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	<title>Justiça Global &#187; tortura</title>
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		<title>Relatório da ONU sobre tortura no Brasil deve ser público</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 12:28:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>renato</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Organizações cobram do governo publicidade às recomendações das Nações Unidas, à luz da recém aprovada Lei de Acesso à Informação
Conectas, Justiça Global e a Pastoral Carcerária solicitaram  ao governo brasileiro nesta quinta-feira (8) que dê publicidade às recomendações formuladas ao País pelo Subcomitê para a Prevenção da Tortura (SPT) da ONU, enviadas oficialmente ao Brasil em 8 de fevereiro. (...)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Organizações cobram do governo publicidade às recomendações das Nações Unidas, à luz da recém aprovada Lei de Acesso à Informação</em></p>
<p>Conectas, <em>Justiça Global</em> e a Pastoral Carcerária solicitaram  ao governo brasileiro nesta quinta-feira (8) que dê publicidade às recomendações formuladas ao País pelo Subcomitê para a Prevenção da Tortura (SPT) da ONU, <a href="http://www2.ohchr.org/english/bodies/cat/opcat/spt_visits.htm" target="_blank">enviadas oficialmente</a> ao Brasil em 8 de fevereiro.</p>
<p>O SPT visitou o Brasil em setembro de 2011. O órgão teve contato com autoridades brasileiras e com representantes da sociedade civil, além de ter visitado centros de detenção, prisões, unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei, entre outros. O monitoramento da situação da tortura e de maus-tratos em unidades de privação de liberdade, é feito de acordo com o estabelecido pelo Protocolo Facultativo da Convenção da ONU contra a Tortura (OPCAT).</p>
<p>De acordo com o OPCAT as recomendações são comunicadas confidencialmente ao Estado, que pode decidir torná-las públicas. Com fundamento no direito constitucional de acesso à informação e na recentemente adotada Lei de Acesso à Informação as organizações requisitaram que as recomendações sejam tornadas públicas.</p>
<p>Na <a href="http://www.conectas.org/arquivos/multimidia/PDF/70.pdf" target="_blank">carta</a> encaminhada ao Ministério de Relações Exteriores, Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos, as organizações lembraram que a Lei de Acesso à Informação recém-aprovada estabelece um novo marco legislativo em que a transparência é a regra e o sigilo é a exceção. “Ao adotar a nova lei de acesso à informação, o Estado brasileiro tem feito escolhas rumo à superação da cultura da opacidade no Poder Público e à consolidação do Estado Democrático de Direito. Neste cenário, não publicar as recomendações seria um retrocesso” afirmou Juana Kweitel, Diretora de Programas da Conectas.</p>
<p>A lei reforça especificamente a exigência de publicidade de documentos referentes a violações de direitos humanos: “As informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso” (art. 21, parágrafo único).</p>
<p>&#8220;A publicação do relatório da ONU é fundamental para conhecer melhor como estamos em relação à tortura e nos fornece balizas para a superação desse mal que insiste em se fazer presente nas práticas institucionais&#8221;, apontou José de Jesus Filho, da Coordenação Nacional da Pastoral Carcerária. &#8220;Esperamos que as recomendações contidas no relatório sejam prontamente implementadas pelo governo brasileiro, em seus níveis federal, estadual e municipal e só poderemos acompanhar se soubermos quais são essas recomendações&#8221;, completa Sandra Carvalho, Diretora Executiva da <em>Justiça Global</em>.</p>
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		<title>Nota de Repúdio: Manobra do Governo retira a independência de Mecanismo contra a Tortura</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 16:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vésperas do envio de PL ao Congresso, Planalto muda o texto e deixa a nomeação de representantes no poder exclusivo da presidência, contrariando ONU e ignorando cinco anos de debate]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/10/caneta-tinteiro.jpg" rel="shadowbox[post-2472];player=img;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2473" title="Canetada da Dilma" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/10/caneta-tinteiro.jpg" alt="Canetada da Dilma" width="320" height="256" /></a></p>
<p>Após cinco anos de debates e demoras, o projeto de lei (PL) que implementa o Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (CNPCT) e o Mecanismo Preventivo Nacional (MPN) foi finalmente enviado ao Congresso Nacional. Previsto no Protocolo Facultativo à Convenção da ONU contra a Tortura, tratado ratificado pelo Brasil em 2007, o PL só foi assinado pela Presidenta da República, no dia 29 de setembro de 2011, por ocasião do término da visita ao Brasil do Subcomitê de Prevenção à Tortura da ONU, órgão internacional que interpreta o Protocolo Facultativo e monitora a implementação do tratado.</p>
<p>Normalmente, o envio desse PL seria razão para celebrar um passo importante dado contra a tortura no país.  No entanto, por vontade do Palácio do Planalto, o projeto enviado ao Congresso Nacional sofreu alteração significativa de última hora em relação à sua redação original. A mudança deixou a marca de um ranço autoritário no texto e minou a independência funcional que seria  garantida aos novos órgãos de prevenção à tortura.</p>
<p>De fato, às vésperas de o projeto ser encaminhado ao Congresso, o Palácio do Planalto alterou o texto do PL negociado durante anos para adotar um modelo centralizado cuja nomeação dos membros do Comitê agora fica a cargo de uma só pessoa: a (ou ‘o’) Presidente da República.  O Comitê tem papel central na nomeação dos membros do Mecanismo. O texto anterior do PL previa uma seleção dos membros do Comitê através de um processo público e participativo, conforme os Princípios Relacionados ao Status de Instituições Nacionais (Princípios de Paris), como sinaliza o tratado da ONU.</p>
<p>A sociedade civil repudia essa manobra política de última hora dada pelo Palácio do Planalto e prepara uma denúncia sobre o fato ao Subcomitê da ONU.</p>
<p>O processo de seleção que estava previsto na redação inicial do PL tinha precedentes; por exemplo, em nível estadual, os recém criados Comitê e Mecanismo de prevenção da tortura no Rio de Janeiro foram compostos através de um processo público e participativo desenhado para comportar com os requisitos do tratado da ONU.</p>
<p>O processo de nomeação público e participativo que estava contemplado na antiga redação do PL garantiria a independência funcional dos dois órgãos nacionais, que têm como função respectivamente, elaborar e acompanhar a política de prevenção e combate à tortura no Brasil e monitorar os locais de privação de liberdade em sentido amplo: prisões, estabelecimentos para adolescentes, hospitais psiquiátricos. As instituições também devem contar com uma série de prerrogativas, entre elas a independência financeira, a imunidade de seus membros durante o mandato, e o livre acesso a qualquer local de privação de liberdade sem prévio aviso, podendo entrevistar pessoas coletiva e privadamente e acessar todos os registros pertinentes aos privados de liberdade. Portanto, devem ser compostos por qualquer pessoa ou grupo que preenche determinados requisitos mínimos relevantes à função, livres de qualquer recurso ao apadrinhamento ou à pressão política ou mesmo à corrupção.</p>
<p>Como o Brasil ratificou o tratado em 2007, o país se comprometeu a criar uma instituição nacional (ou um grupo de instituições) para monitorar locais de privação de liberdade (denominado “mecanismo nacional de prevenção”) dentro de um ano dessa ratificação.  O país já não honrou esta obrigação, passados mais de quatro anos. Agora, além de tardiamente, o governo federal apresenta esse projeto como uma vitória para os direitos humanos, apesar da manobra contra a independência real do mecanismo nacional de prevenção.</p>
<p>Garantias reais de independência do Comitê e Mecanismo, inclusive durante processos de seleção, são fundamentais para cumprir com o Protocolo Facultativo à Convenção Internacional contra a Tortura. O tratado especifica que, “[o]s Estados Partes devem garantir a independência funcional dos mecanismos nacionais de prevenção, assim como de seus funcionários” e aponta que o desenho do “mecanismo nacional de prevenção” deve levar em conta os Princípios de Paris.  Ano passado, o Subcomitê da ONU que interpreta o tratado, esclareceu ainda que:</p>
<p style="padding-left: 60px;"><strong>El mecanismo nacional de prevención se creará mediante un procedimiento público, transparente e inclusivo en el que participe un grupo ampliamente representativo de las partes interesadas, en particular la sociedad civil. <span style="text-decoration: underline;">Este mismo tipo de proceso debe emplearse en la selección y el nombramiento de los miembros del mecanismo nacional de prevención</span>, que deben ajustarse a criterios hechos públicos.</strong> (grifo nosso)</p>
<p align="center">
<p>A sociedade civil está ciente da manobra dada pela Presidência da República e a repudia. Informaremos o Subcomitê da ONU e exigiremos a modificação do texto para sua versão original.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p align="center"><strong>Pastoral Carcerária Nacional</strong></p>
<p align="center"><strong> </strong></p>
<p align="center"><strong><em>Justiça Global</em></strong></p>
<p align="center"><strong><br />
</strong></p>
<p align="right"><strong>Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, 7 de outubro de 2011</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Corte da OEA reforça determinação para que Estado brasileiro proteja a vida de adolescentes no Espírito Santo</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 22:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nova resolução se baseou em “recentes denúncias de tortura e demais agressões” contra adolescentes internados em unidade socioeducativa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Devido a “recentes denúncias de tortura e demais agressões”, a Corte Interamericana de Direitos Humanos constatou que ainda há “risco iminente para a vida e integridade pessoal” de adolescentes internados em unidade socioeducativa</em></strong></p>
<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/UNIS.jpg" rel="shadowbox[post-2440];player=img;"><img class="alignleft size-full wp-image-2441" title="UNIS" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/UNIS.jpg" alt="UNIS" width="240" height="163" /></a>A Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA manteve as medidas provisórias que determinam que o Estado brasileiro tem obrigação de garantir a vida e integridade pessoal dos adolescentes internados na Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS), localizada no município de Cariacica, região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Em nova resolução divulgada hoje (21), a Corte afirmou que persisite uma situação “extrema gravidade e urgência” e que a proteção dos adolescentes deve ser mantida “sem prejuízo de que alguns desses beneficiários [os adolescentes] tenham mudado o local de privação de liberdade”, ou seja, tenham sido transferidos para outra unidade de internação.</p>
<p>Essa é a segunda resolução emitida pela Corte da Organização dos Estados Americanos (OEA) em relação a UNIS em um periodo de apenas 7 meses. A primeira denúncia internacional em relação à situação da unidade foi encaminhada em 2009, após sucessivas rebeliões e homicídios de adolescentes praticados dentro do local. A denúncia foi enviada ao sistema interamericano de direitos humanos pelo Centro de Defesa de Direitos Humanos da Serra (CDDH/Serra) e pela <em>Justiça Global</em>, em parceria com a Pastoral do Menor e apoio da Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard.</p>
<p>Em reposta à denúncia, a <em>Comissão </em>Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concedeu <em>medidas cautelares</em> de proteção. Constatando o descumprimento da determinação, a Comissão então encaminhou um pedido de medidas provisórias à Corte, instância superior, em 2011.  Em 25 de fevereiro de 2011, a Corte emitiu sua primeira resolução sobre a UNIS, exigindo que o Estado adotasse “de forma imediata as medidas que fossem necessárias para proteger eficazmente a vida e a integridade pessoal de todas as crianças e adolescentes privadas de liberdade na UNIS, bem como de qualquer pessoa que se encontre em dito estabelecimento”.  A Corte marcou audiência pública para o dia 25 de agosto em Bogotá, Colômbia, para receber informações sobre o cumprimento de sua determinação pelo Estado brasileiro.</p>
<p>Em Resolução datada 1º de setembro de 2011, mas enviada ontem aos peticionários, a Corte informa sobre a renovação das medidas provisórias de proteção apesar do Estado ter pedido a suspensão das mesmas na audiência de agosto.  A Corte reconheceu que “persistiram denúncias sobre fatos violentos dentro da UNIS”, fazendo referência a casos recentes de torturas e demais agressões apresentados pelos peticionários em seus relatórios e na audiência pública.  Para a Corte esses novos casos representam uma situação de risco iminente para a vida e integridade pessoal dos adolescentes e ordenou que o Estado garantisse a proteção desses jovens. A presente Resolução tem validade até 30 de abril de 2012.</p>
<p>Ao solicitar a suspensão das medidas, o Estado Brasileiro alegou que a maior parte dos adolescentes que se encontravam na UNIS desde a primeira resolução da Corte, havia sido transferida para outras unidades de atendimento socioeducativo. Mas a Corte afirmou que:</p>
<p>“os beneficiários das presentes medidas são aqueles que desde a data de adoção das presentes medidas provisórias encontram-se privados de liberdade, e que ditas medidas foram adotadas pela situação particular informada na Unidade de Internação Socioeducativa, sem prejuízo de que alguns desses beneficiários tenham mudado o local de privação de liberdade. A respeito das pessoas que foram transferidas a outros centros de internação, o Estado mantém suas obrigações gerais estabelecidas no artifo 1.1 da Convenção Americana de respeitar e garantir seu direito à vida e à integridade pessoal”.<br />
O CDDH/Serra e a <em>Justiça Global</em> enfatizam que a inauguração de novas unidades e transferências de adolescentes da UNIS não tem resultado em melhoras para a proteção dos mesmos. Os peticionários informaram à Corte que “27 beneficiários” transferidos sofreram abusos em seus novos locais de internação no sistema socioeducativo do Espírito Santo. Destacam especificamente o caso do adolescente Romário da Silva Raimundo, de 17 anos, que era interno da UNIS quando as medidas da Corte iniciaram e foi transferido à na Unidade Socioeducativa de Linhares no dia 7 de junho de 2011, onde cometeu suicídio semanas depois após ter sido colocado em isolamento.  Além desse lamentável e triste acontecimento os peticionários têm registrados novos casos de tortura e suicídio no sistema socioeducativo do estado. E desde a audiência em agosto, houve uma rebelião na Unidade de Linhares.</p>
<p>No documento de 12 páginas, a Corte recorda ao Estado que “estão estritamente proibidas as medidas disciplinares que constituam um tratamento cruel, desumano ou degradante, incluídos os castigos corporais, a reclusão em isolamento, bem como qualquer outra sanção que possa colocar em perigo a saúde física ou mental do menor”. Entre outros abusos, os peticionários denunciaram na audiência que adolescentes na UNIS e demais unidades do estado eram frequentemente algemados em posições doloras (uma delas denominada “Jesus Cristo” pelo posicionamento dos braços das vítimas) durante horas como forma de tortura.</p>
<p>O Estado tem o prazo de dois meses para emitir suas considerações em relação a nova Resolução da Corte.</p>
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		<title>ONU visita Brasil para avaliar situação de tortura e maus-tratos no país</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 19:33:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Subcomitê para a Prevenção da Tortura das Nações Unidas visita unidades de privação de liberdade para monitorar condições de detenção]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a><img class="aligncenter size-full wp-image-2415" title="presídio" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/presídio.jpg" alt="presídio" width="461" height="100" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p>O Subcomitê para a Prevenção da Tortura (SPT) da ONU virá ao Brasil em breve para a sua primeira visita periódica ao país. O grupo monitorará a situação da tortura e maus-tratos em unidades de privação de liberdade, como prevê o Protocolo Facultativo da Convenção da ONU contra a Tortura (OPCAT), do qual o Brasil é parte desde 2007.</p>
<p>Delegacias, prisões, centros de detenção, instituições de assistência social, hospitais de custódia e tratamento, unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei são alguns dos locais que o SPT visitará.</p>
<p>De acordo com dados do Infopen, o Brasil enfrenta as graves conseqüências da política de encarceramento em massa. Desde 2005 a taxa de encarceramento brasileira aumentou 35%, já tendo chegado a mais de meio milhão de pessoas presas.  Unidades de privação de liberdade superlotadas geram condições para que a tortura e os maus-tratos aconteçam cotidianamente.</p>
<p>Vários mecanismos de direitos humanos da ONU têm afirmado que <strong>no Brasil a tortura é “generalizada e sistemática”</strong>1. O governo brasileiro admite a existência da tortura e sua gravidade2. Admite também sua própria falha na produção de dados estatísticos sistematizados sobre a tortura nas unidades de privação de liberdade que permitam dimensionar a prática e adotar medidas eficazes de enfrentamento3.</p>
<p>A persistência da tortura no Brasil é uma consequência direta da ausência de políticas efetivas de prevenção e principalmente da falta de responsabilização dos perpetradores.</p>
<p><strong>A visita do SPT e suas recomendações</strong></p>
<p><em>Justiça Global</em> e Conectas Direitos Humanos, em parceria com outras organizações brasileiras, têm colaborado com o SPT na preparação da visita com informações a respeito de casos de tortura e maus-tratos no sistema penitenciário e em outros locais de detenção, como as unidades do sistema socioeducativo. Em maio de 2011, as organizações se reuniram com os membros do SPT em Brasília e no Rio de Janeiro durante uma visita preparatória.</p>
<p>No seu relatório final, o SPT recomendará ao Estado brasileiro medidas de prevenção e combate à prática de tortura no país, além de melhorias nas condições de detenção. <em>Justiça Global</em> e Conectas ressaltam a importância de o SPT incluir em suas recomendações as seguintes medidas prioritárias:</p>
<p><strong>Criação do Mecanismo Nacional de Combate e Prevenção à Tortura, além da criação de mecanismos estaduais</strong></p>
<p>Segundo o Protocolo Facultativo, o Brasil deveria ter criado o mecanismo nacional em 2008, um ano após a ratificação do documento4. Recentemente, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a sua implementação é uma de suas prioridades e que enviará ainda neste ano o projeto de lei. O Protocolo faculta a criação de mecanismos estaduais, que no caso brasileiro já foram estabelecidos em três estados, Alagoas5, Paraíba6 e Rio de Janeiro7. A Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo está estudando um projeto de criação de um mecanismo estadual elaborado pela Defensoria Pública junto com organizações da sociedade civil.</p>
<p><strong>Fortalecimento da Defensoria Pública, especialmente com a presença constante de defensores em locais de detenção</strong></p>
<p>A presença de defensores nesses locais seria um meio importante de prevenção e combate à tortura e garantia de atendimento jurídico aos presos. Uma das causas da tortura no país é a não responsabilização dos acusados de cometer este tipo de crime. Um dos elementos que comprometem este processo é justamente as dificuldades que enfrentam as vítimas ao denunciar a tortura e na sua apuração. A presença da Defensoria Pública atuaria diretamente nesta fase, acionando as autoridades competentes nos casos de cometimento de crimes de tortura nas unidades prisionais.</p>
<p>Neste sentido, o estado de São Paulo enfrenta um problema particularmente sério, já que são apenas 35 defensores responsáveis pelo atendimento jurídico em todo o sistema prisional paulista que compreende mais de 170 mil presos(INFOPEN).</p>
<p><strong>Independência dos órgãos responsáveis por realização de laudos médicos e periciais (Institutos e Departamentos Médicos-Legais) da estrutura institucional das polícias</strong>8</p>
<p>Sem uma pericia medica confiável, resulta impossível provar a tortura. Sendo estes órgãos vinculados à estrutura da própria polícia, a independência na apuração de crimes supostamente cometidos por policiais, como a tortura, fica comprometida9. O Relator da ONU contra a Tortura (no ano 2000) e o Comitê da ONU contra a Tortura (em 2009) recomendaram que os médicos sejam treinados para identificar lesões características da tortura e que os órgãos médicos sejam independentes, em particular de independentes de toda a estrutura policial.</p>
<p><strong>Fim da revista vexatória dos familiares de presos</strong></p>
<p>Para tal, as organizações recomendam a aprovação de uma lei federal que inclua: (i) proibição da revista íntima de visitantes e presos; (ii) proibição de revista manual e obrigatoriedade da revista com uso de equipamentos eletrônicos para visitantes;  (iii) autorização da revista manual apenas em caso de fundada suspeita de que o visitante traga consigo elementos cuja entrada seja proibida e/ou exponha a risco a segurança do estabelecimento prisional; (iv) a fundada suspeita deverá ter caráter objetivo e ser registrada pela administração em livro próprio, assinado pelo revistado, testemunhas e pelo funcionário; (v) fornecimento ao visitante de declaração escrita sobre os motivos objetivos que justifiquem a revista manual, dando-lhe a opção de recusar a se submeter ao procedimento se desistir de realizar a visita</p>
<p>Dos 11 países já visitados pelo SPT, 5 deles tornaram as recomendações públicas. E<strong>speramos que o Brasil siga esta prática de transparência.</strong></p>
<p><strong>___________________________________________</strong></p>
<p><strong>Notas<br />
</strong></p>
<p>1 ONU, Comitê contra a Tortura. “Report on Brazil produced by the Committee under art. 20 of the Convention”, Documento CAT/C/39/2, parágrafo 178 (no original “torture and similar ill-treatment continues to be meted out on a widespread and systematic basis”).</p>
<p>2 No relatório nacional apresentado pelo Brasil durante o primeiro ciclo da Revisão Periódica Universal (RPU) do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 2008, o governo reconheceu a prática da tortura e sua gravidade (parágrafo 51).  Documento ONU, A/HRC/WG.6/1/BRA/1, 7 de março de 2008, disponível em  http://www.ohchr.org/EN/HRBodies/UPR/PAGES/BRSession1.aspx.</p>
<p>3 “El Gobierno brasileño reconoce la gravedad de esta situación. El problema es difícil de abordar y el primer obstáculo es la falta de bases estadísticas en todo el país que permitan cuantificar los acontecimientos de una manera precisa” (Idem, parágrafo 52).</p>
<p>4 No relatório nacional apresentado na Revisão Periódica Universal, descrito acima (nota 1), o Brasil demonstrou preocupação com o tema e indicou que atuava para a implementação do Mecanismo Nacional (parágrafo 55, item 3.9), porém esta obrigação não foi cumprida até agora.</p>
<p>5 Lei nº 7.141/2009</p>
<p>6 Lei nº 9.413/2011</p>
<p>7 Lei nº 5.778/2010</p>
<p>8 O Relator contra Tortura da ONU, Nigel Rodley, quando visitou o Brasil em 2001, também recomendou que os institutos e departamentos médicos-legais estejam sob autoridade independente e não sob a autoridade da polícia. O relatório dessa visita se encontra na íntegra disponível em http://daccess-dds-ny.un.org/doc/UNDOC/GEN/G01/123/23/PDF/G0112323.pdf?OpenElement.</p>
<p>9 O Brasil reconheceu este problema no relatório nacional apresentado na Revisão Periódica Universal (parágrafo 56). Além disso, organizações da sociedade civil denunciaram esse problema ao CAT (parágrafo 51, p. 18 do relatório do CAT).</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Contatos para imprensa</strong></p>
<p>Conectas Direitos Humanos</p>
<p>Natália Suzuki – Comunicação</p>
<p>natalia.suzuki@conectas.org</p>
<p>Tel: 3884-7440 / 9355-8574</p>
<p><em>Justiça Global</em></p>
<p>Sandra Carvalho – Diretora Adjunta</p>
<p>Sandra@global.org.br</p>
<p>021 25442320 / 82721916</p>
<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/conectas_10anos_PT.jpg" rel="shadowbox[post-2414];player=img;"><img class="size-medium wp-image-2416 alignnone" title="Conectas" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/conectas_10anos_PT-300x166.jpg" alt="Conectas" width="300" height="166" /></a><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Justica-Global.jpg" rel="shadowbox[post-2414];player=img;"></a></p>
<p><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Justica-Global.jpg" rel="shadowbox[post-2414];player=img;"><img class="size-medium wp-image-2417 alignnone" title="Justica-Global" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/09/Justica-Global-300x98.jpg" alt="Justica-Global" width="300" height="98" /></a></p>
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		<title>OEA: Brasil deve proteger a vida de presos em Pernambuco</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 19:57:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Organizações denunciaram homicídios, tortura, superlotação, insalubridade e falta de atendimento médico no Presídio Aníbal Bruno, em Recife]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_2387" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/08/AnibalBruno.jpg" rel="shadowbox[post-2386];player=img;"><img class="size-medium wp-image-2387" title="Anibal Bruno" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/08/AnibalBruno-300x140.jpg" alt="Foto: Guga Matos/JC Imagem" width="300" height="140" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Guga Matos/JC Imagem</p></div>
<p><strong><em>Organizações  denunciaram homicídios, tortura, superlotação, insalubridade e falta de  atendimento médico no Presídio Aníbal Bruno, em Recife; Governo  brasileiro tem até o dia 24 para prestar informações sobre cumprimento  de determinação </em></strong></p>
<p>A  Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos  Estados Americanos (OEA) determinou ao governo brasileiro a adoção de  medidas cautelares que protejam “a vida, integridade pessoal e saúde das  pessoas privadas da liberdade” no <strong>Presídio Professor Aníbal Bruno</strong>, em Recife, Pernambuco.  O Presídio Aníbal Bruno é uma das maiores prisões da América Latina, com cerca de 4.800 presos em espaço para 1.448.</p>
<p>A  decisão, divulgada nesta segunda-feira, dia 8 de agosto, atende  solicitação enviada em junho de 2011 pelas organizações Pastoral  Carcerária de Pernambuco, Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões,  Pastoral Carcerária Nacional, <em>Justiça Global</em> e Clínica Internacional de  Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard. O Estado brasileiro  tem até o dia 24 deste mês para prestar informações sobre o cumprimento  das medidas cautelares.</p>
<p><strong>Superlotação, insalubridade, homicídios e tortura </strong></p>
<p>A  população atual do Presídio Aníbal Bruno equivale a três vezes mais que  sua capacidade. Desde 2008 ocorreram ao menos 52 mortes violentas  dentro da unidade, segundo um cruzamento de dados oficiais com outras  provas colhidas pelas entidades que fizeram a denúncia. Somente em julho  de 2011, dois presos foram mortos e vários outros ficaram feridos em  decorrência de uma rebelião.</p>
<p>Antes  de enviarem a denúncia à OEA, as organizações peticionárias realizaram  diversas visitas ao presídio e constataram diretamente abusos  sistemáticos e condições deploráveis de detenção. Foram registrados  casos de presos que exibiam marcas de tortura, incluindo ossos quebrados  e facadas na pele, e de presos portadores de graves problemas de saúde  ou doenças contagiosas que não recebiam assistência médica.</p>
<p><strong>Presos atuam como agentes de segurança </strong></p>
<p>As  organizações denunciaram o fato de certos presos designados pela  administração do Aníbal Bruno desempenharem funções de agentes de  segurança do presídio. Segundo a apuração dos peticionários, os  “Chaveiros”, como são chamados, têm autoridade para supervisionar e  controlar a os pavilhões, e são muitas vezes presos acusados de  pertencerem a grupos de extermínio em Pernambuco.</p>
<p>O  documento da OEA requer que o Estado brasileiro adote “as medidas  necessárias para aumentar o pessoal de segurança do Presídio Professor  Aníbal Bruno e garantir que sejam os agentes das forças de segurança do  Estado os encarregados das funções de segurança interna, eliminando o  sistema dos chamados ‘chaveiros’ e assegurando que não lhes sejam  conferidas às pessoas privadas da liberdade funções disciplinarias, de  controle ou de segurança”.</p>
<p><strong>Leia a integra dos requerimentos feitos pela Comissão da OEA ao Brasil:</strong></p>
<p><strong>1.  adotar todas as medidas necessárias para proteger a vida, integridade  pessoal e saúde das pessoas privadas da liberdade no Presídio Professor  Aníbal Bruno na cidade de Recife, Estado do Pernambuco;</strong></p>
<p><strong>2.  adotar as medidas necessárias para aumentar o pessoal de segurança do  Presídio Professor Aníbal Bruno e garantir que sejam os agentes das  forcas de segurança do Estado os encarregados das funções de segurança  interna, eliminando o sistema dos chamados “chaveiros” e assegurando que  não lhes sejam conferidas às pessoas privadas da liberdade funções  disciplinarias, de controle ou de segurança;</strong></p>
<p><strong>3.  assegurar o provimento de uma atenção médica adequada aos  beneficiários, oferecendo atendimento médico que permita a proteção da  vida e da saúde dos beneficiários;</strong></p>
<p><strong>4.  adotar todas as medidas necessárias para evitar a transmissão de  doenças contagiosas dentro do Presídio Professor Aníbal Bruno, inclusive  através de uma redução substantiva da superpopulação das pessoas ali  privadas de liberdade;</strong></p>
<p><strong>5. adotar estas medidas em consulta com os representantes dos beneficiários; e</strong></p>
<p><strong>6.  informar sobre as ações adotadas a fim de diminuir a situação de  superpopulação verificada no Presídio Professor Aníbal Bruno.</strong></p>
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		<title>Relatório expõe realidade do sistema prisional do Espírito Santo</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 23:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Celas metálicas e casos de esquartejamentos chocaram o país; Publicação destaca a continuidade das violações de direitos humanos, as respostas insuficientes do Estado e a importância do trabalho de fiscalização independente da sociedade civil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><em><strong>Celas metálicas e casos de esquartejamentos chocaram o país; Publicação destaca a continuidade das violações de direitos humanos, as respostas insuficientes do Estado e a importância do trabalho de fiscalização independente da sociedade civil</strong></em></p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><span style="font-size: x-small;"><strong><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/SistemaPrisionalES_2011.pdf"><img class="alignleft size-medium wp-image-2347" title="capa.jpg" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/capa.jpg-212x300.png" alt="capa.jpg" width="212" height="300" /></a>São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória</strong></span> – Nesta sexta-feira, dia 10 de junho, foi lançado na sede da OAB/ES, em Vitória, o relatório “<em>Violações de Direitos Humanos no Sistema Prisional do Espírito Santo – Atuação da Sociedade Civil</em>”, que traz um raio-X da situação dos presídios, carceragens e unidades socioeducativas do estado. A publicação de 74 páginas traz um histórico de casos de violações registrados e analisa o trabalho de fiscalização da sociedade civil e as respostas insuficientes dadas pelas autoridades.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2011/06/SistemaPrisionalES_2011.pdf">LEIA O RELATÓRIO &#8220;VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA PRISIONAL DO ESPÍRITO SANTO&#8221;</a></p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">O relatório traz informações e atividades realizadas por organizações que acompanham o tema há anos, como o Conselho Estadual de Direitos Humanos do Estado do Espírito Santo (CEDH –ES), o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (CDDH-Serra), o Centro de Apoio aos Direitos Humanos “Valdício Barbosa dos Santos”(CADH-ES), a Pastoral do Menor do Espírito Santo, a Conectas e a <em>Justiça Global</em>. A conclusão aponta para o fracasso do governo capixaba e das autoridades locais, que apostaram apenas em uma política de construção de vagas, que não altera problemas estruturais. A negação da tortura, a falta de investigação dos casos de violação e a situação precária das novas unidades que foram construídas são fatores fundamentais para a  manutenção do quadro caótico.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><em><strong>Crime organizado e corrupção</strong></em></p>
<p style="margin-bottom: 0cm">
<p style="margin-bottom: 0cm">O documento relembra casos emblemáticos, como a execução, em 2003, do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que denunciou a concessão de benefícios ilegais a presos que eram colocados em liberdade para atuar em grupos de extermínio e praticar outros atos ilícitos para o crime organizado do estado. O caso deu visibilidade à situação do sistema prisional do Espírito Santo, que tornou a ser notícia em 2006, quando explode uma onda de rebeliões em delegacias e presídios do estado. Apenas dois meses antes, uma inspeção feita pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) havia constatado “um verdadeiro caos” nas unidades prisionais (p. 20).</p>
<p style="margin-bottom: 0cm">.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm">Segundo o relatório, é a partir de 2006, quando a Secretaria de Justiça do Estado proíbe a entrada de organizações da sociedade civil em unidades prisionais, dificultando o trabalho de fiscalização, que a situação se agrava. Naquele mesmo ano, o governo passou a utilizar delegacias de polícia, contêineres, micro-ônibus e outras instalações precárias para abrigar a população carcerária crescente. Durante o período em que as organizações da sociedade civil ficaram impedidas de visitar os presídios, pelo menos dez casos de esquartejamento foram documentados pelo CEDH-ES na Casa de Custódia de Viana (CASCUVI).</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><em><strong>Tortura, homicídio, superlotação</strong></em></p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">Em 2009, uma decisão do STJ obrigou o governo a permitir o trabalho de acompanhamento externo independente.  Entre 2009 e 2011, o CADH-ES, o CEDH-ES, a Pastoral do Menor, o CDDH-Serra, a <em>Justiça Global</em> e a Conectas fizeram diversas visitas a nove unidades, entre carceragens, centros de detenção e unidades socioeducativas. Casos graves de tortura e homicídio foram documentados. Em todos os locais, foi observada uma situação generalizada de superlotação, insalubridade e falta de assistências médica e jurídica.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">No Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, por exemplo, que tinha capacidade para 36 pessoas, as organizações chegaram a encontrar, em 2009, cerca de 300 detentos, parte deles acorrentada pelos corredores do edifício. Em fevereiro de 2010, na Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS) de Cariacica, o grupo flagrou porretes que, segundo relatos, eram usados pelos monitores para a tortura dos jovens. Nesta mesma unidade, três adolescentes foram assassinados somente entre abril e junho de 2009.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">A situação foi levada para mecanismos internacionais de direitos humanos, na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização dos Estados Americanos (OEA). Por essa época, o jornalista Elio Gaspari deu publicidade a fotos de esquartejamentos na CASCUVI e de celas metálicas que chegavam à temperatura 50 graus, o que aumentou a pressão sobre as autoridades e obrigou o governo a tomar providências, ainda que pontuais.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm"><em><strong>ONU e OEA</strong></em></p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">Em março de 2010, o sistema prisional do ES foi tema de um evento na sede das Nações Unidas, em Genebra, organizado pelas organizações que assinam o relatório. Em abril de 2010, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA concedeu medidas cautelares determinando que o Brasil deveria garantir a vida dos detentos da DPJ de Vila Velha. Antes, em novembro de 2009, determinação semelhante havia sido feita com relação aos adolescentes da UNIS. Em abril de 2011, a Corte Interamericana, entidade acima da CIDH, concedeu medidas provisórias reforçando a determinação de proteger os adolescentes da UNIS.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">Se por um lado, a atuação das organizações garantiu alguns avanços – como o fim das celas metálicas, e a interdição de algumas unidades críticas, como a DPJ de Vila Velha –, por outro, a situação permanece grave, com a manutenção da situação degradante dos detentos no estado e a esquiva do governo diante de novas denúncias. A nova Unidade Socioeducativa Metropolitana de Vila Velha – Xuri –,por exemplo, que abrigava, em abril de 2011, 68 adolescentes, adota modelo utilizado nos novos Centros de Detenção Provisória do estado, com isolamento celular por 23 horas diárias como castigo. Além disso, as organizações ouviram muitos relatos de tortura física e psicológica.</p>
<p style="margin-top: 0.49cm; margin-bottom: 0.49cm">“<em>Violações de Direitos Humanos no Sistema Prisional do Espírito Santo – Atuação da Sociedade Civil</em>” apresenta o quadro capixaba como emblemático da situação nacional e não se esquiva de uma análise de conjuntura crítica, que contesta a política de criação de vagas como “solução” e questiona a orientação do Estado brasileiro para o “encarceramento em massa”.</p>
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		<title>Decisão da OEA obriga Brasil a garantir a vida de adolescentes privados de liberdade no ES</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2011 20:22:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Corte Interamericana considera que a situação dos adolescentes na Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS) é de extrema gravidade; É a quarta vez que Brasil é notificado com medidas provisórias da OEA]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Corte Interamericana considera que a situação dos adolescentes internados na Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS) é de extrema gravidade; Medida inclui a proteção de funcionários<br />
</strong></p>
<p><strong>É a quarta vez que Brasil é notificado com medidas provisórias da OEA, mas apenas uma ainda estava em vigor; Itamaraty tem dois meses para apresentar as providências tomadas, que devem ser discutidas com organizações da sociedade civil</strong></p>
<p><strong><em>_____________________________________________</em></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_1260" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><strong><strong><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/02/Unis_PCC_2.jpg" rel="shadowbox[post-2224];player=img;"><img class="size-full wp-image-1260" title="Unis_PCC" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/02/Unis_PCC_2.jpg" alt="Para a OEA, adolescentes internados na UNIS estão em risco (foto: Lena Azevedo)" width="240" height="320" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Para a OEA, adolescentes internados na UNIS estão em risco (foto: Lena Azevedo)</p></div>
<p><strong>Nesta quinta-feira (17), a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) concedeu <em>medidas provisórias</em> que determinam que o Estado brasileiro terá que garantir a vida e a integridade pessoal dos adolescentes privados de liberdade e de todos os funcionários da Unidade de Internação Socioeducativa (UNIS), localizada no município de Cariacica, região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. O Itamaraty terá dois meses para apresentar à Corte providências efetivas tomadas para o cumprimento da decisão, que devem ser discutidas com as organizações que acompanham o caso.</strong></p>
<p><strong>Esta é a quarta vez que a OEA determina medidas provisórias para casos no Brasil, mas, além desta, apenas a que diz  respeito à proteção da vida no presídio Urso Branco, em Rondônia, ainda  está em vigor. As outras duas – relativas à proteção da vida dos internos do presídio de Araraquara, em SP, e à proteção dos adolescentes  internos da FEBEM em Tatuapé – foram encerradas depois da desativação das unidades. As medidas provisórias são concedidas apenas em casos “de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas”, o que demonstra que para a OEA os internos da UNIS continuam em risco.</strong></p>
<p><strong>HOMICÍDIOS, TORTURA, REBELIÕES</strong></p>
<p><strong>Há anos, organizações de direitos humanos como a Pastoral do Menor vêm alertando para os casos de tortura e maus-tratos na UNIS, onde apenas entre abril e julho de 2009 três homicídios de adolescentes foram registrados.  Diante do grave cenário de violações, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra e a <em>Justiça Global</em> encaminharam um pedido de medidas cautelares para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (CIDH). Em novembro de 2009 a CIDH, atendendo ao pedido das organizações, concedeu a cautelar.<br />
</strong></p>
<p><strong>Em função do não cumprimento pelo Estado Brasileiro das medidas determinadas pela CIDH e baseada na constatação de que “o Estado (&#8230;) não exerce o controle efetivo do mencionado estabelecimento” (onde novamente aconteceram rebeliões e casos de tortura), a Corte– instância superior à CIDH – concede agora medidas provisórias, obrigando o Brasil a cumprir sua resolução. </strong></p>
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		<title>Manifestação Pública de Organizações de DH sobre Alemão e Vila Cruzeiro</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 20:12:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA["As favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, se tornaram o palco de uma suposta “guerra” entre as forças do “bem” e do “mal”. Esta perspectiva rasa – que vende falsas “soluções” para os problemas de segurança pública no país – exclui do debate pontos centrais."]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_2166" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/12/Bilhete_Alemao1.JPG" rel="shadowbox[post-2161];player=img;"><img class="size-full wp-image-2166 " title="Bilhete_Alemao" src="http://global.org.br/wp-content/uploads/2010/12/Bilhete_Alemao1.JPG" alt="&quot;A ordem é vasculhar casa por casa&quot;, disse o comandante da PM. As autoridades rasgaram as leis e deram carta-branca para a livre atuação de policiais" width="512" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;A ordem é vasculhar casa por casa&quot;, disse o comandante da PM. As autoridades rasgaram as leis e deram carta-branca para a livre atuação de policiais (foto: Lena Luz)</p></div>
<p><strong>Há três semanas, as favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro</strong>, no Rio de Janeiro, se tornaram o palco de uma suposta “guerra” entre as forças do “bem” e do “mal”. A “vitória” propagada de forma irresponsável pelas autoridades – e amplificada por quase todos os grandes meios de imprensa – ignora um cenário complexo e esconde esquemas de corrupção e graves violações de direitos que estão acontecendo nas comunidades ocupadas pelas forças policiais e militares. Mais que isso, esta perspectiva rasa – que vende falsas “soluções” para os problemas de segurança pública no país – exclui do debate pontos centrais que inevitavelmente apontam para a necessidade de profundas reformas institucionais.</p>
<p><strong>Desde o dia 28 de novembro, organizações da sociedade civil</strong> realizaram visitas às comunidades do Alemão e da Vila Cruzeiro, onde se depararam com uma realidade bastante diferente daquela retratada nas manchetes de jornal. Foram ouvidos relatos que denunciam crimes e abusos cometidos por equipes policiais.  São casos concretos de tortura, ameaça de morte, invasão de domicílio, injúria, corrupção, roubo, extorsão e humilhação. As organizações ouviram também relatos que apontam para casos de execução não registrados, ocultação de cadáveres e desaparecimento.</p>
<p><strong>Durante o processo, a sensação de insegurança e medo ficou evidente</strong>. Quase todos os moradores demonstraram temor de sofrerem represálias e exigiram repetidamente que o anonimato fosse mantido. E foi assim, de forma anônima, que os entrevistados compartilharam a visão de que toda a região ocupada está sendo “garimpada” por policiais, no que foi constantemente classificado como a “caça ao tesouro” do tráfico.</p>
<h2><strong><em>A caça ao tesouro</em></strong></h2>
<p><strong>É um escândalo: equipes policiais de diferentes corporações</strong>, de diferentes batalhões, se revezam em busca do dinheiro, das jóias, das drogas e das armas que criminosos teriam deixado para trás na fuga; em lugar de encaminhar para a delegacia tudo o que foi apreendido, as equipes estão partilhando entre elas partes valiosas do “tesouro”. Aproveitando-se do clima de “pente fino”, agentes invadem repetidamente as casas e usam ameaças e técnicas de tortura como forma de arrancar de moradores a delação dos esconderijos do tráfico. Não bastasse isso, praticam a extorsão e o roubo de pequenas quantias e de telefones celulares, câmeras digitais e outros objetos de algum valor.</p>
<p><strong>Apesar deste quadro absurdo, o governo do estado do Rio de Janeiro</strong> tenta mais uma vez esvaziar e desviar o debate, transformando um momento de crise em um momento triunfal das armas do Estado. Nem as denúncias que chegaram às páginas de jornais – como, por exemplo, as que apontam para a fuga facilitada de chefes do tráfico – foram respondidas e investigadas. Independente disso, os relatos que saem do Alemão e da Vila Cruzeiro escancaram um fato que jamais pode ser ignorado na discussão sobre segurança pública no Rio de Janeiro: as forças policiais exercem um papel central nas engrenagens do crime. Qualquer análise feita por caminhos fáceis e simplificadores é, portanto, irresponsável. E muitas vezes, sem perceber, escorregamos para estas saídas.</p>
<p><strong>Direcionar a “culpa” de forma individualizada</strong>, por exemplo, e fazer a separação imaginária entre “bons” e “maus” policiais é uma das formas de se esquivar de debates estruturais. Penalizar o policial não altera em nada o cenário e não impede que as engrenagens sigam funcionando. Nosso papel, neste sentido, é avaliar os modelos políticos e as falhas do Estado que possibilitam a perversão da atividade policial. Somente a partir deste debate será possível imaginar avanços concretos.</p>
<p><strong>Diante do panorama observado após a ocupação do Alemão</strong>, as organizações de direitos humanos cobram a responsabilidade dos Governos e exigem que o debate sobre a reforma das polícias seja retomado de forma objetiva. Nossa intenção aqui não é abarcar todos os muitos aspectos desta discussão, mas é fundamental indicarmos alguns aspectos que achamos essenciais.</p>
<h2><strong><em>Falta de transparência e controle externo </em></strong></h2>
<p><strong>A falta de rigor do Estado na fiscalização </strong>da atuação de seus agentes, a falta de transparência nos dados de violência, e, principalmente, a falta de controle externo das atividades policiais são fatores que, sem dúvida, facilitam a ação criminosa de parte da polícia – especialmente em comunidades pobres, distantes dos olhos da classe média e das lentes da mídia. E os acontecimentos das últimas semanas realmente nos dão uma boa noção de como isso acontece.</p>
<p><strong>Apesar dos insistentes pedidos de entidades e meios de imprensa</strong>, até hoje, não se sabe de forma precisa quantas pessoas foram mortas em operações policiais desde o dia 22. Não se sabe tampouco quem são esses mortos, de que forma aconteceu o óbito, onde estão os corpos ou, ao menos, se houve perícia, e se foi feita de modo apropriado. A dificuldade é a mesma para se conseguir acesso a dados confiáveis e objetivos sobre número de feridos e de prisões efetuadas. As ações policiais no Rio de Janeiro continuam escondidas dentro de uma caixa preta do Estado.</p>
<p><strong>Na ocupação policial do Complexo do Alemão em 2007, </strong>a pressão política exercida por parte deste mesmo coletivo de organizações e movimentos viabilizou, com a participação fundamental da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, um trabalho independente de perícia que confirmou que grande parte das 19 mortes ocorridas em apenas um dia tinham sido resultado de execução sumária. Foram constatados casos com tiros à queima roupa e pelas costas, disparados de cima para baixo, em regiões vitais, como cabeça e nuca. Desta vez, não se sabe nem quem são, quantos são e onde estão os corpos dos mortos.</p>
<p><strong>Para que se tenha uma ideia, em uma favela do Complexo</strong> do Alemão representantes das organizações estiveram em uma casa completamente abandonada. No domingo, dia 28, houve a execução sumária de um jovem. Duas semanas depois, a cena do homicídio permanecia do mesmo jeito, com a casa ainda revirada e, ao lado da cama, intacta, a poça de sangue do rapaz morto. Ou seja, agentes do Estado invadiram a casa, apertaram o gatilho, desceram com o corpo em um carrinho de mão, viraram as costas e lavaram as mãos. Não houve trabalho pericial no local e não se sabe de nenhuma informação oficial sobre as circunstâncias da morte. Provavelmente nunca saberemos com detalhes o que de fato aconteceu naquela casa.</p>
<h2><strong><em>“A ordem é vasculhar casa por casa&#8230;”</em></strong></h2>
<p><strong>Por outro lado, o próprio Estado incentiva o desrespeito às leis</strong> e a violação de direitos quando informalmente instaura nas regiões ocupadas um estado de exceção. Os casos de invasão de domicílio são certamente os que mais se repetiram no Alemão e na Vila Cruzeiro. Foi o próprio coronel Mario Sérgio Duarte, comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, quem declarou publicamente que a “ordem” era “vasculhar casa por casa”, insinuando ainda que o morador que tentasse impedir a entrada dos policiais seria tratado como suspeito. Mario Sérgio não apenas suprimiu arbitrariamente o artigo V da Constituição, como deu carta-branca à livre atuação dos policiais.</p>
<p><strong>Em qualquer lugar do mundo, a declaração do coronel</strong> seria frontalmente questionada. Mas a naturalidade com que a fala foi recebida por aqui reflete uma construção histórica que norteia as ações de segurança pública do estado do Rio de Janeiro e que admite a favela como território inimigo e o morador como potencial criminoso. Em comunidades pobres, o discurso da guerra abre espaço para a relativização e a supressão dos direitos do cidadão, situação impensável em áreas mais nobres da cidade. De fato, a orientação das políticas de sucessivos governos no Rio de Janeiro tem sido calcada em uma visão criminalizadora da pobreza.</p>
<p><strong>Em meio a esse caldo político, as milícias</strong> formadas por agentes públicos – em especial por policiais – continuam crescendo, se organizando como máfia por dentro da estrutura do Estado e dominando cada vez mais bairros e comunidades pobres no Rio de Janeiro. No Alemão e na Vila Cruzeiro, comenta-se que parte das armas desviadas por policiais estaria sendo incorporadas ao arsenal destes grupos. Especialistas avaliam com bastante preocupação a forma como o crime está se reorganizando no estado.</p>
<p><strong>Mas isto continua tendo importância secundária</strong> na pauta dos Governos. De olhos fechados para os problemas estruturais do aparato estatal de segurança, seguem apostando em um modelo militarizado que não é direcionado para a desarticulação das redes do crime organizado e do tráfico de armas e que se mostra extremamente violento e ineficaz.</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2010.</strong></p>
<p>Assinam:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong><em>Justiça Global</em></strong></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Conselho Regional de Psicologia – RJ</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Grupo Tortura Nunca Mais &#8211; RJ</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Instituto de Defensores de Direitos Humanos</strong></p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis</strong></p>
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		<title>Rio de Janeiro contra a Tortura</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 12:52:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No início do mês foram eleitas as entidades representantes da sociedade civil que vão compor o Comitê Estadual para a Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro por um período de quatro anos.]]></description>
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<p style="text-align: center;"><span> </span></p>
<div><img src="http://www.observatoriodefavelas.org.br/userfiles/image/tort_todos_cc_05_11_10_new.jpg" alt="Eleitos que farão parte do Comitê de Combate a Tortura. Da esquerda para a direita: Tânia Kolker, Tiago Lima, deputado Marcelo Freixo(PSOL), Patricia de OLiveira, Antônio Pedro, Tamara Moreira, Sandra Carvalho, Victória Lavinia e Alice Marchi. Foto: Divulgação." width="300" height="201" /></p>
<address style="width: 294px; text-align: center;">Eleitos que farão parte do Comitê de Combate a Tortura. Da esquerda para a direita, acima: Tiago Lima, deputado Marcelo Freixo(PSOL), Patricia de OLiveira, Antônio Pedro; abaixo: <span>Tania Kolker, Alice de Marchi</span>, <span><span>Victória Grabois,  Sandra Carvalho e</span></span> Tamara Melo. Foto: Divulgação.</address>
</div>
<p style="text-align: center;">
<p>No início do mês foram  eleitas as entidades representantes da sociedade civil que vão compor o  Comitê Estadual para a Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro  por um período de quatro anos. <a href="../../../../../" target="_blank"><em>Justiça Global</em></a>, <a href="http://www.projetolegal.org.br/" target="_blank">Organização de Direitos Humanos Projeto Legal</a>, <a href="http://www.cddh.org.br/" target="_blank">Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis &#8211; Grupo Ação, Justiça e Paz</a>, <a href="http://www.torturanuncamais-rj.org.br/" target="_blank">Grupo Tortura Nunca Mais</a> e a <a href="http://www.redecontraviolencia.org/" target="_blank">Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência</a> fazem parte do Comitê, que teve sua primeira reunião realizada esta semana.<span>O objetivo da reunião era discutir e aprovar o edital que vai nortear  as ações do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura, além  da formulação de seu regimento interno. &#8220;Nossa expectativa é de que o  Comitê e o Mecanismo componham um sistema efetivo de monitoramento das  unidades de privação de liberdade em um contexto histórico marcado pela  fragilidade nesse campo&#8221;, diz Sandra Carvalho, da <em>Justiça Global</em>.</span></p>
<p>O Comitê terá o papel de discutir políticas públicas e de eleger o  Mecanismo, que vai operar com autonomia sua responsabilidade de visitar  pessoas presas, requerer procedimento criminal em caso de tortura ou  tratamento cruel, elaborar relatórios anuais sobre visitas realizadas e  organizar e manter um banco de dados com tais informações. Além disso,  tem ainda outras obrigações, como o monitoramento de cadeias, unidades  socioeducativas e manicômios.</p>
<p>O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), presidente da Comissão  de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, aprovou o projeto  de lei n° 5778 que institui a <a href="http://www.marcelofreixo.com.br/site/upload/LEI5778.pdf" target="_blank">criação do Comitê em junho</a>.  “A tortura é a violação mais antiga da história do país e não foi um  instrumento exclusivo da época da ditadura. É um limitador da  democracia”, adverte Freixo, ao explicar que “as visitas sistemáticas  vão mudar a ação reativa para a ação preventiva e diminuir as chances de  tortura”.</p>
<p>O PL ganhou apoio da ONU e da ONG internacional Associação de  Prevenção da Tortura (APT) e é um passo em direção ao Protocolo  Facultativo à Convenção da ONU contra a Tortura, aprovado na Câmara dos  Deputados em 2006 e que abrange também tratamentos ou penas cruéis,  desumanas e degradantes. Apesar de assinado há quatro anos, pouco foi  feito acerca do tema.</p>
<p><strong>Autonomia</strong></p>
<p>O Comitê é o único do gênero no país vinculado ao Legislativo e não  ao Executivo. Dessa forma, o Estado garante mais autonomia ao organismo  no monitoramento das unidades de privação de liberdade. Além disso, os  candidatos a trabalhar como membros no futuro Mecanismo Estadual de  Prevenção e Combate à Tortura no Rio de Janeiro terão atuação  independente, estabilidade garantida e salário de R$ 4.700 brutos. <a href="http://www.marcelofreixo.com.br/site/docs/EditalComiteTortura11112010.pdf" target="_blank">Veja aqui o edital.</a> Os trabalhos devem começar no próximo ano.</p>
<p>Por estar vinculado ao Legislativo, o novo órgão já nasce com  autonomia garantida. Seus membros poderão entrar nas unidades a qualquer  hora, sem autorização prévia de ninguém do Executivo. “O principal  agente torturador é o Estado. É importante que estas pessoas tenham  mandato, garantias e estabilidade diferentes do Executivo”. Uma das  principais violências cometidas pelo Estado, sob o nome de “autos de  resistência”, contabilizou, entre 1998 e 2009, 10.216 mortes no Estado.  Uma média de 2,4 mortos por dia.</p>
<p>Criado durante a ditadura, o registro policial de &#8220;resistência com  morte do opositor”, ou “auto de resistência&#8221;, começou a ser divulgado no  Rio de Janeiro no último ano do governo Marcello Alencar (PSDB),  conhecido por instituir a &#8220;gratificação faroeste&#8221;, que, de acordo com  estudo Letalidade da Ação Policial no Rio, do <a href="http://www.iser.org.br/" target="_blank">Instituto de Estudos da Religião (Iser)</a>, estimulou mortes em supostos confrontos.</p>
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		<title>Governo do Espírito Santo desativa carceragem em Vila Velha</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 21:58:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mehl</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O governo do Espírito Santo anunciou hoje que desativou a carceragem do Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, município da região metropolitana de Vitória.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1><span style="font-weight: normal; font-size: 13px;">Brasília  – O governo do Espírito Santo anunciou hoje que desativou a carceragem  do Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Vila Velha, município da  região metropolitana de Vitória. De acordo com o governo, a desativação  foi possível devido à entrega do Centro de Detenção de Provisória  Masculino de Vila Velha, com 500 vagas, construído próximo a BR-101 Sul,  em Vila Velha.</span></h1>
<p>A superlotação e as más condições da carceragem  foram relatadas pelo Conselho Nacional de Política Criminal e  Penitenciária que chegou a sugerir ao Ministério Público intervenção  federal no estado. De acordo com o relatório, com capacidade para  abrigar cerca de 30 presos, o DPJ de Vila Velha chegou a abrigar 300  pessoas.</p>
<p>A carceragem também esteve no rol dos presídios  capixabas denunciados em maio deste ano ao Conselho de Direitos Humanos  da Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de  Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), devido ao  tratamento degradante dado aos presos.</p>
<p>As denúncias motivaram um  pedido da OEA para que o governo brasileiro tomasse providências  urgentes em relação à situação dos presos da unidade como forma de  garantir a integridade física dos encarcerados.</p>
<p>De acordo com o  governo do estado, o novo presídio fará parte de um complexo  penitenciário com outras quatro penitenciárias para regime fechado e  semiaberto.</p>
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