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	<title>Justiça Global &#187; remoção</title>
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		<title>RJ: Dossiê inédito mostra mais abusos em nome da Copa</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Apr 2012 19:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquivo]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Econômicos, Sociais e Culturais]]></category>
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		<description><![CDATA[Documento feito pelo Comitê Popular do Rio de Janeiro mostra que os megaeventos continuam atropelando os direitos dos brasileiros]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>O Rio de Janeiro é uma das cidades onde as obras para a Copa mais  estão removendo pessoas de suas casas em todo o país. A estimativa é que  o governo gastará cerca de um bilhão de reais com desapropriações até  2014 só para implantar os chamados BRT’s (Bus Rapid Transit) –  transporte previsto no projeto de mobilidade urbana para os megaeventos.</div>
<p>O Rio também é a única cidade entre as escolhidas para sediar os  jogos que já tem uma lei desde 2009 que proíbe camelôs em um raio de 2  quilômetros dos estádios.</p>
<p>A capital é pauta de um dossiê exclusivo feito pelo Comitê Popular da  Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro e lançado nesta quinta-feira  (19) <a href="http://comitepopulario.wordpress.com/2012/04/18/copa-e-olimpiadas-dossie-reune-denuncias-de-violacoes-de-direitos-humanos-no-rj/" target="_blank">em um debate com a presença de Raquel Rolnik</a> no  Rio, de forma simultânea com a Pública. O documento reúne denúncias de  violações de direitos humanos nos preparativos para a Copa e ainda para  as Olimpíadas de 2016.</p>
<p>O dossiê <a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2012/04/Dossiê-Megaeventos-e-Violações-dos-Direitos-Humanos-no-Rio-de-Janeiro.pdf">Megaeventos e violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro</a> foi produzido coletivamente por entidades e movimentos sociais que  compõem o Comitê Popular local e traz dados sobre remoções, gastos  públicos, análises sobre a falta de informação e participação dos mais  afetados nos projetos de mobilidade e urbanização.</p>
<p>Faz ainda denúncias graves sobre a transferência de terras públicas  para o setor privado através de parcerias  público-privadas e sobre  condições precárias de trabalho nas obras da Copa como a reforma do  Maracanã, que já enfrentou duas paralisações.</p>
<p><strong>Moradia</strong></p>
<p>O documento aponta que comunidades carentes têm sido expulsas de  áreas valorizadas pela especulação imobiliária ou por serem pontos  turísticos: “a maioria das remoções está localizada em áreas de extrema  valorização imobiliária, como Barra da Tijuca, Recreio, Jacarepaguá e  Vargem Grande”. E explica que a maioria dos conjuntos habitacionais  produzidos pelo programa Minha Casa Minha Vida – uma das alternativas   do governo para as famílias removidas de suas casas – não está nas áreas  beneficiadas com investimentos para a Copa e as Olimpíadas, e sim nas  áreas periféricas da cidade, onde há baixa cobertura dos serviços  públicos e infraestrutura urbana.</p>
<p>“Em alguns casos, a ausência ou precarização dos serviços públicos  será provocada pelo recebimento de um contingente enorme de pessoas sem a  correspondente ampliação dos serviços”.</p>
<p>Como o Copa Pública mostrou <a href="http://apublica.org/2012/01/nao-vamos-sair-diz-moradora-morro-da-providencia-veja-minidoc/">aqui</a> e <a href="http://apublica.org/2012/04/rj-casas-vao-cair/">aqui</a>,  algumas formas de desapropriação têm sido arbitrárias. Segundo o  dossiê, os moradores não são citados nos processos de expulsão por não  constarem no Registro Geral de Imóveis, mesmo que tenham mais de 5 anos  de ocupação sem contestação da posse – o que daria direito ao usucapião  ou concessão de uso para fins de moradia.</p>
<p>O dossiê aponta que essas ações permitem “a demolição das casas sem  escutar os moradores afetados” e violam “o princípio da precaução nas  ações de despejo, reintegrações de posse e desapropriações que envolvam  comunidades pobres e grupos vulneráveis”.</p>
<p>O documento fala ainda em remoções à noite, ameaças e até violência  policial  como procedimentos adotados pelas sub-prefeituras e a  derrubada de casas sem avaliação de impacto para as demais.</p>
<p>Um exemplo dado no texto é a remoção que aconteceu  no bairro  Campinho, na zona norte do Rio, onde famílias tiveram suas casas  derrubadas antes de  receber indenização. Em outros casos, as denúncias  são de indenizações baixas tanto para moradores como para comerciantes:  “Relatos de comerciantes  da Restinga, localizada no Recreio dos  Bandeirantes, afirmam que a Prefeitura Municipal estava oferecendo R$  14.400,00 e em Campinho, R$ 20.000,00. No caso da Comunidade do Metrô  Mangueira, a situação é ainda pior, pois os moradores denunciam que os  comerciantes da localidade não estão sendo indenizados” diz o documento.</p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Mauro_mapa_final.jpg" rel="shadowbox[post-3046];player=img;"><img title="Mauro_mapa_final" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Mauro_mapa_final-600x424.jpg" alt="" width="600" height="424" /></a></p>
<p><strong>Mobilidade</strong></p>
<p>O Rio deve receber três grandes eventos nos próximos anos: A  Conferência Rio+20, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Um  conjunto de intervenções nos transportes está previsto, com o nome de  “Revolução nos Transportes”. Inclui a implantação dos Bus Rapid  Transit (ônibus de alta velocidade) e o alongamento da Linha 1 do metrô.  Segundo o dossiê, porém, estas obras não irão atender à demanda que já  existe porque vão se concentrar  nos locais dos megaeventos:</p>
<p>“Primeiro, há uma forte concentração no município do Rio de Janeiro,  lembrando que a região metropolitana tem 20 municípios. E, em segundo  lugar, há uma desigualdade na distribuição desses investimentos no  interior do município do Rio de Janeiro, com uma concentração maciça na  Zona Sul e na Barra da Tijuca”, explica o documento.</p>
<p><strong>Trabalho</strong></p>
<p>O dossiê coloca as pressões exercidas pela FIFA e pelo COI como as  principais responsáveis pela precarização do trabalho nas obras da Copa e  pelas violações dos direitos dos trabalhadores que se tem visto por  todo o país -<a href="http://apublica.org/2012/03/fui-tratado-como-cachorro-diz-ex-funcionario-da-arena-amazonia/">Relembre o caso da Arena Amazônia</a></p>
<p>No caso específico da reforma do Maracanã,  duas paralisações já  aconteceram. A primeira relacionada à explosão de um barril que  armazenava produtos químicos  que feriu gravemente  um operário. Na  ocasião, os dois mil trabalhadores entraram em greve denunciando os  baixos salários e as condições precárias de trabalho, reivindicando   convênio médico e adicional de periculosidade. A segunda paralisação se  deu por conta do descumprimento do acordo: “Os trabalhadores afirmaram  que permaneciam sem plano de saúde, sem aumento no valor das cestas  básicas e sem registro das horas extras no contracheque. Além disso, a  insalubridade no canteiro de obras persistiu e, ao contrário do que  previa o acordo anterior, houve uma queda de qualidade nas condições de  trabalho”.</p>
<p><strong>Trabalhadores informais</strong></p>
<p>No que diz respeito à relação com os camelôs e trabalhadores informais – <a href="http://apublica.org/2012/04/copa-nao-e-para-pobre-os-ambulantes-zonas-de-exclusao-da-fifa/">leia a matéria especial da Pública sobre as zonas de exclusão da FIFA</a> – o documento aponta que a política de preparação da cidade é de militarização.</p>
<p>“Foram construídas duas UOPs (Unidade de Ordem Pública), quartéis da  Guarda Municipal, na Central e no Maracanã. A Prefeitura Municipal  aprovou na Câmara dos Vereadores uma legislação, em 2009, que proíbe  qualquer camelô de trabalhar em um raio de 2 quilômetros dos estádios,  hospedagem dos atletas e eventos relacionados”.</p>
<p><strong>Esporte</strong></p>
<p>O dossiê faz uma análise do que chama de “processo de elitização do  futebol brasileiro”. Nesta tabela, mostra o aumento do valor dos  ingressos e coloca que o Brasil segue sendo um país exportador de  craques e que tem sido a maior fonte de renda dos clubes: “Exportam-se  os jovens craques para serem refinados no exterior e compram-se os  mesmos jogadores mais caros de volta, principalmente quando estes estão  no fim de carreira”.</p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/M%C3%A9dia-de-P%C3%BAblico-nos-Est%C3%A1dios-Campeonato-Brasileiro-2007-2011.jpg" rel="shadowbox[post-3046];player=img;"><img title="Média de Público nos Estádios - Campeonato Brasileiro - 2007-2011" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/M%C3%A9dia-de-P%C3%BAblico-nos-Est%C3%A1dios-Campeonato-Brasileiro-2007-2011-600x266.jpg" alt="" width="600" height="266" /></a></p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Fonte-de-Renda-dos-Clubes-2010.jpg" rel="shadowbox[post-3046];player=img;"><img title="Fonte de Renda dos Clubes - 2010" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Fonte-de-Renda-dos-Clubes-2010-600x279.jpg" alt="" width="600" height="279" /></a></p>
<p>Ainda sobre o Maracanã, o dossiê  coloca que ele já ficou mais tempo  parado do que em atividade  e que a reforma atual já está orçada em  quase R$1 bilhão. “A previsão de abertura do estádio está para janeiro  de 2013, quase 27 meses parado. Somando recursos de duas obras que  aconteceram  lá, são quase R$1,5 bilhão de dinheiro público investido em  um estádio que não recebeu um jogo sequer durante quatro dos últimos  oito anos”.</p>
<p><strong>Segurança</strong></p>
<p>“O investimento público em segurança pelos megaeventos pode ser  considerado um experimento no monitoramento de pessoas e lugares. No  caso do Rio de Janeiro, a segurança pública relacionada aos megaeventos   está voltada para os interesses do mercado e terá o efeito de  marginalizar ainda mais camadas sociais mais vulneráveis” denuncia o  documento. E aponta que o investimento em UPPs representa o maior do  Estado em segurança pública: “Só em 2014, o investimento será de R$ 720  milhões, prevendo um efetivo de 12 mil policiais. Não é por acaso que  quase todas as primeiras 18 UPPs foram instaladas em favelas existentes  nas regiões mais nobres da cidade, formando um ‘cinturão’ associado  explicitamente às áreas das competições Olímpicas, aos sistemas de  transporte que os entrelaçam e aos centros de maior poder aquisitivo”.</p>
<p><a href="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Previs%C3%A3o-de-gastos-em-Seguran%C3%A7a-P%C3%BAblica-Copa-2014.jpg" rel="shadowbox[post-3046];player=img;"><img title="Previsão de gastos em Segurança Pública - Copa 2014" src="http://apublica.org/wp-content/uploads/2012/04/Previs%C3%A3o-de-gastos-em-Seguran%C3%A7a-P%C3%BAblica-Copa-2014-600x217.jpg" alt="" width="600" height="217" /></a></p>
<p><strong>Orçamento e finanças</strong></p>
<p>Em relação à Copa do Mundo, estão previstos pouco mais de R$ 4,1  bilhões entre financiamentos e investimentos, sendo mais de R$ 2,8  bilhões oriundos do governo federal. O dossiê lembra que o Banco  Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, é a  principal instituição de financiamento na capital. “ O Rio de Janeiro é a  segunda cidade onde mais devem ser investidos recursos públicos, só  sendo superada por São Paulo (onde estão previstos investimentos de R$  5.145,15 bilhões)” e que a maior fatia deste bolo deve ir para  mobilidade urbana, que representa 44,9% do total de investimentos  previstos para a Copa e 59,6% para as Olimpíadas.</p>
<p>“Do restante dos investimentos para a Copa, 26,9% estão alocados na  ampliação ou reforma da infraestrutura dos aeroportos e portos, e outros  21,1% na reforma do Maracanã”. Os investimentos previstos se concentram  em áreas nobres da cidade, como a Barra da Tijuca e o Centro do Rio de  Janeiro: “Percebe-se que o grande legado são os lucros apropriados por  certos agentes econômicos que têm a cidade como o seu negócio”.</p>
<p>Outra denúncia importante diz respeito à transferência de recursos  públicos para agentes privados na contratação de grandes obras ou em  parcerias. “No caso do Maracanã, que está sendo reformado com recursos  públicos, o governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou a intenção de  entregar sua gestão para um concessionário privado, já em fevereiro de  2013, na inauguração das obras para a Copa do Mundo em 2014. Conforme  noticiou o jornal Brasil Econômico (27/10/2011), o bilionário Eike  Batista, controlador do grupo EBX e oitavo homem mais rico do mundo -,  admitiu interesse em participar do processo de privatização e da gestão  do estádio Maracanã, como é popularmente conhecido o oficialmente  estádio Mário Filho”.</p>
<blockquote><p><strong>Porto Maravilha</strong></p>
<p>No caso do projeto revitalização da área portuária, o projeto Porto  Maravilha , a parceria público-privada está ocorrendo por meio de uma  operação urbana consorciada e da emissão de Certificados de Potencial  Adicional de Construção-CEPAC. Pela lei aprovada, as empresas  interessadas em construir na área portuária teriam de adquirir os  certificados (em torno de seis milhões, cada um no valor mínimo de R$  400), comercializados como títulos imobiliários negociados em leilões  públicos supervisionados pela Comissão de Valores Mobiliários.</p>
<p>Ao todo, a operação urbana consorciada envolve uma área de quatro  milhões de metros quadrados, que vai dos bairros da Gamboa, Saúde, São  Cristóvão, Caju, Santo Cristo e Cidade Nova à Região da Leopoldina.</p>
<p>No entanto, no leilão realizado em 2010 para promover a primeira  operação urbana consorciada do Rio (e a maior parceria público privada  do Brasil, conforme o prefeito Eduardo Paes), a iniciativa privada não  comprou nenhum título. O Fundo de Investimento Imobiliário Porto  Maravilha, controlado pela Caixa Econômica Federal, comprou todos os  CEPACS com recursos do FGTS.</p>
<p>Posteriormente, em 2011, seria estabelecida a parceria entre o Fundo  de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, gerido pela CAIXA, e a  empresa Tishman Speyer, uma das maiores do mundo no ramo, para o  desenvolvimento de um empreendimento imobiliário comercial na região do  porto. O empreendimento prevê a construção de um conjunto de torres  comerciais de alto padrão.</p></blockquote>
<p><strong>Participação popular</strong></p>
<p>No que diz respeito à participação popular nas decisões e no  acompanhamento dos projetos para os megaeventos, o documento esmiúça o  organograma das entidades responsáveis e mostra que há pouco espaço para  que a voz da população seja ouvida. Quando há a participação de alguma  entidade civil, é apenas formal. É o caso do “Conselho de Legado”, uma  entidade consultiva que reúne apenas quatro entidades: a Associação  Comercial do Rio de Janeiro, Instituto dos Arquitetos do Brasil,  Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, ONG Rio  Como Vamos. No total, entre entidades deliberativas, executivas e  consultivas, são nove órgãos coordenando os megaeventos.</p>
<p>A ausência de diálogo e transparência com a população é evidente nos  casos de remoção de habitações populares. Nas favelas da Vila Harmonia,  Recreio II, Restinga, Sambódromo, Campinho e Metrô-mangueira os aviso de  datas de remoção foram feitos horas antes da ação.</p>
<p>Também não há clareza na justificativa da remoção. As comunidades são  situadas nas proximidades de intervenções que constam como “projetos  olímpicos”, mas as explicações oficiais são mudadas constantemente. No  vaso da Vila Autódromo, por exemplo, não se sabe se a remoção que ameaça  acontecer é pela construção do Parque Olímpico, pela necessidade de  ampliar corredores viários no local, por ocupar áreas de risco (segundo o  dossiê, a favela é situada em lugar plano e não há registro de  enchentes no local) ou por ser uma área de preservação ambiental.</p>
<p><strong>Propostas do Comitê Popular</strong></p>
<p>O Comitê Popular Rio defende que os direitos humanos básicos, como  moradia, educação e saúde, “não podem ser comprometidos em nome dos  megaeventos esportivos”. Eles acreditam que “as decisões sobre projetos e  obras a serem realizados na cidade, envolvendo recursos públicos, ou  mudanças das normas e marcos legais, sejam definidas considerando as  necessidades e prioridades da população”. Ou seja, os “investimentos  públicos na cidade devem promover o Direito à Cidade, e não sua  elitização e mercantilização”. Também reivindicam  o “direito ao acesso e  utilização dos espaços públicos pela população para a prática de  atividades culturais e tradicionais como manifestações públicas e  comércio popular”.</p>
<p><em>*Colaborou Jéssica Mota</em></p>
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		<title>Audiência pública revela graves impactos socioambientais do Porto do Açu</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 17:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Empreendimento de Eike Batista ameaça de remoção moradores de área equivalente a 7 mil hectares]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Empreendimento de Eike Batista ameaça de remoção moradores de área equivalente a 7 mil hectares</strong></em></p>
<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/audiencia_portodoacu.JPG" rel="shadowbox[post-2427];player=img;"><img class="alignleft size-medium wp-image-2428" title="audiencia_portodoacu" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/audiencia_portodoacu-300x225.jpg" alt="audiencia_portodoacu" width="300" height="225" /></a>O salão estava novamente tomado por homens e mulheres de mãos  grossas, pele marcada pelo sol, e o olhar inconfundível dos indignados.  Sentados ao redor da mesa oval, atentos e apreensivos, acompanhavam ora  os discursos de dor, ora os de descaso. Não era a primeira vez. Há mais  de três anos, os agricultores e pescadores do 5º Distrito de São João da  Barra, no nordeste do estado do Rio de Janeiro, lutam contra a remoção à  qual estão condenados pela instalação, na região, do Porto do Açu, pela  LLX do empresário Eike Batista. Destinado a ser o maior da América  Latina, o porto envolve recursos da ordem de R$ 6 bilhões, e ameaça de  remoção moradores de uma área de 7 mil hectares.</p>
<p>Por isso estavam  ali, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para listar,  mais uma vez, os indícios de desrespeito à lei, e o descaso do governo  estadual diante dos sérios impactos sociais e ambientais do  empreendimento, o maior porto privado do mundo. A audiência pública  promovida pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) colocou, frente a  frente, os impactados pelo empreendimento, o secretário estadual de  Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, a presidente do Instituto  Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, e o procurador do  Ministério Público Federal (MPF), Eduardo Santos de Oliveira.</p>
<p>“O  porto afeta a maior área de preservação de restingas do Brasil. Nunca  foi feito um levantamento das espécies do local – há muitas ameaçadas de  extinção. Nem foi feito um levantamento social e econômico da região.  Só na área de produção de alimentos, serão perdidos 15 mil empregos.  Levando em consideração a distribuição, serão 50 mil. São 477  propriedades afetadas”, diz o vice-presidente da Associação dos  Produtores Rurais e Imóveis de São João da Barra (Asprim), Rodrigo Silva  Santos. “Nós não vamos ceder. Nossa cultura e nossa vida está dentro do  5º Distrito. Não queremos sobreviver dentro de uma ‘subvida’”,  completou.</p>
<p>Segundo os impactados pelo empreendimento, São João da  Barra é o segundo maior produtor de abacaxi do estado, e o maior de  maxixe. Ocupa ainda a terceira posição na produção de pescado no Rio de  Janeiro – as obras afetarão 400 famílias de pescadores. Também produz  toneladas de verdura e frutas – o fornecimento de comida seria  fortemente afetado pela remoção dos agricultores, inclusive na capital  do Estado. A enorme área de restinga afetada seria, segundo eles,  elemento de conexão entre distintos ecossistemas da região. Os moradores  também protestaram contra a repressão do governo estadual a seu direito  de manifestação. Um ato teria sido fortemente reprimido pela Tropa de  Choque da Polícia Militar.</p>
<p>A representante da direção fluminense  do MST, Amanda Matheus, também denunciou o processo de duplicação da  BR-101, na mesma região. O traçado da rodovia foi reformulado para ficar  próximo ao empreendimento. Atualmente está projetado para passar por  dentro do assentamento Zumbi, e afetar gravemente o Che Guevara e o Ilha  Grande. “Eles estão prevendo a instalação de um corredor logístico que  deve desapropriar os lotes que margeiam a rodovia. Só no Zumbi serão  muitas famílias atingidas. Não houve, em nenhum momento, conversa com a  população sobre o novo critério de ocupação do solo”, disse. “A mudança  no traçado da rodovia atende interesses da prefeitura de Campos, do  governo do Estado e de Eike Batista”, lembrou Paulo Alentejano, doutor  em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da UERJ.</p>
<p>O procurador  Eduardo Santos de Oliveira lembrou que, ainda em 2008, o MPF ajuizou  uma ação para investigar o empreendimento. “É uma obra de grande  complexidade que foi fragmentada no discurso. Eles separaram o  minerioduto (que vai trazer o minério de Minas Gerais para o Açu), o  porto e o povo. Além disso, é um porto privado, uma porta aberta para o  Brasil que pertence a um empresário. Eu soube que nem a Marinha nem a  Polícia Federal terão acesso. Temos que discutir as consequências  disso”, avaliou, lembrando que já há inquérito para apurar a duplicação  da BR-101. “Espero que, um dia, a gente venha a discutir não apenas como  se conduz um empreendimento, mas se ele deve ou não ser instalado”,  disse.</p>
<p>A presidente do Inea, Marilene Ramos, não aceitou a  acusação de que a concessão ao empreendimento foi fragmentada, e  questionou a afirmação de que o porto deveria ser autorizado pelo Ibama.  “Houve licenciamento apenas do porto e de duas termoelétricas que serão  instaladas no local. O licenciamento do Distrito Industrial e da  siderúrgica ainda estão em discussão”, afirmou, propondo a instalação de  uma Comissão para avaliar, no Inea, o mapeamento dos projetos  relacionados ao empreendimento. Marilene sinalizou a possibilidade de  alterar o planejamento do Distrito Industrial – área de agricultura a  ser ocupada pelos empreendimentos conexos ao Porto do Açu.</p>
<p>Freixo  aceitou a formação da Comissão, prometendo integrá-la. Pouco antes, a  deputada Clarissa Garotinho (PR), oriunda da região, anunciou, em rápida  passagem pela audiência, a formação de uma Comissão Especial na Alerj  para acompanhar o Porto do Açu. Freixo e os deputados Paulo Ramos (PDT),  Zaqueu Teixeira (PT) e Janira Rocha (PSOL), presentes na audiência,  também integrariam a articulação parlamentar. “O governador assinou o  decreto de desapropriação porque para ele é fácil. É amigo do Eike  Batista. Viaja no aviãozinho dele”, disse Paulo Ramos, muito aplaudido.  Roberto Henriques (PR), ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, cidade  vizinha, também esteve presente.</p>
<p>Júlio Bueno defendeu o governo.  “É assim mesmo. O mundo é contraditório. A gente deve analisar os  números. São 15 moradores residentes. A gente está dando uma casa igual a  deles em compensação. Desapropriação não é um ato voluntário, é de  força. Como a Justiça ainda não reconhece a posse, dentre 84  agricultores, 73 estão recebendo o auxílio produção. O valor varia de R$  500 a R$ 2.500, dependendo da produção”, afirmou. Júlio não explicou em  que área aferiu esses dados, uma vez que o número de impactados é  significativamente maior do que os valores apresentados pelo secretário.</p>
<p>Freixo  propôs a suspensão imediata das remoções, até que o artigo 265 da  Constituição Estadual, que trata de desapropriações, seja cumprido.  Júlio não aceitou a proposta. “São R$ 20 milhões já liberados, só para  que vocês tenham uma ideia da ordem de grandeza de que estamos falando”,  disse, para surpresa dos outros presentes, que estavam falando de  direitos humanos. O último encaminhamento da audiência pública foi a  intenção de revisar o relatório dos impactos ambientais, o EIA-Rima, de  todo o processo envolvendo o Porto do Açu. Esta semana, o Ministério do  Desenvolvimento revelou que o Rio de Janeiro superou São Paulo e Minas  Gerais em volume de investimento. Só o Porto do Açu recebeu, em 2010, R$  3,4 bilhões, um terço do que receberam cada um dos dois estados  vizinhos, os mais populosos do Brasil. O noroeste fluminense recebeu  mais de R$ 8 bilhões.</p>
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		<title>Comitê Popular reúne as críticas à Copa do Mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 08:19:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia 30 de julho de 2011, a FIFA deu oficialmente seu pontapé inicial para a Copa do Mundo de 2014. O sorteio dos grupos das eliminatórias para o Mundial custou 30 milhões de reais aos cofres públicos, mas serviu pra mostrar que a sociedade está se mobilizando]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/08/AtoCopa.jpg" rel="shadowbox[post-2400];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2403" title="AtoCopa" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/08/AtoCopa.jpg" alt="AtoCopa" width="314" height="209" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000; font-family: arial,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #ffffff;"><em><strong>O rega-bofe da FIFA, no último dia 30, serviu pra mostrar que a sociedade está se mobilizando</strong></em><br />
</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000; font-family: arial,sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color: #ffffff;"><em>Por Gustavo Mehl</em></span></p>
<p>No dia 30 de julho de 2011, a FIFA deu oficialmente seu pontapé inicial para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Com produção especial e generosa dos governos do estado e do município do Rio de Janeiro, o sorteio dos grupos das eliminatórias para o Mundial custou 30 milhões de reais aos cofres públicos e foi transformado em um mini-mega-evento que reuniu na Marina da Glória cartolas, políticos, empresários, celebridades e centenas de jornalistas de todo o mundo. Estavam presentes figuras do porte de Ricardo Teixeira, Eike Batista, Dilma Roussef, Sergio Cabral Filho, Eduardo Paes e, claro, Pelé. Todos à vontade no mesmo balaio<span> </span>, embalados pelos últimos<span> </span><em>hits</em><span> </span>de Ivete Sangalo e focados ao vivo pelas câmeras dos Marinho.</p>
<p>Do lado de fora, na valente cesta das vozes críticas à Copa, uma diversidade bem maior. A<span> <em>Marcha por uma Copa do Povo</em> </span><strong><em> </em></strong>levou às ruas cerca de 1500 pessoas, entre representantes de movimentos e organizações sociais, moradores de comunidades atingidas, acadêmicos, líderes sindicais, geraldinos e arquibaldos. Reduzida na imprensa a uma manifestação &#8220;contra Ricardo Teixeira&#8221;, &#8220;contra as remoções&#8221;, ou até mesmo a uma manifestação &#8220;de taxistas do Rio de Janeiro&#8221;, a<span> </span><em>Marcha por uma Copa do Povo<span> </span></em>foi, na verdade, o pontapé inicial do<span> </span><strong>Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro</strong>, a representação regional de uma articulação que reúne nas cidades-sede da Copa diversos setores da sociedade, todos chutados pra fora das festinhas da FIFA, para fora dos estádios, para fora de suas casas e dos espaços de decisão política.<span> </span></p>
<p>Os manifestantes se reuniram no Largo do Machado e caminharam até a porta do rega-bofe de Joseph Blatter, onde foram, obviamente, barrados no baile. Em faixas, cartazes, bandeiras e falas ao microfone, foram expressas as diversas perspectivas críticas à forma como os governos estão pensando e operando as transformações urbanas para a Copa do Mundo no país. Do mau uso do dinheiro público ao superfaturamento das obras, da elitização do futebol às remoções ilegais de comunidades, das denúncias de corrupção ao compadrio de amigos empreiteiros, do assassinato do Maracanã ao modelo de cidade-empresa, da falta de participação popular ao autoritarismo dos governos, do aumento do custo de vida à periferização das classes mais pobres, todas as questões estavam lá. &#8220;Os Comitês locais abrem espaço para todas as pessoas e grupos que queiram se manifestar. É um espaço de construção coletiva que pretende contemplar as lutas e as demandas específicas de cada movimento, de cada instituição e de cada pessoa que estejam descontentes&#8221;, explica Marcelo Edmundo, representante do Comitê Rio.</p>
<p>Se, por um lado, a situação do Rio de Janeiro é emblemática, devido aos preparativos também para as Olimpíadas de 2016, por outro, os<strong>Comitês Populares da Copa</strong><span> </span>já estão articulados e ativos em todas as doze capitais que terão jogos em 2014, o que faz desta movimentação a primeira experiência de uma articulação nacional organizada para o questionamento das formas como a Copa é imposta à sociedade. Paralelamente à<span> </span><em>Marcha por uma Copa do Povo</em>, aconteceram no mesmo dia manifestações similares em outras cidades. Em São Paulo, por exemplo, centenas de pessoas se mobilizaram em Itaquera, onde a construção de um novo estádio promete sugar dinheiro público e remover as famílias que estiverem no caminho. &#8220;Esperamos que a partir de agora a sociedade se sensibilize e se mobilize cada vez mais para impedir os abusos e as ilegalidades que estão acontecendo em todas as cidades-sede da Copa do Mundo&#8221;, completa Marcelo.<span> </span></p>
<p>Esta parece ser a expectativa de muitos. Sob a arbitragem suprema da FIFA, a articulação de jogadas dos governos, e os muitos<span> </span><em>tentos</em>ilegais de grandes empresas, está mais que claro que é o povo quem segue tomando balão. A geral e a bancada não podem continuar caladas.</p>
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		<title>Comunidade do RJ resiste a remoção</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 00:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moradores da Vila Autódromo recusaram a proposta apresentada pela Prefeitura, e propõem projeto alternativo que concilie a permanência com os Jogos Olímpicos de 2016]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/03/vilaautodromo.jpg" rel="shadowbox[post-1401];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1402" title="vilaautodromo" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/03/vilaautodromo.jpg" alt="vilaautodromo" width="361" height="271" /></a></p>
<p>Como temos anunciado ultimamente, a comunidade da Vila Autódromo, localizada na Barra da Tijuca, parte nobre do Rio, vem se mobilizando desde o ano passado para garantir sua permanência. O fato é que o projeto para as Olimpíadas de 2016 prevê a saída das famílias do local, onde está prevista a construção do Centro de Mídia e do Centro Olímpico de Treinamento. Desde o anúncio da retirada, feito pelo Prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB/RJ) em entrevistas coletivas, os moradores têm manifestado a vontade de permanecer em suas casas nas assembléias realizadas na comunidade organizadas pela Associação de Moradores – das quais já participaram mais de mil pessoas.</p>
<p>Para conversar sobre o caso específico da Vila Autódromo, foi realizada uma reunião nesta quarta-feira, 3 de março, às 17h, na sede da Prefeitura do Rio. Além do próprio prefeito e do Secretário Municipal de Habitação, Jorge Bittar (PT/RJ), estiveram presentes lideranças e moradores da Vila Autódromo, defensores públicos do Estado do Rio, e representantes da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio (FAFERJ) e do Movimento Nacional de Luta pela Moradia.</p>
<p>Na abertura da reunião, o prefeito garantiu não tomar nenhuma medida sem dialogar antes com os moradores da comunidade, e disse ainda ter a esperança de que as Olimpíadas signifiquem uma transformação social e melhorias concretas para toda a cidade, como a urbanização de favelas. No caso da Vila Autódromo, ele propôs uma indenização ou então o reassentamento das famílias, ou seja, a mudança para localidades próximas de onde estão suas residências atualmente.</p>
<p>O presidente da Associação de Moradores, Altair Guimarães, e outros moradores da comunidade presentes recusaram a proposta do prefeito, fazendo ecoar as vozes de outras pessoas que não querem deixar suas casas nem sua história de vida. “Eu vim aqui com a esperança de que os Jogos aconteceriam onde a comunidade está, hoje. Entendo o que o senhor oferece, mas sei que não é isso que a comunidade quer”, disse Altair ao prefeito. Jane Nascimento, também da Associação, disse considerar a proposta “um desrespeito”, e defendeu a urbanização da comunidade, o que melhoraria muito a imagem da cidade frente à opinião internacional.</p>
<p><strong>Prefeito assume que houve erro na construção do projeto</strong></p>
<p>Como ressaltou o advogado Alexandre Mendes, do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria do Estado do Rio, um grande problema é o fato de o projeto ter sido elaborado sem consulta prévia aos moradores da comunidade. Segundo ele, essa constatação permite que haja uma revisão por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI). O próprio prefeito assumiu haver um “erro na origem”, e disse estar aberto a outras propostas.</p>
<p>Frente a isso, a defensora pública Maria Lúcia Pontes solicitou o projeto oficial aprovado pelo COI para ser analisado e discutido. A ideia é construir, juntamente com outros movimentos e entidades parceiras, uma contra-proposta, que “evidentemente será feita para que a comunidade permaneça”, como destacou a advogada. Esse projeto alternativo será apresentado na próxima reunião com o Prefeito – com indicativo para ser realizada no início de abril. Ela disse que a luta da Defensoria e dos moradores é não repetir o que acontece nos outros países, quando “os pobres são excluídos da cidade” para que eventos de grande porte como esse aconteçam.</p>
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		<title>A reação à licença para construção de Belo Monte</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 21:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entidades ligadas ao movimento Xingu Vivo Para Sempre estão reunidas em Altamira, no Pará; na última semana, ativistas fizeram protesto em frente à sede do Ibama, no Rio de Janeiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/02/belomonte1.jpg" rel="shadowbox[post-1386];player=img;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1393" title="RioXingu_BeloMonte" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/02/belomonte1-300x203.jpg" alt="RioXingu_BeloMonte" width="300" height="203" /></a></p>
<p>A licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, gera forte reação entre a sociedade civil. Concedida pelo Ibama no dia primeiro de fevereiro, a licença contraria laudos técnicos independentes e ações judiciais que apontam para os enormes impactos que a barragem traria ao meio ambiente e aos habitantes da região do Xingu.</p>
<p>Inconformados com a arbitrariedade da decisão, especialistas e representantes da sociedade civil têm liderado uma ampla mobilização popular. Além do lançamento de campanhas de cartas e do trabalho de denúncia no Brasil e na comunidade internacional, estão programadas manifestações populares públicas e encontros de articulação política.</p>
<p>Diversas entidadas contrárias à construção de Belo Monte estão reunidas no município de Altamira, no Pará, em <a href="http://xingu-vivo.blogspot.com/2010/02/movimento-xingu-vivo-para-sempre.html">encontro</a> organizada pelo movimento Xingu Vivo Para Sempre. <a href="../agenda/?event_id=31">Entre os dias 2 e 4 de março</a>, representantes de organizações de direitos humanos, movimentos sociais e acadêmicos discutirão a concessão da licença prévia e as estratégias que podem ser traçadas para que a decisão do Ibama seja barrada.</p>
<p>Na última quarta-feira, <a href="http://global.org.br/agenda/?event_id=30">dia 24 de fevereiro</a>, ativistas sociais de diversos grupos contrários à construção da usina se reuniram em frente à sede do Ibama, na Praça XV, no Rio de Janeiro, para protestar contra a concessão da licença. A convocatória do ato, assinada pelo <a href="http://xingu-vivo.blogspot.com">Movimento Xingu Vivo Para Sempre</a>, afirmava que &#8220;<a href="http://xingu-vivo.blogspot.com/2010/02/ativistas-sociais-protestam-em-frente.html">Belo Monte será um dos maiores crimes ambientais da história do Brasil</a>&#8221; e prosseguia dizendo: &#8220;<a href="http://http://xingu-vivo.blogspot.com/2010/02/ativistas-sociais-protestam-em-frente.html">Vamos mostrar que a sociedade civil não venderá barato essa decisão</a>&#8220;.</p>
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		<title>Cerca de 200 pessoas em manifestação contra remoções de favelas no RJ</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 19:52:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à Prefeitura do Rio para manifestar sua posição contrária à remoção de 119 favelas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Trebuchet MS,times new roman,times,serif;"><span style="color: #993300; font-size: medium;"><strong>Prefeito do Rio recebe lideranças de  comunidades para falar sobre remoções</strong></span></span></p>
<p>Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à Prefeitura do Rio para manifestar sua posição contrária à remoção de 119 favelas. A relação com as comunidades foi divulgada em uma matéria do jornal O Globo no início do ano. Após o anúncio, moradores e lideranças de comunidades formaram o Movimento Olimpíadas Não Justifica Remoção, para garantir seu direito à moradia e condições dignas de vida.</p>
<p>O prefeito Eduardo Paes (PMDB/RJ) recebeu por volta das 14h uma comissão com 16 representantes de comunidades, dentre elas Vila Autódromo, Arroio Pavuna, Camorim, Canal do Anil, Taboinhas de Vargem Grande, Horto, Pau da Fome, além de Maria Lourdes, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, e Rossino Diniz, presidente da Federação das Associações de Moradores de Favelas do Rio (FAFERJ).</p>
<p>Após ouvir os anseios dos presentes, ao final do encontro foi marcada uma reunião para tratar do caso específico da Vila Autódromo, pois seus moradores serão reassentados por causa da realização dos Jogos Olímpicos em 2016. Para a área está prevista a construção do Centro de Mídia e do Centro Olímpico de Treinamento. Os moradores da comunidade, entretanto, querem permanecer em suas casas. A reunião para tratar desse caso será no dia 3 de março, às 8h, na própria Prefeitura, e foi confirmada pelo prefeito e pelo presidente da Associação de Moradores da Vila Autódromo, Altair Guimarães.</p>
<p>Em relação às outras comunidades ameaçadas, o prefeito garantiu que nenhuma medida será tomada sem diálogo e acordo prévio com os moradores. Os representantes na reunião cobraram regularização fundiária, além de urbanização e melhorias de suas condições de vida. Paes disse estar em seus planos um projeto de urbanização de todas as favelas do Rio, o que precisaria de um investimento de cerca de R$ 5 bilhões. Falta conseguir o apoio do Governo Federal e outros fundos de investimento.</p>
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		<title>Brasil de Fato: &#8216;No Rio, política habitacional é remoção de favela&#8217;</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 19:19:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Descaso com políticas públicas de habitação é marca do primeiro ano de governo do prefeito Eduardo Paes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3><em><strong>Descaso com políticas públicas de habitação é marca do primeiro ano de governo do prefeito Eduardo Paes</strong></em></h3>
<p>No início deste ano, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) já deu mostras de que vai continuar pecando em relação às políticas públicas de habitação e no tratamento dispensado à população pobre das favelas. No dia 7, a Secretaria Municipal de Habitação divulgou uma relação de 119 comunidades que serão removidas até 2012. O motivo seria o fato de estarem em locais de risco de deslizamento ou inundação; em áreas de proteção ambiental; ou em espaços que deverão ser destinados a investimentos públicos.</p>
<p>Mas, de acordo com Marcelo Braga, da coordenação nacional da Central dos Movimentos Populares (CMP), a definição de “áreas de risco”, usada normalmente como justificativa para as remoções, é muito vaga e pode ser aplicada a diversos lugares, segundo vontades individuais. Ele destaca que esse mesmo motivo não costuma valer para bairros como Ipanema, Urca e Leblon, áreas nobres do Rio. “Será que vão ser derrubados também os grandes prédios da Zona Sul, condomínios e mansões em situação de risco? Será que serão feitas obras de contenção nesses locais, como muros e barreiras? Existe alguma dúvida do que será feito, e onde?”, provoca. Para ele, o que está por trás do anúncio de remoção das favelas é uma velha política que só visa atender aos interesses de um pequeno setor da sociedade ligado à especulação imobiliária.</p>
<p>A advogada Célia Ravera, ex-presidente do Instituto de Terras do Estado do Rio (Iterj), também critica a remoção das famílias. Para ela, a ocupação dos centros urbanos é fundamental. “Acho que os movimentos sociais devem continuar batalhando para que as áreas centrais da cidade sejam ocupadas por comunidades de baixa renda”.</p>
<p>Segundo Célia, que hoje está trabalhando com regularização fundiária na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, a população deve reivindicar seu direito sobre os prédios abandonados há muitos anos, sobretudo construções públicas, porque como o Rio de Janeiro foi a capital federal, esta é uma das cidades que tem mais prédios abandonados e não utilizados para serviço público. “Essa destinação social a prédios ociosos está inclusive prevista por lei. O que as organizações fazem ao lutar pelas ocupações é somente materializar leis que já existem, mas não são cumpridas”.</p>
<p>Já em relação às favelas, de acordo com ela, qualquer decisão tomada pelo poder público, como reassentamento ou desocupação, tem que ser vista em parceria com os moradores, garantindo condições justas de acordo.</p>
<p><strong>Violência</strong></p>
<p>Entretanto, a realidade parece bem distante desse ideal. Marcelo Braga, da CMP, conta um caso que testemunhou em 2009. Os moradores da ocupação do antigo Hotel Bragança, que fica na Lapa, procuraram a CMP no final do ano passado dizendo que representantes da Prefeitura estiveram por lá, fizeram o cadastro de quem ocupava o local e falaram que eles teriam que sair, pois o prédio estava condenado pela Defesa Civil. “Segundo a Prefeitura, eles receberiam o aluguel social de R$ 250 e seriam incluídos no programa Minha Casa, Minha Vida. As pessoas, pressionadas, acabaram aceitando a proposta, sob a ameaça de que viria o choque de ordem”.</p>
<p>Segundo o militante, algumas dessas pessoas viviam lá há 20 anos e receberam um documento sem assinatura e sem a especificação do tempo em que seria dado o aluguel. “Diante dessa situação de incertezas, conseguimos uma negociação com a Secretaria Municipal de Habitação. Será feito um outro documento que afirma o compromisso do aluguel social, desta vez assinado pelo secretário [Jorge Bittar]. Isso até que recebam a chave de uma casa, de preferência na área central, conforme a vontade e o interesse dos moradores”, esclarece Braga.</p>
<p>Para o coordenador, essa foi uma maneira de melhorar a situação, pois muitos já haviam assinado o acordo. “A nossa posição inicial, entretanto, era a de que não deveriam assinar nada e nem aceitar cheque algum, pois quem mora há 20 anos em algum local possui certos direitos. E, além disso, não havia ordem judicial”, relatou.</p>
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		<title>Secretário de Habitação do RJ promete tentar a permanência da Vila Autódromo</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 19:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cerca de 15 pessoas participaram de uma reunião convocada pela Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro, após a Prefeitura ter anunciado que 119 favelas serão removidas até 2012.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, dia 11 de janeiro, cerca de 15 pessoas participaram de uma reunião convocada pela Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro, após a Prefeitura ter anunciado que 119 favelas serão removidas até 2012. Dentre os presentes estavam moradores e lideranças de comunidades ameaçadas, como a Vila Autódromo, Alto Camorim e Recreio II, além de representantes da Pastoral das Favelas e da Defensoria Pública que têm acompanhado o caso. Na ocasião, o secretário de habitação, Jorge Bittar (PT/RJ), prometeu aos presentes interceder junto ao prefeito para manter as suas comunidades intactas, após ouvir a afirmação contundente de todos de que querem permanecer em suas casas.</p>
<p>O motivo alegado para a remoção das favelas seria por estarem em locais de risco de deslizamento ou inundação; em áreas de proteção ambiental; ou então para serem destinadas a investimentos públicos. Bittar esclareceu que a Vila Autódromo, localizada na Barra da Tijuca, será removida por causa dos Jogos Olímpicos de 2016. A área seria destinada à construção do Centro Olímpico de Treinamento, além do Centro de Mídia. Ao início da reunião, o secretário prometeu que iria batalhar para garantir “justiça social” no processo, procurando discutir com os moradores, reassentar as famílias em áreas próximas de onde vivem, garantir indenização justa e também moradias dignas. “Queremos um processo bem diferente do Pan Americano, que não trouxe benefício social para ninguém”, afirmou Bittar.</p>
<p>Apesar de todas essas garantias, os presentes reafirmaram a vontade de permanecer onde estão. Essa opinião já vem sendo ressaltada em assembleias organizadas na Vila Autódromo, das quais já participaram mais de mil pessoas. O presidente da Associação de Moradores da comunidade, Altair Guimarães, reafirmou que estava na reunião para cobrar do prefeito a melhoria das condições, como saneamento e urbanização, ao invés da destruição de casas e da expulsão dos moradores. “Não acredito que, por causa de um evento esportivo que irá durar 17 dias, milhares de famílias serão removidas. A gente sabe que depois as instalações serão destruídas ou abandonas, isso é tudo para estrangeiro ver. Vocês não percebem que somos seres humanos, e lá construímos nossa história, nossa vida?”, questionou indignado. A liderança comunitária Jane Nascimento concorda com Guimarães: “Queremos que o prefeito Eduardo Paes pegue, por exemplo, parte da verba da construção prevista de novas casas para investir em melhorias na nossa comunidade, para garantir a nossa dignidade”.</p>
<p>O advogado Alexandre Mendes, do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Rio, disse que a Vila Autódromo é um dos principais exemplos de resistência e de regularização fundiária. “Acredito que o próximo passo seria a urbanização e a garantia de melhores de condições para a população”. Como a justificativa para a remoção dessas famílias é apenas a realização das Olimpíadas, e não casos de risco ou por estarem em áreas de proteção ambiental, Mendes defendeu que o reassentamento deve ocorrer em último caso.</p>
<p>Ao final da reunião, o secretário prometeu pedir aos responsáveis pelo planejamento compatibilizar a permanência da comunidade com a realização dos Jogos Olímpicos. “Vou levar ao Prefeito a posição de que vocês não querem sair de onde estão, e procurar então um caminho intermediário”, prometeu Bittar.</p>
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