamento do caso sejam realizados pela Polícia Federal e Justiça Federal, respectivamente, de modo a impedir que autoridades judiciárias e juri  fiquem suscetíveis às pressões dos grupos poderosos locais. Vale lembrar que o pedido de federalização do caso Dorothy Stang foi negado pelo Superior  Tribunal de Justiça (STJ).</p>
<p>As constantes mudanças de depoimentos e a forma como a defesa dos acusados foi estruturada, reforçam a urgência em se realizar uma investigação rigorosa sobre a existência de consórcio entre fazendeiros, em uma estratégia que vem garantindo ao longo de décadas vantagens financeiras para intermediários, pistoleiros, facilitação de fugas e a absolvição de mandantes. Exemplo emblemático dessa situação é o caso do assassinato do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará, José Dutra da Costa (Dezinho) em 2000. Até o momento, apesar de muitas evidencias, dois acusados de serem os mandantes foram impronunciados pelo crime e o pistoleiro está foragido depois de ter fugido do presídio no início desse ano.</p>
<p>A <em>Justiça Global</em>, Terra de Direitos, Centro Luiz Freire, Campanha Reaja, a Associação de Familiares de Presos e Presas da Bahia e o Coletivo de Entidades Negras (CEN), organizações que integram o  Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, rechaçam veementemente os ataques feitos pela defesa dos réus à imagem da irmã Dorothy Stang de forma a desqualificá-la, e aos trabalhadores rurais, associando-os a bando em uma evididente  tentativa de criminalização.</p>
<p>A impunidade garantida ao fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura gera ainda um clima de insegurança para os defensores de direitos humanos que se encontram ameaçados de morte no Pará, a exemplo de D. Erwin Krautler, Frei Henri des Rozieres, Maria Joel Dias da Costa, José Soares de Brito, Ivete Bastos, entre tantos outros. Também é urgente que se investiguem as ameaças anônimas recebidas, via telefone, pelo Promotor Público, Edson Souza, responsável pela acusação dos réus.</p>
<p>O Ministério Público, dentro de suas atribuições legais, deve recorrer imediatamente da decisão de absolvição de Bida e o Tribunal de Justiça do Pará, julgar com a maior brevidade possível esse recurso, para que um novo júri possa ser realizado, garantindo inclusive lisura no julgamento de Regivaldo Galvão (Taradão), outro acusado de ser mandante do assassinato de Dorothy Stang.</p>
<p>Vale ressaltar que a problemática que envolve os conflitos e a violência no estado do Pará está fortemente associada à concentração da propriedade da terra, inclusive feita através da apropriação ilegal de terras públicas (grilagem). Essas violações vão desde a negação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, com a destruição dos recursos naturais, até a expulsão violenta e prisões de trabalhadores rurais, ribeirinhos, extrativistas, indígenas, populações tradicionais que ocupam a terra há muitas décadas. As violações agravam-se com as práticas de trabalho escravo e culminam na sistemática de assassinatos de trabalhadores rurais e lideranças, como aconteceu com Doroty Stang.</p>
<p>Nesse sentido, defendemos que o combate à grilagem de terras deve ser uma medida permanente, com a retomada das terras públicas do estado e do governo federal, de forma que possa garantir um processo de reforma agrária que atenda os interesses dos trabalhadores rurais, tornando-os menos vulneráveis às violações de direitos humanos. Defendemos também  que sejam protegidos os defensores de diretos humanos ameaçados, com a ampliação e o fortalecimento do Programa de Proteção aos defensores de direitos humanos.</p>
<p>8 de maio de 2008</p>
<p><em>Justiça Global</em></p>
<p>Terra de Direitos</p>
<p>Centro Luiz Freire</p>
<p>Campanha Reaja</p>
<p>Associação de Familiares e Amigos de Presos e Presas da Bahia</p>
<p>Coletivo de Entidades Negras (CEN)</p>
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		<title>ONU é notificada sobre assassinato de trabalhador rural no sul do Pará</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2007 20:50:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A Justiça Global, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do sul do Pará, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição de Araguaia e a Associação dos Pequenos Produtores da Fazenda Batente encaminharam denúncia ao relator especial da ONU sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, sobre o assassinato do trabalhador rural Marcos José Morais Pereira, assassinado no último dia 10 de maio, no município Conceição do Araguaia, no Estado do Pará. (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <em>Justiça Global</em>, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do sul do Pará, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição de Araguaia e a Associação dos Pequenos Produtores da Fazenda Batente encaminharam denúncia ao relator especial da ONU sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, sobre o assassinato do trabalhador rural Marcos José Morais Pereira, assassinado no último dia 10 de maio, no município Conceição do Araguaia, no Estado do Pará.</p>
<p>Marcos José Morais Pereira era um pequeno agricultor e proprietário de 10 alqueires, próximo a área ocupada pelo fazendeiro e advogado Elias Filus Bay.  Após atravessar o portão da fazenda vizinha, Marcos foi recebido a tiros vindos da Fazenda Batente. Um decreto federal publicado em 14 de setembro de 2006 desapropriou a Fazenda Batente, destinando-a à reforma agrária.</p>
<p>A vítima estava acompanhada do vaqueiro Pedro de Souza Brito. Eles foram até o local após Marcos receber o recado de um homem conhecido como Jonny, cunhado e gerente do fazendeiro, que autorizou a entrada na área vizinha para recuperar uma novilha.</p>
<p>As disputas na região são antigas e alarmantes. No fim de 2006, por exemplo, foram registradas várias ocorrências a respeito das ameaças de pistoleiros ligados ao fazendeiro contra os posseiros. O assassinato de Marcos José, por suas circunstâncias, se configura como um crime de mando com a utilização de pistoleiros, prática freqüente naquela região.</p>
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